A prisão de Marin



José Maria Marin, que foi preso hoje em Zurique, na Suíça, com outros dirigentes da Fifa, virou um dos alvos da investigação do FBI em 2012, quando assumiu a presidência do Comitê Organizador da Copa no Brasil.

Suas transações financeiras e imobiliárias nos Estados Unidos, onde teria um apartamento de luxo na Quinta Avenida, foram vasculhadas pela Justiça norte-americana, que pediu sua extradição para o país. Entre as acusações estão extorsão, recebimento de propina e colaboração com as práticas ilegais da Fifa cometidas nas duas últimas décadas.

As investigações começaram após a escolha do Qatar como sede da Copa de 2022. O país árabe ganhou a eleição, superando os Estados Unidos, com suspeita de compra de votos e ainda pode perder o direito de ficar com a competição, embora a Fifa insista que não.

Apesar de o presidente Joseph Blatter e o secretário-geral Jérôme Valcke terem saído “ilesos” dessa etapa da investigação, contratos de marketing e de transmissão de jogos de Copas do Mundo e outros torneios organizados pela Fifa estão na berlinda, o que pode afetar a dupla. Blatter, afinal, comanda a entidade desde 1998.

No final do ano passado o empresário J. Hawilla, principal parceiro da CBF nos tempos de Ricardo Teixeira, que comandou a confederação por mais de duas décadas, teria aceitado devolver à Justiça dos Estados Unidos quase R$ 500 milhões de corrupção envolvendo o futebol, contratos de marketing e transmissão.

No Brasil ele foi um dos alvos das CPIs do futebol no início da década passada, mas acabou saindo ileso, assim como os demais acusados.

Segundo pessoas próximas de Hawilla, que estaria espalhando que sofre de câncer há dois anos e se desfazendo de seus negócios, foi ele quem denunciou Marin à Justiça norte-americana.

Ao mesmo tempo em que o Departamento de Justiça de Nova York espera os acusados para processa-los nos Estados Unidos, uma outra investigação segue em curso. E diz respeito à manipulação de resultados e ao mercado de apostas ilegais que têm minado há algum tempo a credibilidade do futebol.

Marin, vale lembrar, é político das antigas, ligado à ditadura militar. Ultimamente estava próximo do PSDB e apoiou Aécio Neves à presidência da República. Suas relações com a presidente Dilma Rousseff sempre foram de mal a pior.

Atualmente é o vice mais velho da CBF, que passou a ser presidida por Marco Polo Del Nero, vice do próprio Marin quando ele assumiu o lugar de Ricardo Teixeira.

Marin estava na Suíça para as eleições presidenciais da Fifa, marcadas para sexta-feira. Blatter é candidato mais uma vez, sonhando em ficar mais de duas décadas no poder. O resultado estamos vendo aí. Vemos, aliás, desde os tempos de João Havelange (1974-1998), de quem o próprio Blatter foi secretário-geral. Precisa dizer mais?

E o torcedor, ó, pobre iludido. Quem nos roubou o jogo tem que pagar por isso, não?

Aguardemos os próximos passos, pois os norte-americanos não digeriram a suspeita derrota para o Qatar e querem a Copa de 2022. Foram brigar com cachorro grande, deu no que deu. Com um detalhe: na época da votação quem estava no comitê da Fifa era Ricardo Teixeira, que depois se afastou do futebol atolado por denúncias de corrupção. Em seu lugar entrou Marin, que já era seu vice mais velho e um dos representantes da CBF.



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