A luta de Paulo André



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei no diário LANCE! na última terça sobre a batalha do zagueiro Paulo André e do movimento Bom Senso F.C. por um futebol melhor e uma CBF democrática, seguida de três observações no final:

“Tenho mantido contato com Paulo André, uma das principais lideranças do Bom Senso F.C., e concordo com ele que a CBF e o futebol brasileiro não podem seguir como estão. A confederação é gerida por um grupo que se considera dono da Seleção, um dos principais patrimônios públicos do Brasil. Ela precisa passar por um processo de democratização. Como diz o zagueiro, Democracia Já!

Um dos caminhos para chegarmos a ela passa pelo governo e pelos clubes brasileiros, que deveriam lutar contra um sistema que os deixou em situação pré-falimentar, tanto que estão, pela enésima vez, de pires nas mãos pedindo socorro e o refinanciamento de suas dívidas à custa dos contribuintes. Sim, às nossas custas.

O que o governo poderia e deveria fazer? Exigir contrapartidas importantes dos clubes. Uma delas é que eles forçassem a CBF a mudar sua estrutura de funcionamento. Ampliando o colégio eleitoral, com participação de jogadores, técnicos e membros da sociedade civil, limitando o mandato de dirigentes e permitindo a tão necessária rotatividade de poder, entre tantas outras coisas fundamentais para a reformulação do futebol brasileiro.

Não tem sentido o governo (e me refiro não só ao Poder Executivo, ao Legislativo também) abaixar novamente a cabeça, estimulando os clubes a continuar geridos como hoje. Sem profissionalismo e responsabilização de seus dirigentes, que fazem das agremiações o que bem entendem.

Como me disse Paulo André, “a democratização, capaz de oxigenar as estruturas de poder e tornar as entidades mais técnicas e menos políticas, só ocorrerá pela boa vontade dos 47 membros com direito a voto (27 federações e os 20 clubes da Série A) ou por uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que alterasse artigo que impede interferência (ou intervenção) nas entidades que administram o desporto”.

Ele lembra que tem “apoio das atletas do futebol feminino, cuja modalidade está jogada às traças, dos jogadores do Beach Soccer, 13 vezes campeões do mundo, mesmo trabalhando por cachê, sem calendário nem emprego fixo, de executivos do futebol e dos atletas”. E pergunta o que precisa acontecer mais no futebol para atestar a incompetência do modelo vigente. É o questionamento que também faço.

O Bom Senso já apresentou uma proposta de mudança de calendário com um mínimo de 36 jogos por ano para cada equipe profissional do país, que foi simplesmente ignorado pela CBF, além de um modelo de punição escalonado para os clubes se adequarem ao chamado Jogo Limpo Financeiro.

São sugestões que devem ser debatidas, aperfeiçoadas, levadas em consideração, não colocadas no lixo como muitos dirigentes preferem fazer. Porque o atual modelo faliu.

E não venham me dizer que fomos pentacampeões mundiais por causa dos cartolas porque essa história não dá para engolir. Fomos campeões apesar deles.

A CBF debocha do povo brasileiro. José Maria Marin, aquele que dizia que iria para o inferno se perdesse a Copa no Brasil, não toca mais no assunto. E perdeu levando de sete, a maior derrota da história centenária da Seleção. É hora de tomarmos partido. E exigir mudanças.”

* Fiscalização: Não sou a favor de uma estatização da CBF e sei que a Fifa condena intervenção do governo no futebol, mas a confederação não pode seguir gerida como hoje. Precisa de controle externo, afinal faz o que quer com a Seleção, que usa as cores, bandeira e hino do Brasil, e a deprecia cada vez mais. Jogou-a ao ridículo nos dois últimos jogos da Copa, desvalorizando-a e tornando-a alvo de deboche. Não dá mais;

* Brasileirão: A CBF já deu provas também de que não consegue organizar campeonatos, vide os que vemos decididos no tapetão por desorganização da entidade. O nível dos jogos é ruim e o público nos estádios, pequeno, perdendo feio, inclusive, para a Major League Soccer, a liga norte-americana de futebol. Mas não chegamos ao fundo do poço, como costumo dizer, pois os dirigentes não param de cavar;

* Mauro Silva: Triste a notícia de que o primeiro auxiliar-técnico pontual de Dunga tem uma empresa que realiza intermediação de direitos federativos entre clubes e jogadores, o que pode configurar conflito de interesse com seu novo cargo. Preferia aquele Mauro Silva que dizia que a CBF é um brinquedo nas mãos de meia dúzia, o que de fato é, ao que resolveu se aliar a José Maria Marin e Gilmar Rinaldi.



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