Del Nero venceu



Marco Polo Del Nero conseguiu o que queria: manter Tite à frente da Seleção Brasileira até a Copa do Qatar em 2022.

Banido do futebol por corrupção e recebimento de propina, o ex-presidente da CBF, que não pode sair do país sob o risco de ser preso, defendeu a permanência de Tite assim que o Brasil perdeu para a Bélgica.

E o desejo de Del Nero foi prontamente atendido por Rogério Caboclo, que assumirá o comando da entidade em abril do ano que vem e ganhou as eleições com total apoio do ex-presidente.

Apesar de estar tentando se desvincular do antecessor de seu antecessor (já que Del Nero, além de “eleger” Caboclo, “inventou” o Coronel Nunes para substitui-lo de imediato na CBF), Caboclo seguiu os conselhos de Del Nero.

Para o ex-presidente, a imprensa adora Tite e tende a santifica-lo. E ele não está errado na avaliação, tanto que muita gente considerou a falta de sorte a responsável pela eliminação precoce do Brasil e a fraca campanha na Copa.

Acredita ainda que, mantendo o técnico por mais quatro anos e meio, a CBF ganha uma trégua da mídia e passa a mensagem de planejamento e profissionalismo extremo, termo, aliás, que o próprio Tite, curiosamente, usou para agradecer e elogiar a entidade.

Hoje diretor-executivo da confederação, Caboclo, já na Rússia, deixou claro que a intenção era de continuar com o técnico. E Edu Gaspar, que é muito querido pelo treinador. Chefe, na hierarquia, mas seu auxiliar, na prática.

O filho de Tite, que o técnico considera fundamental na comissão técnica, também recebeu o aval de continuar.

Não por acaso Edu Gaspar foi só elogios para a CBF, que não teria poupado esforços para dar as melhores condições para Tite e Cia.

Pena que o técnico e sua comissão não tenham correspondido e acabaram errando feio no Mundial.

O próprio Tite entrou nervoso na competição, alguns jogadores também, não entendeu que, num torneio em que a ideia é fazer sete partidas em um curto período de tempo, os que estiverem em melhores condições devem jogar, mimou demais nossa principal estrela e deixou que o pai dela tivesse regalias na concentração e na hospedagem, levou um nó tático no primeiro tempo contra a Bélgica que nos custou a vaga para as semifinais e acabou sendo uma decepção.

Mas não para grande parte da mídia brasileira, que segue o achando acima do bem e do mal.

Apesar de tudo, inclusive do tom professoral e cansativo nas entrevistas e do beijo em Del Nero quando assumiu a Seleção, o mesmo Del Nero banido do futebol por corrupção, sim, insisto, por corrupção, e de todos os erros que cometeu na Rússia.

Não sou contra sua permanência, acho que se trata de um treinador muito bom, mas que errou um bocado na Copa, deve ter aprendido com os erros e evoluído. Mas que o Brasil não fez uma Copa épica como em 1982, quando perdemos mas ficamos no imaginário do futebol bonito para o mundo todo, não fez.

Que o novo ciclo seja melhor. Porque se tivesse sido Dunga o eliminado nas quartas de final a reação seria outra. Como foi em 2010, depois de ele também ter feito belíssima campanha nas eliminatórias. E na Copa América. E na das Confederações.

Mas a imprensa não gostava do jeito dele. E gosta do de Tite. E se Dunga mandou mal no segundo tempo contra a Holanda Tite fez o mesmo no primeiro contra a Bélgica.

Que venham mais quatro anos e meio. E que seja um ciclo melhor. Tite pode. Sim, pode, claro que pode. Mas tem que mudar e não cometer os mesmos erros. Só que, para começar, tem que admitir que erros existiram. Porque existiram e aos montes.



MaisRecentes

Complô no Santos



Continue Lendo

O contrato de Felipe Melo



Continue Lendo

Naming rights em 2019



Continue Lendo