Padaria fechada



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre movimento na Portuguesa para o time encerrar atividades no futebol profissional, algo complicado, embora, na prática, a Lusa já tenha se transformado em América-RJ, Bangu e Guarani, que hoje nem figurantes chegam a ser. No final coloco três observações sobre a medida provisória do governo renegociando as dívidas dos clubes:

Por João Carlos Assumpção

“Na semana retrasada recebi em meu apartamento dois estudantes de jornalismo que preparam um programa para uma emissora de rádio sobre a Portuguesa. Conversamos sobre o caos que impera no Canindé e o futuro do clube, em xeque desde que foi rebaixado para a Série B do Brasileirão, nos fins de 2013.

A situação é complicadíssima e na semana passada até comentei que está em discussão o encerramento das atividades da Lusa no futebol profissional. É o que querem alguns conselheiros e grupos de torcedores que deixaram de acompanhar o time em protesto contra a última gestão, que foi comandada por Ilídio Lico, e a anterior, que tinha como presidente Manuel da Lupa. Certamente as duas piores da história quase centenária da Portuguesa.

A ideia é que, como o clube não tem recursos para manter um time profissional, abandone as atividades no setor, fazendo apenas um trabalho de base e nada mais. É um movimento que veio crescendo e ganha força no Canindé. Uma saída honrosa e uma forma de protesto pelo que aconteceu em 2013, aquele episódio nebuloso que levou a Lusa à Série B.

O sentimento do torcedor da Portuguesa, um misto de revolta, indignação e descrença, já havia sido retratado pelo curta “O Fado da Bola”, do produtor Cristiano Fukuyama e do jornalista Luiz Nascimento, lançado no início do ano. Ele mostra o distanciamento da torcida em relação ao clube depois da queda de 2013. Para quem não se lembra, a Lusa foi rebaixada no tapetão por escalação de um jogador irregular nos minutos finais de partida que pra ela podia ser considerada um amistoso de luxo. Depois disso, os torcedores, dos mais ilustres aos mais comuns, perderam a vontade de acompanhar a Lusa até que fique claro o que aconteceu em dezembro de 2013. O que, convenhamos, dificilmente ocorrerá. Apesar de o Ministério Público ver indícios de suborno no imbróglio, a quem interessa esclarecer o que se passou e ver um time sem torcida na Série A do Brasileirão? Não se trata de Corinthians ou Flamengo, mas da Portuguesa, ora pois!

E agora o time nem na Série B mais está, já que conseguiu cair, dessa vez em campo, para a Série C no Brasileiro e no Paulista vai capengando, com reclamações de meses e meses de salários atrasados, externadas inclusive por Valdomiro, zagueiro que acompanhou todo o drama do time em 2013.

Nem o apoio daquelas centenas de torcedores que iam ao Canindé a Lusa hoje tem. Sua galera desconfia do subterrâneo do futebol e perdeu a vontade de seguir a equipe, sem falar que nem sabe onde ela vai atuar, se irá mandar jogo em Bragança Paulista, Barueri ou Pacaembu, já que o Canindé nesse início de ano estava fechado.

A situação, trágica, ganha ares cômicos, com o mascote, como já relatei, atuando de gandula, o programa de sócio-torcedor ainda no ano passado contando nos dedos o número de associados pagantes e atletas levando marmita de casa para encher a pança. Falta apenas fechar o caixão, não?”

* A medida provisória: O governo acertou ao exigir contrapartidas dos clubes para refinanciar suas dívidas, que chegavam a R$ 4 bilhões, por um período de 20 anos. Mas resta saber o que irá ocorrer no Congresso Nacional, já que o lobby da bola é grande e a CBF parece que não ficou lá muito satisfeita com o texto final. Não aceita, por exemplo, limitação de mandato em entidades caso da própria confederação;

* Reação da Fifa: O presidente Joseph Blatter foi claro ao pedir que os governos “deixem o esporte em paz”. E ameaça até fazer uma intervenção caso a CBF resolva pedir ajuda para a entidade que administra o futebol mundial. Vale lembrar que Blatter não é muito fã de Dilma Rousseff desde os tempos de preparação para a Copa do ano passado, mas quem deve deixar o futebol em paz é o próprio dirigente suíço;

* Interferência?: Não consigo ver onde os dirigentes acham que o governo brasileiro interferiu no esporte de maneira indevida. O Estado, afinal, era credor dos clubes de futebol e arrumou uma maneira de tentar receber pelo menos parte do que tinha direito num período de 20 anos. Tinha que se proteger mesmo e exigir contrapartidas, uma das bandeiras do Bom Senso F.C., que saiu fortalecido com a medida.



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