Olimpíada na crise



Diante do acirramento dos ânimos no país reproduzo abaixo para leitura de vocês coluna que publiquei no último dia 15, em espaço que ocupo todas as terças no diário LANCE!:

“Por conta dos Jogos do Rio-2016, mas também de documentários que estou ajudando a produzir no Brasil e no exterior, tenho tido contato com muitos jornalistas, economistas, cientistas políticos e ativistas de direitos humanos estrangeiros. E muito mais do que a preparação do país para receber a Olimpíada propriamente dita o que a maioria deles quer saber é como estará o Brasil em agosto, quando acontece o evento. Quem estará no governo? E o clima nas ruas? Haverá confrontos? A crise político-econômica que atravessa o país, uma das mais graves desde os anos 30 do século passado, ofuscará os Jogos? A atenção será desviada da competição esportiva para os conflitos, cada vez mais graves, entre governistas e opositores? Como a mídia irá se comportar?

São muitas as questões e, confesso, não tenho as respostas. Alguém tem? Um economista amigo meu, que trabalha numa das mais importantes empresas de consultoria do país, diz que é cobrado por clientes para dizer para onde vai nossa economia e também para que lado irá pender a política, mas que, por mais que tente fazer projeções, não tem bola de cristal. E, mesmo se tivesse, será que ela funcionaria? Os cenários são muito nebulosos…

O que consigo dizer é que confrontos nas ruas são bem prováveis e, se não for encontrada uma saída para a crise pela via institucional, eles não só devem crescer, como podemos ter caos e violência inclusive durante os Jogos, quando o Brasil será alvo de atenção mundial. Os estrangeiros, mais do que com o desempenho esportivo de cada país, algo que parece estar e está mesmo em segundo plano, querem entender melhor o que se passa no Brasil. E nós, brasileiros, também. Executivo, Legislativo e Judiciário não funcionam a contento e estamos literalmente à deriva. Como estivemos em outras épocas em que a insegurança e a arbitrariedade prevaleceram, como na ditadura militar (1964 a 1985) e no nefasto governo Fernando Collor de Mello, que confiscou o dinheiro de tantos brasileiros.

E quando se fala no Rio, a sede dos Jogos, a fraqueza do governo local também é marcante. Basta lembrar do caos no sistema de saúde pública no Estado, do clima de violência e insegurança e das precárias escolas, educação falida, o que já compromete gerações de cariocas, fluminenses, brasileiros.

É um momento de extrema dificuldade, bem diferente do que tínhamos em 2009, quando o Rio foi escolhido para receber a Olimpíada. Algo que comemorei na época, embora já soubesse que a chance de que fosse uma oportunidade jogada fora era grande. E de fato foi. Porque nem esboço de política esportiva, que deveria estar atrelada à educacional, nós montamos. E isso porque alguns acham que estamos na chamada “Pátria Educadora”. Não temos governo, não temos oposição, vivemos no salve-se quem puder.

Uma situação que fica ainda mais triste quando vamos à periferia, algo que tenho feito com frequência, inclusive para ajudar atletas de diferentes modalidades, e você sente as dificuldades na pele. Sonhos de jovens esportistas que precisam de apoio e amparo. Se os governantes não fazem sua parte, façamos nós a nossa.”



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