Não somos alemães



Já cansou o papo de que temos de copiar o modelo alemão, como se fosse o único que existisse e a solução para todas as mazelas de nosso futebol. Não é.

Fora que não é factível importarmos tudo o que a federação alemã fez para melhorar o futebol de seu país, já que vivemos em realidades totalmente diferentes.

Há dois dias um senhor veio comentar comigo que a Alemanha ganhou 103 vezes o prêmio Nobel, nós, zero. Como se, por conta disso, fosse impossível a vencermos no futebol. Não era. Tanto que Gana empatou com eles e ainda marcou dois gols e a Argélia por pouca não os elimina da Copa, levando o jogo até a prorrogação e dando-lhes tremendo sufoco no final.

Claro que o que a Alemanha fez a partir do momento em que soube que seria a sede da Copa de 2006 foi bárbaro. Estive lá e vi o legado esportivo que deixaram, com mais de 250 campos de treinamento e um trabalho de base de primeira.

Há muitos pais que atuam como voluntários e professores muito bem preparados que ganham mais de 10 mil reais mensais para ensinar a garotada, ajudar a formar cidadãos e achar novos talentos. Mas nossa realidade é outra. Mal temos professores, médicos e policiais para atuar em condições mínimas nos campos de educação, saúde e segurança pública.

Claro que temos de nos mexer e mudar a estrutura do nosso futebol. A começar pela CBF, uma entidade milionária e que nem consegue disponibilizar por internet para os dois times, árbitros e torcidas quem tem e quem não tem condição de jogo… E isso no principal campeonato do país, que anda jogado às traças.

Mas achar que devemos ser a Alemanha, não. Temos de continuar sendo o Brasil e conciliar nossas características (e qualidades, pois também as temos) com o que há de bom lá fora. E não só na Alemanha, não.

Mexamo-nos. A começar por rediscutir o modo de a CBF funcionar. Ela não pode continuar administrando a Seleção e o futebol brasileiro dessa maneira. A Seleção é um patrimônio público e não deveria ser tratado como propriedade de um pequeno grupo que não quer largar o osso. Governo e sociedade civil, quer queira a Fifa, quer não, têm de se mexer. E o mais rapidamente possível.



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