A tal da globalização



Pessoal não cansa de falar sobre a globalização do futebol, com quase todos os craques na Europa, a tal da nivelação das Seleções, padronização do jogo, o fato de não haver mais bobo no futebol… E não há?

Acho que ainda há um ou outro sim, como um ou outro ainda dá faniquitos em campo. Foi por enorme descuido e extrema ingenuidade que o Japão deixou a Bélgica virar nos instantes finais e perdeu a vaga para as quartas de final, levando de 3 a 2 da equipe europeia que depois bateria o Brasil. Com aquele nó tático na etapa inicial.

Lendo “Fechado por Motivo de Futebol”, do uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), autor de “As Veias Abertas da América Latina” e “Futebol ao Sol e à Sombra”, não posso deixar de destacar um trecho (entre tantos outros) que me marcou. Quando ele trata da Copa de 2002, vencida pelo Brasil. Mas poderia estar tratando da de 2018, quando mais uma vez, assim como em 2006, com Carlos Alberto Parreira, e em 2010, com Dunga, caímos, agora com Tite, nas quartas de final. Jogando as três vezes abaixo do esperado.

Escreve Galeano: “Qual é o sonho mais frequente dos empresários, dos tecnocratas, dos burocratas e dos ideólogos da indústria do futebol? No sonho, cada vez mais semelhante à realidade, os jogadores imitam os robôs.”

E continua: “Triste sinal dos tempos, o século 21 sacraliza a uniformidade em nome da eficiência e sacrifica a liberdade nos altares do sucesso.”

“Obediência, velocidade, força: nada de firulas. Este é o molde que a globalização impõe. Fabrica-se, em série, um futebol mais frio que uma geladeira. E mais implacável que uma centrífuga. Um futebol de robôs. Supõe-se que esta chateação é o progresso.”

Mas conclui, citando um historiador que disse o seguinte: “A característica mais consistente das civilizações em decadência é a tendência à estandardização e à uniformidade.”

Para pensar, não? Eu acho. Ainda mais para quem anda acompanhando a Copa da Rússia que já está na reta final. Termina domingo, deixando muitas reflexões a serem feitas. Especialmente sobre a sociedade contemporânea. Que está complicada…



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