Cerco a Traffic



Há pelo menos duas décadas muito se fala de J. Hawilla, que o empresário estaria no centro de esquemas de corrupção que atingiriam o futebol brasileiro e sul-americano, embora ele sempre negasse e tenha se saído bem durante os processos das CPIs no início da década passada, driblando o Congresso e as investigações.

Pego pela Justiça norte-americana, no entanto, o dono da bola ou do jogo, como queiram, e principal aliado da gestão Ricardo Teixeira na CBF (1989 a 2012), finalmente abriu o bico, deixando muita gente com a pulga atrás da orelha.

O Departamento de Justiça norte-americano o acusa de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução das investigações. E o empresário, que não pode sair dos Estados Unidos, sucumbiu e virou réu confesso. Só lá terá que pagar quase R$ 500 milhões. Devolver dinheiro que teria recebido ilegalmente.

O caso, porém, deve crescer no Brasil, já que a Traffic segue forte no país e não devolveu um centavo de suas operações, hoje na berlinda, ao contrário do que está fazendo nos Estados Unidos, onde também atuava.

Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público devem fazer uma devassa nas operações do grupo Traffic, com sede nos Jardins, bairro nobre paulistano, nos próximos dias e semanas. Esperamos que tenham o mesmo sucesso que a Justiça norte-americana.

Vale lembrar que o grupo de J. Hawilla detinha os direitos de comercialização da Libertadores e negociava a transmissão do torneio com emissoras de TV, é dono de passes de jogadores, caso de Conca e Hernanes, de time em Portugal e de um centro exportador de atletas no interior de São Paulo, faria a venda dos camarotes do Allianz Parque e é proprietário da TV TEM, afiliada à Rede Globo.

Muitos negócios, muita gente envolvida? É o que suspeita a Justiça norte-americana, que pela delação de Hawilla, chegou a José Maria Marin, preso ontem na Suíça.

O empresário, que tinha exclusividade na venda dos direitos internacionais de TV da Copa-2014, revelou pelo menos parte do esquema de pagamentos de propina para comercialização de contratos de marketing e TV de torneios como Copa América e Libertadores. E revelou ainda pagamento de propina no negócio de uma empresa de marketing esportivo com a Seleção Brasileira, alvo de uma CPI na Câmara que terminou em pizza. Precisa dizer qual é? A gigante de marketing nega e diz colaborar com as investigações…

Ricardo Teixeira, amigo de Hawilla e ciente da delação nos Estados Unidos, há pelo menos um semestre preparou mudança para o Uruguai, onde espera encontrar refúgio seguro.

Mas, como disseram os norte-americanos, a história está apenas começando e muita gente deve explicações, como Marco Polo Del Nero, vice mais velho e principal aliado de Marin em sua curta e trágica passagem como presidente da CBF, e Joseph Blatter, que segundo a imprensa inglesa não pode deixar a Suíça.

Se a corrupção na Fifa data pelo menos de 1991 pra cá, como dizem os americanos, Blatter, se não sabia de nada, é no mínimo um tremendo de um competente. Foi secretário-geral até 1998, quando João Havelange deixou a presidência e ele próprio assumiu o trono. Não tem condições de continuar na entidade, que alguns já chamam de a máfia do futebol. Mas Blatter prefere simplesmente “a família do futebol”.



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