O discurso do COB



Mesmo que o Brasil não consiga atingir o objetivo de ficar entre os dez melhores no quadro de medalhas o COB vai adotar o discurso de que nosso desempenho esportivo foi muito bom, obrigado.

Dirigentes de federações olímpicas próximos da cúpula do COB dizem que, caso não fiquemos entre os dez primeiros, acabaremos bem próximos do Top-10, o que já seria uma grande vitória. E que o simples fato de até aqui termos conseguido ouro em cinco modalidades diferentes significa muita coisa.

Vale lembrar que o Brasil conquistou ouro no judô, atletismo, boxe, vela e vôlei de praia. Sem falar que amanhã disputa o inédito ouro olímpico no futebol masculino. E que ainda conseguiu feitos que jamais havia alcançado, como medalhas na canoagem, as quartas de final no handebol masculino, tênis de mesa e esgrima, entre outros. Para o Comitê Olímpico do Brasil isso significa que evoluímos um bocado em diversas modalidades, o que é verdade.

Para quem diz que um Michael Phelps e um Usain Bolt da vida são até mais fortes do que um país como o Brasil, o COB irá bater na tecla de que não focamos num esporte só, mas que abrimos o leque.

Com cinco medalhas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze até a manhã de sexta, o Brasil ocupava a décima terceira colocação no ranking de medalhas (por ouro). O almejado décimo lugar estava com a Austrália, que abrigou os Jogos de 2000, e aparecia com sete ouros, dez pratas e dez medalhas de bronze, num total de 27. Para ultrapassa-la os brasileiros precisaria ganhar mais três medalhas de ouro até domingo, contanto que ela não ganhe mais nenhuma.

Considerando o total de medalhas o Brasil também vinha em décimo terceiro lugar, ao lado de Nova Zelândia e Cazaquistão. Tinha três a menos do que Coreia do Norte e Canadá, que dividiam o décimo lugar, e uma a menos do que a Holanda, a décima segunda colocada.

A questão, no entanto, como já frisaram representantes da Grécia, China e Grã-Bretanha, sedes das Olimpíadas de 2004, 2008 e 2012, respectivamente, é que, com a crise no país e os próximos Jogos não sendo mais aqui, mas no outro lado do mundo (Tóquio-2020), os investimentos, especialmente estatais, devem minguar no próximo ciclo olímpico. E o Brasil sofrer uma retração, inclusive no quadro de medalhas.

Se temos ido bem nos Jogos (e considero que temos, sim), fazendo nossa melhor campanha na história (embora seja a que mais grana teve investida, especialmente pública), estamos longe de ter nos transformado numa potência olímpica. Inclusive porque perdemos uma tremenda chance de massificar a prática esportiva no Brasil. A chance era agora, com os Jogos no nosso quintal. Mas faltou política pública. Uma pena. Ou melhor, uma lástima.



  • washington

    Esse COB está a cara do Governo, quando vê que não vai atingir uma meta da qual todos já observava ser impossível de cumprir, muda de postura.
    Quem não se lembra das Águas da BAÍA DE GUANABARA e da LAGOA.

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