Vila x Pacaembu



O Santos atropelou ontem o Sporting Cristal na Vila Belmiro, mas a discussão sobre em que estádio mandar seus jogos na Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão continua.

A ideia era realizar 50% das partidas que faz em casa na Vila e 50% no Pacaembu, conforme acertado com marketing e finanças, inclusive para atingir públicos diferentes, mirando também o torcedor paulistano e contentando seus atuais e possíveis futuros parceiros comerciais. Alargando o horizonte, enfim, e aumentando as receitas.

A questão política, no entanto, tem pegado forte. Vários conselheiros de Santos dizem que o time é do litoral e não veem sentido em mandar jogos no Pacaembu, apesar de o público na capital paulista estar sendo maior do que o que tem comparecido em jogos na Vila. E como temos eleições à vista a diretoria resolveu recuar… Ontem, por exemplo, o jogo estava marcado para a Vila, mas, inclusive atendendo a pedido de jogadores e comissão técnica, seria transferido para o Pacaembu. Só não o foi porque a presidência ficou com receito de perder apoio de conselheiros que moram em Santos. E que são a base do Santos.

Atletas e membros da comissão técnica também foram aconselhados a não dizerem publicamente que preferem o Pacaembu e a elogiarem a Vila e o torcedor do litoral. O objetivo é não antagonizar com eles. E é o que passaram a fazer.

Semanas atrás, no entanto, Dorival Júnior manifestava, ainda em campo, descontentamento com um pequeno grupo de torcedores que ficava nas imediações do banco de reservas xingando-o e criticando seu trabalho, um baita desrespeito, inclusive porque se trata de um técnico bom e que faz belo trabalho em Santos. E mesmo que não fosse competente (e é) não deveria ser xingado. Educação é importante, no esporte, nas ruas, na política…

Jogadores do Peixe também foram hostilizados na Vila e em mais de uma ocasião, tanto que protestaram contra a torcida presente na hora de marcar gols.

Foram convencidos, porém, que vão atuar muitas e muitas vezes na Vila, mais do que no Pacaembu, pelas questões políticas em jogo, e que devem conquistar o torcedor do litoral. Com boas atuações e sem provocação.

Ah! Por não querer tratar diretamente da questão política em jogo a direção adotará o discurso de que a casa do Santos é mesmo a Vila, que lá não paga aluguel, que se trata de um caldeirão, que os jogadores conhecem os segredos do gramado como ninguém e que o policiamento é mais fácil, já que em São Paulo o time não pode atuar no mesmo dia e horário de Corinthians, Palmeiras e São Paulo, o que atrapalharia a logística. E que o time jogará em SP apenas vez ou outra.

Não deixa de ser verdade a argumentação oficial da direção santista, mas vale lembrar que público e faturamento das partidas no Pacaembu têm sido maiores que na Vila em 2017, atletas e comissão técnica gostaram do clima no local, marketing e finanças preferiam realizar metade dos jogos em casa na capital, mas as eleições… As eleições comandam, não? A famosa briga pelo poder. E, apesar de ter torcedores e conselheiros em São Paulo também (e não são poucos), os de Santos ainda dão as cartas.



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