Nem tudo está perdido



Independência recebeu 18.578 pagantes na primeira final da Copa do Brasil e a renda bruta foi de R$ 4.741.300,00. O valor médio do ingresso custou ao bolso do torcedor do Atlético-MG pouco mais de R$ 255. Custo alto para o padrão brasileiro, mas “justificado” pelo boom da novas arenas no país e pela importância de ser uma final inédita entre rivais.

O presidente Alexandre Kalil preferiu jogar no estádio do América-MG pela força construída lá e a autoridade como a equipe se impõe sobre os rivais. Uma final do tamanho de Atlético e Cruzeiro não pode ser para menos de 20 mil pessoas. Na mesma velocidade em que o Brasil se modernizou por conta dos estádios parece retroagir na mesma proporção quando o assunto é a incapacidade de organizar uma partida de grande importância com a presença de torcidas grandes.

A véspera do confronto foi marcada por trocas de farpas públicas entre as diretorias e como já havia ocorrido em outras oportunidades do clássico mineiro a decisão teve torcida única. A prova da incompetência é quando se repete algo ruim como já acontece na Argentina. Lá o espaço para a torcida visitante não existe mais. Boca Juniors e River Plate começam a decidir a semifinal da Copa Sul-Americana na semana que vem no mesmo molde de Atlético e Cruzeiro.

Na mesma semana em que a final entre mineiros teve torcida única, Walter Torre, presidente da WTorre, deu declaração na contramão de tudo isso. Em debate no clube Monte Líbano, em São Paulo, ele se mostrou a favor de clássico dividido. A ESPN publicou a seguinte frase de Torre: “Meu sonho é de ter uma arena que seja metade de uma torcida e metade de outra. É assim que eu vejo o futebol. Tomara que dê certo”. O pensamento chega a ser utópico para os dias atuais, mas é sinal que existe luz no fim do túnel. Mesmo que não seja metade, já é avanço ter alguém com esse desejo em tempos que a maioria defende torcida única ou 10% aos rivais.

Na quarta-feira da próxima semana o Allianz Parque, estádio reformado com investimento de Torre, será inaugurado. A torcida é para que no futuro ele siga com a mesma opinião de agora.

A questão central para tudo isso é como parar a violência. Evitar que a torcida adversária vá até o estádio como visitante não é sinônimo de menos confusão. Os últimos confrontos com vítimas fatais aconteceram longe dos locais das partidas. No último Palmeiras e Santos, dia 19 de outubro pelo Brasileirão, o torcedor palmeirense Leonardo da Mata Santos, de 21 anos, morreu em briga na Rodovia Anchieta. O jogo? Aconteceu quatro horas depois no Pacaembu.

Privar o bom torcedor de usufruir das arenas modernas é o caminho preguiçoso a se seguir. Não dá para um final nacional com Atlético e Cruzeiro ser com torcida única e apenas para 18 mil torcedores. É um retrocesso.



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