A preocupação com a Azzurra



(Centro de treinamento da Roma em Trigoria. Foto: Rafael Bullara)

(CT da Roma em Trigoria. Foto: Rafael Bullara)

 

No fim do ano passado participei de um curso organizado pela Escola Europeia de Futebol para a capacitação de treinadores em Roma. Os docentes são da Federação Italiana e ex-jogadores. Entre as conversas com Sergio Roticiani, companheiro de Pelé no Cosmos, e Attilio Sorbi, colega de Falcão nos tempos de Roma, eles se mostraram preocupados com o futuro da seleção italiana.

Ambos entendem que o título mundial conquistado há quase nove anos foi um ponto fora da curva. Depois disso foram duas eliminações ainda na primeira fase nos Mundiais subsequentes. Em 2010 a chave tinha Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia! Já no ano passado caiu no grupo com Inglaterra, Uruguai e Costa Rica.

Os dois, junto com tantos outros profissionais da Itália, trabalham para rejuvenescer a Azzurra e recolocá-la novamente no cenário mundial. A dificuldade, porém, passa pelo próprio campeonato local. A Juventus, líder da temporada e atual tricampeã, tem sua espinha dorsal formada por estrangeiros. A dupla Pirlo e Buffon, também da Juve, já deu sua contribuição ao time nacional. O meia tem 35 anos enquanto o goleiro completa 37 anos no próximo dia 28 de janeiro.

Não é por mero acaso que o calcio esteja abaixo de outros importantes torneios europeus. Em pouco mais de dez dias na Itália vi três jogos: Lazio x Atalanta, Roma x Milan e Fiorentina x Empoli. No primeiro o destaque foi o brasileiro Felipe Anderson. O clássico valeu pela festa da torcida romanista e só. Em Florença, a Viola tem sul-americanos no elenco como Neto, Cuadrado, Vargas e o experiente Pizarro. São poucos os nativos que podem ser apontados como promissores em um curto período de tempo.

A maneira é pensar no futuro. E não há futuro algum sem base. Entre aulas teóricas e práticas, foram três visitas ao centro de treinamento da Roma, em Trigoria, local próximo à capital.

Lá, os garotos da base treinam perto dos profissionais. Desde pequeno eles aprendem a cuidar do seu próprio material. A cada início de temporada ganham uma mala com as roupas de treino e têm escala para guardar o material técnico como bolas, gols e outros objetos que são usados pelos treinadores ao longo dos treinos. É assim desde o sub-15 até a Primavera, último estágio antes de alçarem ao time profissional.

A maneira de como o brasileiro joga individualmente enche os olhos dos italianos. Não existe um que não gesticule entusiasmado ao falar de Falcão, Careca, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e agora Neymar, mesmo que o último, diferentemente dos outros, não tenha jogado por lá e dificilmente atuará um dia.

Roticiani e Sorbi usam como exemplo o futebol coletivo da Itália. Tal maneira de atuar virou referência e ganhou quatro mundiais. Mas os dois reconhecem que o jeito obstinado de procurar a perfeição podou a individualidade.

Nunca é tarde para recomeçar e reconhecer que outros estão à frente. Se espelhar e aprender com quem é melhor não é vergonha.



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