O mundo de Alex



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei no último dia 16 no diário LANCE!, em que escrevo na contracapa todas as terças. Segue para vocês minha indicação de leitura:

“Acabei de ler “Alex, a Biografia”, de Marcos Eduardo Neves, autor de “Nunca Houve um Homem como Heleno”, e fiquei encantado com a obra, que recomendo a quem gosta e também a quem não gosta de esporte. Porque é um livro que ultrapassa o futebol e fala sobre vida, relações humanas, parcerias, pobreza, riqueza, redenção, gratidão, ingratidão, traições e entra a fundo num universo muito complicado, o do esporte coletivo.

Alex abre o coração e expõe parte dos porões do futebol, contando histórias que muitas vezes até podemos imaginar que aconteçam e acontecem, sim, mas não conhecíamos em detalhes. E algumas que muitos nem cogitariam que ocorreram.

Da infância humilde, em que passar no teste para jogar futebol num time como o Coritiba, por exemplo, poderia significar um ônibus a mais a pegar, dinheiro que a família não tinha, Alex conta sua espetacular trajetória que o levaria ao Cruzeiro de 2003, quando teve o melhor período de sua carreira, a meu ver. Foi um ano mágico tanto para o time mineiro quanto para o jogador, um dos principais nomes da história do futebol brasileiro.

Alex não poupa palavras. E não poupa seus desafetos, como Luiz Felipe Scolari, que o deixou fora da Copa de 2002. Sentiu-se traído pelo treinador, que sinalizara várias vezes que ele estaria no Mundial e acabou deixando-o de fora da competição. Tanto que faz uma distinção entre Felipão treinador, um cara por quem nutre respeito, e Felipão como pessoa, um sujeito por quem não tem consideração, já que fez uma coisa quando teria lhe dito outra.

Com Carlos Alberto Parreira, que também o deixou de fora em 2006, a história foi diferente, já que o técnico jamais teria indicado que a presença de Alex na lista final era coisa certa. Pelo contrário, dava sinais em outro sentido.

Vanderlei Luxemburgo, que trabalhou muito com o gênio paranaense e é um técnico a quem Alex faz questão de elogiar, chega a dizer que a ausência do craque na Copa de 2002, mesmo que ela tenha sido vencida por Scolari e seus comandados, foi um crime.

Crime ou não, Alex vai revelando muita coisa que se passa no futebol, como sua transferência para o Parma, numa época em que ainda existia a famigerada lei do passe e a equipe italiana teria lhe proposto pagar parte dos 15% a que tinha direito numa offshore no Uruguai, o que poderia esfriar um dinheiro que em tese deveria ser quente. As armadilhas que a vida nos prega… E as pessoas…

Ele conta também em detalhes sua passagem pelo futebol turco, onde até hoje é considerado rei, com histórias saborosíssimas, além de confusões de vestiário, bagunças na Seleção Brasileira, para não usar palavras mais fortes, que resultaram, por exemplo, na péssima campanha nos Jogos Olímpicos de Sydney, quando passamos vexame e Alex se voltou contra a cúpula da CBF.

E no final aborda sua luta por um futebol melhor, expressa em sua importante participação na formação do Bom Senso F.C., movimento de jogadores com uma pauta bem interessante. Sinal de que a história continua…”



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