Eleições corintianas



Se o Brasil viveu uma semana importantíssima, com o país dividido e mobilizado, conhecendo ontem sua presidente por mais quatro anos, o Corinthians começa a focar na sua própria eleição, que acontece em fevereiro do ano que vem.

Ao contrário das anteriores, deve ser um pleito complicado e acirrado, pois os dois candidatos aparecem com chances.

Roberto de Andrade tem o apoio do atual presidente, Mario Gobbi e, pelo menos em tese, o do anterior, Andrés Sanchez, eleito deputado federal pelo PT-SP. Mas Paulo Garcia, candidato de oposição, contabiliza o apoio de um bom grupo de conselheiros vindos da situação. E espera mais.

Garcia conta que ajudou muito na campanha de Andrés a deputado e que o ex-presidente, que teve suas desavenças com a gestão de Gobbi, tem deixado livres seus mais fiéis conselheiros a votarem na oposição. Aposta nisso para se tornar presidente, focando sua campanha na situação financeira do clube, que não é das melhores, e na campanha do time em 2014, que também deixou a desejar.

Já o candidato da situação tem dito que detém a maioria dos votos e que a ideia é sacudir o futebol no ano que vem. Um nome forte para dirigir o Timão entre seus correligionários é o de Tite. E espera ainda trazer um atacante e um meio-campista de peso, a fim de melhorar o poder de criação do time e sua força ofensiva, que é pequena. O calcanhar de Aquiles, no entanto, será a parte financeira, que anda complicada com o clube gastando mais do que tem.

Outra situação a resolver é a do estádio, cujos naming rights eram para terem sido vendidos até fevereiro de 2012 e até agora nada.

Enfim, que a eleição transcorra bem, embora, a meu ver, o Corinthians deveria repensar o período de sua realização para pleitos futuros, já que dezembro e não fevereiro é um período mais apropriado, pois o segundo atrapalha a preparação do time para a nova temporada.

Para encerrar, já que tocamos em eleições, que a presidente Dilma Rousseff faça um segundo mandato melhor que o primeiro. Acho que tem condições para isso. E tem a obrigação de acenar para aqueles que não votarem nela numa campanha marcada pelo ódio de parte a parte.

Sei que muitos que votaram na oposição se sentem como após os 7 a 1 da Alemanha no Brasil, alguns bairros nobres foram dormir e começam a acordar de luto, mas quem votou na presidente teve seus motivos, que devem ser respeitados. Inclusive o trabalho voltado às classes menos favorecidas, um dos papéis do governo, aliás, e que não votaram por acaso na atual mandatária do país.

No esporte, área em que Dilma deixou a desejar no primeiro mandato, apesar do sucesso que acabou sendo a Copa do Mundo (mas a conta…), espero que haja mudanças e pressão para a CBF, o COB e os clubes mudarem sua forma de gestão. Inclusive porque as agremiações devem fortunas ao governo, o COB vive de recursos públicos e a CBF, cujo presidente apoiou a candidatura Aécio Neves, administra um dos maiores patrimônios nacionais como se fosse bem particular, dominado por um grupinho, quando não deveria ser assim.

E que o governo ajude e participe, nem que seja em discussões, também do trabalho de base, de formação de jogadores, porque ele é fundamental também para o processo de inclusão social que tanto defendo.

Enfim, boa sorte ao Brasil e um bom segundo mandato à presidente. Mais calma a todos os lados, mais diálogo, menos rancor. Como diria Luiz Felipe Scolari, vida que segue. E melhor, espero.



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