Maraca à deriva



Quem quer ficar com o Maracanã? Pelo jeito, ninguém.

Aquele que já foi o principal estádio do mundo e acabou totalmente descaracterizado para a Copa de 2014 só tem dado dor de cabeça ao governo do Rio e ao consórcio que o administra.

A Odebrecht, gerente do estádio em consórcio com a AEG, que detém participação de 5%, diante de 95% da empreiteira, tem sinalizado que não tem intenção de seguir na operação.

Tem falado em altos custos fixos e prejuízos operacionais e reclamado que foi prejudicada com a Copa de 2014 e agora com a Olimpíada de 2016, que fizeram o Maracanã ficar um bom tempo parado.

Fora que em 2013, quando ganhou a concessão para comanda-lo por 35 anos, o parque aquático e o estádio de atletismo deveriam ser derrubados, o que acabou não acontecendo, por determinação do governo fluminense.

Só em custos fixos o consórcio estaria gastando pelo menos R$ 50 milhões por ano com a arena.

O governo do Rio diz não poder receber de volta o Maraca, já que está falido e não consegue pagar aposentados, policiais, manter hospitais ou escolas abertos, comprar equipamentos e remédios básicos para o sistema de saúde…

A Odebrecht, um dos principais alvos da Operação Lava-Jato, tampouco sabe o que fazer, ainda mais diante das suspeitas que recaem sobre o ex-governador do Rio Sério Cabral, acusado de receber propinas durante a reconstrução do estádio e também sob as suspeitas de que houve superfaturamento na obra. O preço final foi de R$ 1,2 bilhão, quase o triplo do projetado inicialmente.

Sem credibilidade, tenta negociar o Maracanã com empresas estrangeiras, como um grupo francês, mas de concreto até agora nada.

E com a crise político-econômica do Brasil afugentando investidores e nosso futebol em descrédito, a coisa complica ainda mais.

Flamengo e Fluminense mostraram interesse em gerir a arena, mas não têm condições financeiras de bancar sequer os custos fixos anuais. E aí fica difícil…

Uma lástima para um estádio que já foi um gigante e na última década passou quase metade do tempo parado. Inativo. Difícil de entender a cabeça de nossos dirigentes. E dos políticos também.



MaisRecentes

Nova caminhada



Continue Lendo

O desabafo de Cuca (ainda)



Continue Lendo

As críticas de Cuca



Continue Lendo