O gol que 389 pessoas viram



(AFP)

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Pelé marcou quase 1300 gols ao longo da carreira e na opinião dele o mais bonito aconteceu na vitória do Santos sobre o Juventus por 4 a 2, no dia 2 de agosto de 1959, na Rua Javari. Certamente se houvesse o Prêmio Puskas daquele ano ele seria dado ao Rei. Mas o problema é que não existe uma imagem sequer do golaço e no filme Pelé Eterno, por exemplo, foi criado por computador.

Ao mesmo tempo que a obra não pode ser vista em preto e branco, é fácil encontrar alguém que fale estar presente na Javari. Se juntar todo mundo lotaria facilmente o Camp Nou, estádio em que desfila Lionel Messi, eleito pela quinta vez o melhor do mundo. Lá também está o terceiro melhor, mas que poderia ter ficado à frente de Cristiano Ronaldo pela temporada excelente e recheada de títulos pelo Barcelona. Neymar já se colocou entre os grandes e permanecerá assim por um longo tempo. É o principal nome para findar a hegemonia Messi/C.Ronaldo que perdura oito anos. Vamos falar de Wendell Lira, o brasileiro vitorioso da noite em Zurique.

Wendell entrou para a história graças ao tento feito com a camisa do modesto Goianésia na vitória sobre o Atlético-GO por 2 a 1, no dia 11 de março de 2015. Uma quarta-feira. No calendário de 1959, ano do gol mais bonito de Pelé, o dia caiu na mesma quarta-feira.

Se é moleza encontrar algum senhor saudoso pelo antigo futebol brasileiro que “esteve” na Javari, será tarefa complicada achar alguém presente naquela noite no vazio Serra Dourada. O jogo válido pela quarta rodada do segundo turno do Campeonato Goiano teve apenas 389 torcedores (342 pagantes). A renda bruta ficou em R$ 3.180,00 e o Atlético, mandante, levou para casa R$ 1.202,79.

Ao subir no palco para receber o troféu, Lira mostrou o quanto o seu mundo é diferente daqueles presentes na festa. Sem roupa de marca, cabelo espalhafatoso e chapéu, ele saiu do senso comum ao citar Davi contra Golias, além de mostrar o quanto era importante estar nem que seja por uma noite ao lado dos melhores do mundo e sentado na mesma plateia que Neymar, Messi, Cristiano e tantos outros que até meses atrás eram controlados por ele pelo videogame.

O conto de “Cinderelo” durará mais alguns dias com o retorno ao Brasil. Certamente terá compromissos para dar entrevistas, aparecerá em diversos programas de TV e possivelmente desfilará em carro aberto em Goiânia ao reencontrar a família.

Ao retornar aos treinos no Vila Nova ele vai seguir a preparação para o início da temporada pelo novo clube. A estreia está marcada para o dia 31 de janeiro e logo no clássico contra o Goiás, no mesmo Serra Dourada em que o apresentou para o mundo. Espera-se para a primeira rodada do estadual mais do que os 389 presentes na noite de 11 de março.

Também no dia 31, Messi e Neymar estarão em campo em outro clássico, contra o Atlético de Madrid, provavelmente brigando pela liderança do Campeonato Espanhol. A expectativa é de aproximadamente cem mil pessoas no Camp Nou para o compromisso válido pela 22 rodada da competição.

O sonho virou realidade e valeu muito a pena. No fim do mês, Wendell voltará a lutar para manter a sua realidade. Neymar e Messi, lá na Espanha, farão o mesmo.



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