Os fantasmas da Lusa



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre a Portuguesa e a incompetência de seus dirigentes que simplesmente destruíram o clube do Canindé:

“Antes da Copa do Mundo escrevi um artigo intitulado “O enterro da Lusa”, tratando da destruição e do assassinato do time do Canindé. Naquela altura cheguei a dizer que a Portuguesa apresentava futebol de Série Z, pois estava fadada a um novo rebaixamento, como pior equipe da Série B. Não deu outra. Está na lanterninha da Segunda Divisão e ano que vem, a não ser que aconteça um milagre, terá que disputar a Série C.

Claro que muitos podem seguir responsabilizando o STJD, aquele rebaixamento nebuloso em dezembro do ano passado, mas a questão é muito mais abrangente. Um clube que tem dirigentes como Manuel da Lupa e Ilídio Lico merece cair, cair e cair. Porque haja incompetência. Especialmente interna.

Continuo perguntando, inclusive para o Ministério Público, a quantas andam as investigações sobre a escalação de Héverton nos minutos finais do jogo contra o Grêmio que culminou com a queda do time nos tribunais para a Série B. E nada. Se havia indício de suborno, quem pagou, quem recebeu? Quem comunicava o técnico sobre que atleta poderia ou não jogar? Que pessoas foram ouvidas? Que dados foram cruzados? O que se passou naquele fatídico final de semana? Mas o silêncio não é só do MP, é da própria Lusa, que não quis levar as investigações internas adiante talvez com medo de ferir A ou B.

E o presidente Ilídio Lico, marcado pela fraqueza e profunda indecisão na hora de tomar qualquer atitude, segue aumentando o tamanho e a profundidade da cova da Lusa. Para demitir um treinador, algo que virou rotina na atual temporada, consulta dezenas de conselheiros e palpiteiros de plantão. Como se o problema fosse o técnico. Não é. É a direção do clube…

O medo que tem de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero é tanto que o presidente recuou na briga contra a CBF, abaixou a cabeça e ficou choramingando pelos cantos, como se alguém fosse se apiedar da Portuguesa e socorre-la da forma que for. Não vai. Não adianta ficar lamentando que, em 2013, recebeu cerca de R$ 18 milhões de cotas de TV e ano que vem não ganhará nem 5% do valor na Série C. Queria o quê? Não dá para aguentar as lamúrias de um presidente que não sabe o que fazer. Se não tinha condições de assumir o posto que não se candidatasse…

Futebol também é negócio e a Portuguesa não tem planejamento nenhum. E o pior é que teve oportunidades para se associar a outra agremiação, quitar parte da dívida, que não para de subir, usando o Canindé como trunfo na parceria (não para venda), mas em nome da tradição Ilídio coça a cabeça e prefere não conversar.

O clube perdeu o histórico de investir na base, revelar jogadores, trouxe quase 50 para “testar” para a temporada de 2014 e até agora nem um esboço de equipe conseguiu montar. Era a típica tragédia anunciada. E um retrato do futebol brasileiro, marcado por dirigentes que assassinam os clubes que “comandam”.”



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