Seleção no divã



A Seleção segue discutindo o que se passou na estreia diante da Suíça, mas lamenta que o fator emocional tenha voltado a ser tema do dia, assim como já acontecera na Copa de 2014.

Jogadores e comissão técnica, que têm contato diário com seus familiares, têm em mãos toda a repercussão que o jogo de domingo causou no Brasil.

Gostaram e continuam gostando muito da cobertura da Globo que, segundo avaliação inicial, começou bem distinta da da Olimpíada de 2016, que deixou vários, inclusive e especialmente Neymar, indignados.

Mas existe forte preocupação na CBF com o fato de os três pilares de Tite não terem funcionado na estreia. A tal da concentração competitiva, a mentalidade forte e o preparo para todas as situações de jogo. O que se viu foi excesso de ansiedade, além de nervosismo por parte de vários jogadores e do próprio Tite, que não se comportou como em jogos anteriores.

Se a cobertura da Globo até aqui tem contentado jogadores e membros da comissão técnica, o mesmo não se pode dizer da feita por outros canais de TV aberta e também de TV fechada, excetuando-se o SporTV. Além de jornais e sites noticiosos, criticados internamente pelos atletas, que consideram ruim a cobertura de grande parte da imprensa. E, insisto, não deixam de ter certa dose de razão. Vários que antes consideravam Tite imortal e a Seleção favoritíssima mudaram de ideia e tudo o que era bom passou a ser ruim.

O jogo de sexta diante da Costa Rica pode ser um divisor de águas. Se a Seleção ganhar e convencer, enfiar 3 ou 4 a 0 nos costarriquenhos, o ufanismo pode voltar. Se tiver problemas e tropeçar, bem, a casa pode cair.

Seja qual for o resultado, porém, o clima no Brasil está péssimo. E não por conta do futebol. Economia, política e o caos social, com um governo falido e sem credibilidade, estão aí para todos verem. A Seleção… Talvez não represente mais muitos brasileiros, não só por ter 20 “estrangeiros”, 20 dos 23 convocados atuando no exterior, mas também porque o elenco bilionário vive, literalmente, num mundo à parte. Como o próprio Tite, talvez. Onipresente nos comerciais de TV com aquele discurso chato de autoajuda.

Se me perguntarem o que espero do jogo de sexta, uma vitória, claro. Até porque a equipe da Costa Rica enfrenta um momento ainda mais turbulento que o da Seleção. E a disparidade entre os dois times é grande. Mas o Brasil tem que jogar muito diferente da partida inicial. Que não foi exatamente uma tragédia, aliás. Tragédia é outra coisa. Brasileiro que não tem dinheiro suficiente para colocar comida na mesa no final do mês (e às vezes até no começo) sabe do que estou falando.



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