O boné e o inferno



Quer dizer que a reforma do futebol brasileiro, para a CBF, passa por Alexandre Gallo e Gilmar Rinaldi?

Muito triste a coletiva dos dois, ao lado de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, agindo como se fôssemos imbecis.

Marin chegou a dizer que a Copa de 2014 é página virada e que tudo o que tinha que ser dito sobre ela já o foi por Luiz Felipe Scolari. Não é verdade. Há muita coisa a ser explicada. E a CBF tem que assumir sua responsabilidade pelo atual estágio do futebol brasileiro. Que é enorme. Trata o fracasso no Mundial como se não tivesse nenhuma relação com ele.

José Maria Marin dizia que iria para o inferno se perdesse a Copa. Perdeu e tem em seu currículo como presidente a pior derrota do Brasil em cem anos de história da Seleção.

Acha que com Gallo e Gilmar os problemas serão resolvidos? É essa a nova era em que acredita? Com todo respeito, Gallo e Gilmar Rinaldi?

Gallo, vale lembrar, dizia estar muito afinado com Luiz Felipe Scolari e era um de seus dois observadores na Copa. Felipão já admitiu que não imaginava que havia seleções tão fortes no torneio, como a Alemanha. Será que Gallo não observou direito nossos rivais? Age como se não tivesse relação nenhuma com o Mundial!!!

A diferença entre ele e Felipão é que não toma uma decisão sem consultar a direção da CBF. E isso pesa para um político como Marin.

Não dá pra dizer que temos um projeto olímpico, porque ele não existe.

Há um discurso vago de uma nova visão e uma nova forma de trabalhar. Indiretas a Scolari, que não teria estudado, nem se atualizado, mas faltaram explicações da presidência da CBF do porquê de ele ter sido o técnico do Brasil na Copa se estaria tão defasado assim.

A CBF trata Felipão como se não fosse problema dela e faz do técnico o grande bode expiatório do fiasco no Mundial.

Gilmar, novo coordenador, ficou conhecido por trabalhar como agente de futebol por mais de uma década. Não sei até que ponto as alianças que fez como empresário vão atrapalhar sua função, inclusive porque as ações dos agentes, que tantos jogadores tiram de nossas bases, têm sido alvo de muitas críticas dos clubes. E não dá pra dizer que os clubes estejam errados, não.

Fora que ele deve explicações. Quais jogadores ainda representava? Afinal disse que mandou mensagem para os que trabalhavam com ele algumas horas atrás encerrando os “vínculos”. Acabou o trabalho por e-mail? É esse o exemplo que deixa? E quais suas credenciais para assumir o cargo? Ter sido goleiro? Ou justamente ter sido agente, que foi o que fez de sua carreira após deixar os gramados?

E que coisa! Já saiu criticando a Seleção que perdeu para a Alemanha por usar um boné com a inscrição “Força, Neymar”. Acha que deveria ser “Força, Bernard”. Se foi isso o que o incomodou, sem palavras.

Mas com Gilmar e Gallo certamente bonés, anéis, brincos e tatuagens vão ser assunto da moda. Podem esperar. Têm o mesmo perfil conservador de Marin, que segue achando que não precisamos nem podemos ter um técnico estrangeiro. Afinal, para eles, seguimos sendo os melhores do mundo. Triste futebol brasileiro. Meu Deus! Estamos no inferno!



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