Ganso na berlinda



Continuam dando o que falar as declarações de Paulo Henrique Ganso sobre a arbitragem no clássico de quarta contra o Corinthians.

O meia, que deve ser processado pelo juiz Ricardo Marques Ribeiro, também terá que se explicar na Justiça desportiva e provocou a ira de Serginho Chulapa, ex-ídolo tricolor, e da própria diretoria são-paulina, que terá uma conversa exigindo moderação a partir de agora.

Após o jogo de quarta, pela Libertadores, Ganso disse que o árbitro deveria sair do estádio de “camburão” e que “aquilo não foi erro, foi roubo”, referindo-se ao fato de o juiz não ter marcado falta em lance em que Emerson empurra Bruno antes do segundo gol corintiano.

Ganso também detonou a diretoria tricolor, reclamando que desde o começo falou para ela trazer um juiz de fora, o que não ocorreu. “Lógico que se apitar juiz do futebol brasileiro ia puxar para o Corinthians”, protestou.

A declaração pegou mal entre cartolas do Morumbi, para os quais o meia quis responsabiliza-los pela derrota, quando estariam dando todas as condições para o time jogar bem, o que não aconteceu quarta. A direção vai dar um puxão de orelha em Ganso e exigir que, a partir de agora, atletas e comissão técnica assumam suas responsabilidades nas derrotas.

A avaliação da diretoria tricolor, com a qual concordo, é que a equipe não jogou nada contra o Corinthians e mereceu a derrota. E, apesar de também ter ficado irritada com o lance do segundo gol e com o juiz, ela acha que quem tem que se explicar são eles, jogadores, e não ela, diretoria.

Para piorar um pouco mais, o ex-atacante Serginho também se aborreceu com Ganso ao ver seu nome mencionado no episódio. Para Ganso, “se fosse o Serginho Chulapa ia no vestiário bater nele (juiz), mas, como isso não pode mais no futebol, o que o juiz fez foi palhaçada mesmo.” Como se em outras épocas fosse permitido bater em árbitro…

Ganso foi infeliz mesmo e, mais do que isso, irresponsável. Podem dizer que falou de cabeça quente, mas deve um pedido público de desculpas. A todos os citados. Mais do que isso, tem que voltar a jogar bola, assim como seus companheiros, anulados na última quarta.

Às vezes é mais fácil procurar inimigos externos que olhar para o próprio umbigo, como parece ter sido o caso do meia, que extrapolou após o fiasco. O juiz errou no segundo gol? Sim. Mas no primeiro quem falhou feio foram meio-campo e defesa são-paulina. E no jogo o Tricolor nem ameaçou o rival…

Muricy Ramalho, que costuma dizer que “aqui é trabalho”, ainda precisa mostrar a que veio. Ter “livrado” o time da degola do Brasileiro de 2013 é muito pouco para um técnico tão bem remunerado como ele. Ok que ano passado teve o mérito de classificar o time para a Libertadores de 2015, mas ficou a desejar no Paulistinha, na Copa do Brasil e na Sul-Americana e não vimos um grande futebol do Tricolor. Que pode jogar bem mais com o grupo que tem.

Ano passado não conseguiu acertar um esquema tático decente para o São Paulo e esse ano, pelo jeito, vai pelo mesmo caminho. Pode golear um frágil Bragantino pelo Paulista, mas na Libertadores o São Paulo tem que jogar mais que na última quarta. Jogadores e elenco pra isso o time tem. Falta liga. Ainda deve um grande futebol. Alegre, bonito, envolvente.



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