Neymar no apito



Muitos têm especulado sobre o que estaria acontecendo com Neymar, que mostrou total desequilíbrio emocional contra a Colômbia e acabou expulso. A transmissão da Globo insinuou que o processo cível e criminal que envolve sua transferência do Santos para o Barcelona e inclui não só o jogador, mas também seu pai, entre outras partes, poderia estaria interferindo no emocional do atleta. Mas acho que o problema vem de muito antes, tanto que terça, no diário LANCE!, publiquei um texto tratando do desequilíbrio do atacante contra o Peru, logo na estreia. Apesar de ter decidido o jogo para o Brasil, ele estava longe de seu eixo. E o que aconteceu contra a Colômbia não pode ser considerado surpresa. Ou foi surpresa apenas para quem olhava somente para as jogadas brilhantes de Neymar em campo e fechava os olhos para seus atos de indisciplina. É por conta de tudo isso que reproduzo, abaixo, minha coluna da última terça, véspera da partida contra a Colômbia:

“Que Neymar é um craque poucos contestam. É um tremendo jogador que tem crescido cada vez mais em campo, com um toque de bola mágico e encantador, o que não quer dizer que não possa se aprimorar. E um dos problemas da principal estrela brasileira é justamente a indisciplina, a vontade que tem de apitar as partidas, controlar a arbitragem, como se, só por ser quem é, pudesse mandar no jogo. Ditar as regras. Volta e meia toma cartão amarelo por besteira, como aconteceu anteontem na estreia do Brasil na Copa América.

Isso não vem de agora. Vem da escola brasileira, que se acha malandra e fica mais focada no juiz do que em jogar futebol. O próprio Neymar, no início de sua carreira, começou a ser chamado de cai-cai pelas simulações de falta que fazia. Daí quando era derrubado de verdade, o que muitas vezes acontecia, o árbitro eventualmente achava que não era verdade, que o atacante havia fingido. Quem ganhava com isso?

Não se trata de um problema só de Neymar, é algo disseminado no futebol brasileiro por jogadores e técnicos também. Os “professores” gostam de colocar a culpa por quase tudo o que dá errado nos juízes. Que erram, sim, mas não podem ser considerados os vilões rodada após rodada, partida após partida. Um pouco de respeito é necessário. Já cansou e muitas vezes nem tem colado mais a história de achar na arbitragem o bode expiatório para qualquer revés que aconteça.

Em vez de focar no juiz, por que não se preocupar em trabalhar mais a bola, melhorar o passe, acertar as finalizações? É algo que deveria vir da base, mas ela é muito mal trabalhada no Brasil e os atletas, desde cedo, aprendem a ser indisciplinados, como pudemos observar na Copa São Paulo de futebol júnior, com a garotada protestando direto contra a arbitragem, simulando faltas, querendo apitar a partida, provocando a torcida adversária…

Comportamentos equivocados à parte, Neymar tem que ser reverenciado pelo bolão que tem apresentado não só no Barcelona, mas também na Seleção Brasileira, que joga única e exclusivamente em função do atacante. É ele quem resolve as coisas para o Brasil e tem sido assim há muito tempo, quando a situação poderia ser diferente. Na Copa do Mundo, por exemplo, o Brasil chegou a ser, mais de uma vez, Neymar e mais dez. Não por coincidência ele ficou de fora dos históricos 7 a 1, abalando seus companheiros de equipe, que entraram estabanados e desorientados em campo. Também ficou de fora dos 3 a 0 que a Holanda aplicou no Brasil, conquistando o terceiro lugar do Mundial.

Na era Dunga a dependência de Neymar segue grande, como pudemos ver anteontem contra o Peru. Foi ele o principal responsável pela virada brasileira, marcando o primeiro gol e criando a jogada para o segundo, fora as outras chances que teve. Já é tempo de o técnico pensar em outras alternativas, porque nem sempre dá pra ganhar sozinho. Fora que a defesa tem de melhorar muito.”



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