A mídia e a Seleção



Tenho dito que o vexame da Seleção, que colheu seu pior resultado em cem anos de história, tem vários pais, várias mães, embora ninguém queira assumir sua parcela de responsabilidade.

É uma ocasião para repensarmos nosso futebol e começarmos a mexer em sua base, na estrutura, enfim, pois a Copa nos trouxe várias lições.

O pior é perder e não aprender nada com os erros, um problema que ficou evidenciado nas coletivas de Luiz Felipe Scolari, que me decepcionou mais por seu discurso pós-desastre contra a Alemanha do que por sua atuação na partida em si.

É uma chance para a imprensa também fazer uma autocrítica. Porque apenas bater é fácil.

Um de nossos grandes problemas continua sendo o imediatismo. Já li, por exemplo, receitas para que vençamos a Copa de 2018, na Rússia, como se isso fosse possível. Apresentar receitas para ganhar um Mundial, digo.

Não há fórmulas prontas, há caminhos, tentativas, estratégias, que podem ou não dar certo. E não temos que pensar apenas em ganhar, ganhar, ganhar, como se, só por sermos brasileiros, tivéssemos a obrigação de vencer cada Mundial.

Entrar com a obrigação de ganhar em casa, o tal ganhar ou ganhar, foi um erro. E um erro enorme. Porque éramos obrigados a jogar bem, bonito, fazer um grande Mundial, mesmo que de repente não chegássemos entre os quatro. Pelo menos pensava e continuo pensando assim.

Em 1982 não ganhamos, em 1986 tampouco, mas lembro daquelas seleções, que nem entre os quatro melhores ficaram, com enorme carinho.
Em 1990 e 2006 tampouco ganhamos, mas dessas equipes já não sinto saudades. Muita briga por dinheiro, patrocínio, festas, grupos rachados… Agora pelo menos tivemos um time comprometido. À sua maneira, mas comprometido.

Para 2018 temos que pensar, em primeiro lugar, na vaga para o Mundial, porque jogando essa bolinha podemos nem chegar à Copa. Temos de ter humildade. Reconhecer que vivemos um momento complicado e há seleções melhores que a nossa. Ou pelo menos jogando muito mais bola que a nossa. E ver, desses jogadores, quais podem ser aproveitados para o futuro, pois não podemos descartar quase todo mundo. Quando saiu a convocação, ela foi quase unânime. Errou só Felipão ou erramos juntos também? Ficam minha pergunta e minha dúvida. Um momento pra repensarmos muita coisa. Muita coisa mesmo.



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