Vários gols da Alemanha



A expressão pós-massacre na Copa do Mundo ganhou força a cada momento triste para o futebol brasileiro. Na semana em que Wendell Lira foi motivo de orgulho, outros acontecimentos negativos voltaram a nortear o ex-país da bola.
Na última sexta-feira, durante a coletiva de apresentação do argentino Mancuello em Mangaratiba, ele foi perguntado se o tamanho do Flamengo havia o assustado. O gringo respondeu assim ao questionamento:
– Não fiquei assustado. Jogava em um time que tem sete títulos da Copa Libertadores. Não me assustam desafios grandes.
Mesmo outrora já tendo exaltado a torcida rubro-negra antes da vinda, os questionamentos desnecessários sobre a grandeza de clubes são perguntas obrigatórias nas apresentações. Tal situação não é exclusividade do Flamengo e é feita na expectativa do jogador recém-chegado encher a bola do clube que ele vestirá a camisa a partir de agora. Mancuello foi sereno durante a resposta, assim como durante a entrevista inteira. A necessidade de mostrar que esse é melhor do que aquele ou então maior do que o outro é bom para o papo entre os torcedores.
Outro gol da Alemanha aconteceu neste domingo na cidade de Votorantim, interior de São Paulo. O time sub-15 do Corinthians foi pressionado por um grupo de torcedores após a eliminação na Copa Brasil de Futebol Infantil. Os “inteligentes” foram protestar contra garotos com menos de 15 anos de idade!
Não é a primeira vez que corintianos cobram garotos e no fim do ano passado foi pior. O sub-13 perdeu a decisão do Campeonato Paulista da categoria para o Santos por 4 a 0. No setor destinado ao visitante na Vila Belmiro estavam os familiares dos meninos e mesmo assim alguns “inteligentes” entoaram cantos de pressão pedindo “raça” e “coração”. Veja bem, garotos com menos de 13 anos que pela primeira vez disputavam uma final foram cobrados como homens formados e profissionais de um esporte em que daqui a alguns anos muitos deles sequer estarão fazendo isso como objetivo de sustento.
O exemplo atual de trabalho bem feito vem da Alemanha. A maneira como eles conseguiram resgatar o futebol garimpando garotos por todos os lados do país tornou-se referência e fez com que outros centros fossem até lá para entender e tentar copiar. A própria Itália, mergulhada em uma crise técnica há anos, se preocupa e procura se espelhar no vizinho europeu atrás de vida nova. Profissionais da federação italiana falam em primeiro lugar formar cidadão para caso ele se torne um atleta profissional tenha uma base bem feita tanto em campo quanto fora dele. Pode parecer óbvio pensar assim, mas não é o que acontece em vários locais.
É claro que não é possível generalizar a torcida por situações pontuais inadequadas como as acontecidas com os garotos do Corinthians, mas o triste fato de isso estar presente nos dias de hoje mostra como uma parte pensa sobre o futebol. E isso pode refletir no futuro de garotos de 12, 13, 14 anos…
Infelizmente, o ditado que começou após o trágico 8 de julho de 2014 continua em alto e bom som por aqui. Já são vários gols da Alemanha e aquela derrota no Mineirão parece não ter fim.
PS: A coluna publicada no L! desta segunda-feira foi escrita antes da selvageria em Mogi das Cruzes. Mas aqui, vale registrar outro problema de violência na competição que não agrega mais nada ao futebol brasileiro: a Copa São Paulo. Uma das cenas mais violentas do futebol brasileiro aconteceu em 1995, justamento em um torneio de juniores e com a mesma torcida de ontem envolvida. 21 anos depois, ela continua, assim como tantas outras, atrasando o país.


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