Tite-2022?



Hoje me perguntaram se eu achava que Tite deveria continuar na Seleção e iniciar a caminhada rumo a 2022, apesar de críticas pontuais que fiz e sigo fazendo ao trabalho dele, e minha resposta é sim.

Tite é um bom treinador, fez uma campanha brilhante nas eliminatórias sul-americanas, uma campanha belíssima que levou o Corinthians à inédita conquista da Libertadores e depois a ganhar o Mundial no Japão, tem credenciais, enfim.

Como escreveu Tostão na “Folha”, foi mais uma decepção com a Seleção, mas, “apesar de erros pontuais, o trabalho de Tite foi muito bom, deveria continuar sem ser santificado”.

E essa é a chave da questão. A imprensa, em geral, adora apontar isso ou aquilo, fazer análises muitas vezes simplistas demais, e erra, erra, erra. Eu mesmo, antes da Copa, acreditava que a Alemanha faria uma bela campanha e que Argentina e Portugal iriam mais adiante, embora, mesmo com um time forte, não apostasse no Brasil campeão. E errei em várias das apostas que fiz, não?

Futebol, afinal de contas, não é uma ciência exata, muito longe disso. O próprio Tite sabe disso, embora tenha tido o mérito, ao contrário de alguns jornalistas, de não atribuir a derrota para a Bélgica à falta de sorte ou ao azar. Reconheceu os acertos dos adversários, que, aliás, nos deram um nó tático no primeiro tempo, mas faltou admitir os nossos muitos erros nas quartas de final e no Mundial como um todo. Apesar da garra que não faltou.

Sim, Tite é um bom treinador, em alguns momentos já achei um ótimo treinador, aliás, mas nessa Copa decepcionou um bocado e morreu abraçado com suas apostas, algumas equivocadas, assim se mostraram.

Agora, lembremos, não dá para dizer que é o melhor do mundo ou que está entre os três melhores. Que é santo, que é Deus, que está acima do bem e do mal, que representa o Brasil que deu certo, até porque chegar sem encantar às quartas de final de uma Copa Dunga também chegou em 2010. E antes fez bela campanha nas eliminatórias também, Copa América, Copa das Confederações etc. etc. etc.

Tite, enfim, para 2022, tendo oportunidade de fazer um trabalho a longo prazo, seria um bom nome. Um nome muito bom, aliás. Mas o futebol brasileiro não depende só dele. Não mesmo. Se dependesse de um salvador da pátria, que Tite nem ninguém é, aí assim estaríamos perdidos. E talvez estejamos. Porque tem muita gente que acredita num salvador da pátria. No futebol e na política.



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