O prêmio da Seleção



Horas antes do início do jogo Brasil x México, um dirigente da CBF se vangloriava dizendo que o prêmio aos jogadores e à comissão técnica pelo título será o maior pago na história da entidade. Quase R$ 4 milhões a cada atleta, a Tite e a seus auxiliares.

Se me perguntassem o que penso disso diria que não, não se trata de grana. Não é porque o prêmio é de US$ 1 milhão, cerca de R$ 3,750 milhões, que os jogadores vão atuar com mais ou menos afinco. Não creio nisso. Até porque um título tem uma valor intangível.

Ou seja, não é mérito nenhum da CBF pagar a maior premiação da história caso o time ganhe o Mundial. Inclusive porque a entidade ganha rios de dinheiro, teve três de seus ex-presidentes acusados de corrupção, dois deles nem saem do Brasil para evitarem prisões, outro está preso em Nova York, um vexame só.

E a entidade ganha uma fortuna administrando a Seleção como se fosse propriedade de um grupelho, quando ela é ou deveria ser um patrimônio nacional. Um produto público que virou privado, quando não deveria ser assim.

O próprio Tite, excelente treinador, excelente treinador mesmo e fazendo belo trabalho na Rússia, só com propagandas para a Copa, leio, teria faturado mais de R$ 10 milhões. Trabalhando com parceiros e patrocinadores da CBF. Fora o quase R$ 1 milhão por mês que ganha, ainda segundo um dirigente da CBF, para comandar a Seleção.

E ainda conseguiu um lugar para seu filho na comissão técnica, o que, em tempos como os de hoje, que exigem mudanças e muitas mudanças na sociedade brasileira, não acho que seja a coisa mais apropriada a fazer. Ou o melhor exemplo para passar adiante.

Nem beijar Marco Polo Del Nero, como ele fez quando chegou à Seleção, beijando um dirigente, vamos lembrar, que acabaria banido do futebol por corrupção e recebimento de propina.

Tite, alias, assinara manifesto contra Del Nero, como eu também o fiz, antes de assumir a Seleção. Contra Del Nero e por mudanças na administração do futebol brasileiro, o que defendo também. Eu continuo mantendo minha posição de quando assinei tal manifesto. Tite imagino que também, mas prefere não tocar muito no assunto e focar no seu trabalho como treinador. Acho que está certo. Em focar em seu trabalho como treinador, mas errado ao evitar temas espinhosos como o do banimento de Del Nero do futebol. Às vezes temos que nos posicionar, embora ficar em cima do muro também não deixe de ser um posicionamento.

E ainda falando em premiação, claro que cada um faz com seu dinheiro o que quiser, não seria bacana que jogadores e comissão técnica destinassem o que ganharão em caso de conquista de título a projetos sociais que lhes façam sentido? Seria um belo exemplo. Mas cada um, repito, faz com seu dinheiro aquilo que achar melhor. E para que o grupo receba a premiação tem, antes de mais nada, que passar pelo México. Caso contrário, volta para casa. Cheio da grana, é verdade, pois se trata de um elenco milionário, mas eliminado. E nesse momento acho que estão todos mais interessados em jogar bola e passar pelo México do que em ganhar uns tostões a mais. Até porque tostões todos lá já têm e muitos. Mas um Mundial, não. Que venha, então, o hexa. Faltam quatro jogos, logo mais serão “só” três.



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