A lição alemã



Não vou tratar aqui do tsunami que atingiu a Seleção nem do trabalho de base, trabalho de médio e longo prazo que a Alemanha tem feito no futebol. E o Brasil e a CBF, não. Mas quero lembrar, mais uma vez, a postura dos alemães. Foi sensacional.

Eles souberam ganhar (e bem), fizeram cinco no primeiro tempo, dois no segundo, poderiam ter marcado dez ou até mais, mas ainda assim respeitaram os brasileiros.

Em nenhum momento provocaram, debocharam, tentaram firulas, nada. Foram extremamente respeitosos. Entenderam a dor da torcida e dos jogadores adversários, os anfitriões da Copa. Como tenho dito, saber ganhar também é uma arte.

Nas entrevistas, como pudemos observar durante o Mundial, sempre foram extremamente educados, mesmo quando criticados após a difícil vitória contra a Argélia, conseguida na prorrogação.

Educação e humildade não fazem mal a ninguém. Arrogância e soberba, sim. E talvez tenham sido dois pecados dos brasileiros. Não dos jogadores, que estão de parabéns pelo comprometimento que tiveram, mas da cartolagem e de parte da comissão técnica, que diziam que estávamos com uma mão na taça em claro menosprezo aos adversários. Carlos Alberto Parreira e José Maria Marin que o digam. Talvez um esteja com a mão na taça de vinho, o outro, na de whisky, não sei. Na de campeão do mundo, pelo menos em 2014, não. Mas vida que segue, vida que segue… E muita reflexão pela frente. Muita mesmo.



  • Mario

    concordo e foram sempre muito simpáticos , video do Neuer e do schweinsteiger cantando bahia foi demais , quebrou o gelo com o povo brasileiro.

    • janca

      Foram muito simpáticos mesmo. E pegam a Argentina na final. Que passou por uma Holanda hoje bem aquém do que eu esperava. Legal o Romero reconhecendo que foi herói do jogo contando com a sorte. Poucos admitem isso.

  • nat

    A arrogância da dupla Felipão-Parreira, que também é comum aos ultrapassados técnicos aqui do Brasil, certamente não explicam o 7×1 mas é mais um componente negativo. Parabéns a Alemanha pelo futebol bem jogado e inspirado no futebol arte que um dia praticamos. Merecem parabéns também pela elegância e respeito que sempre demonstraram fora de campo. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Admiro a Alemanha es espero que o Brasil aprenda um pouco com eles dentro e fora de campo.

    • janca

      A coletiva de ontem foi uma tremenda decepção. De um lado pelo menos eles mostraram a cara, apareceram, deram satisfações, o que José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, por exemplo, não fizeram. De outro tentaram defender o trabalho feito, apresentaram números, isso e aquilo, mas nada que explique os 7 a 1 para a Alemanha. E concordo que um pouco de humildade, educação e respeito não faz mal a ninguém. A Alemanha, nesse sentido, nos deu uma aula anteontem.

  • lm_ rj

    Não copa mais superfaturada da história, realizada em certa republiqueta das bananas, A argentina será a campeã.
    E fará por merecer a seguinte sentença:
    ” É impressionante a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer.”
    Caetano veloso

  • HECK_BR

    ACHEI ENGRAÇADO A MINHA REAÇÃO. CONTRA O CHILE FIQUEI MUITO NERVOSO. CONTRA A COLÔMBIA TAMBÉM FIQUEI COM O MESMO SENTIMENTO. CONTRA A ALEMANHA NÃO TIVE SENTIMENTO ALGUM. NEM DOR, MUITO MENOS RAIVA, SEM FRUSTRAÇÃO… NADA. ESSA EMOÇÃO NÃO ME LEVA A NADA. TENHO DESCENDÊNCIA ALEMÃ, MAS MUITO LONGE DE MIM FICAR FELIZ PELA DERROTA DO BRASIL. MAS ME OBRIGOU A PENSAR EM QUAIS SAÍDAS TERÍAMOS EM UM JOGO DESTE, EM UMA COPA AQUI NO MEU PAÍS. A CONCORDÂNCIA COM A LISTA DE FELIPÃO PARA A COPA FOI QUASE UNÂNIME ENTRE TORCIDA, JORNALISTAS E ATÉ CORNETEIROS. E COMO DIZEM OS SÁBIOS, A UNANIMIDADE É BURRA. A TEIMOSIA NÃO LEVA A LUGAR NENHUM. COMO LI EM ALGUNS TEXTOS SEUS E DE OUTROS QUE AQUI TAMBÉM POSTAM COMENTÁRIOS, É HORA DE MUDAR E RADICALMENTE. PEGAR ESSA MOLECADA DA BASE E FORMAR DIREITO, BUSCAR UM MOLEQUE NA FAVELA. PARA A PRÓXIMA COPA, ESSA GERAÇÃO É PERDIDA. MAS PARA 2022 TEMOS CHANCE DE FAZER MELHOR. PREFIRO CAIR COMO EM 1982 DO QUE COMO EM 2014. QUE TODOS TENHAM DÓ DE NÃO CHEGARMOS A FINAL, NÃO PENA. TEMOS ESTÁDIOS, CLUBES POBRES, DIRIGENTES RIDÍCULOS COMO AIDAR, SANCHES, DINAMITE, KALIL, KOFF, MARCO POLO, MARIN… ENFIM. COMO LI NO LANCE DE HOJE, QUE TRAGAM UM TÉCNICO ESTRANGEIRO. TITE NÃO. O QUE ELE ACRESCENTA? GOSTO DA PESSOA, MAS NÃO DOS MÉTODOS. FIQUE A CRIATIVIDADE DOS BONS JOGADORES, NÃO A PETULÂNCIA DE GENTE QUE SÓ ENXERGA O PRÓPRIO UMBIGO. DE BOM DESSA GERAÇÃO SÓ NEYMAR, DAVID LUIZ, E THIAGO SILVA, TECNICAMENTE FALANDO. O RESTO? ATÉ A CROÁCIA TEM MELHORES.

    • janca

      Mas no caso do Brasil, por mais que eu admire (e admiro muito) David Luiz, ele também não se saiu bem diante da Alemanha. Errou em pelo menos três gols alemães. Mas jogou com a garra e a vontade de sempre, deu a cara a bater depois, isso eu também prezo muito nele. Talvez não fosse o caso de ter trocado de posição. Pela esquerda se saiu bem nos jogos anteriores, pela direita, não. E Thiago Silva e Neymar não estavam presentes no tsunami, mas o primeiro vai continuar sendo muito cobrado pela reação antes dos pênaltis contra o Chile, uma das imagens fortes dessa Copa.

      • HECK_BR

        CONCORDO

  • HECK_BR

    LEIA ISSO JANCA. VI AGORA NA WEB. NÃO CONCORDO PLENAMENTE, MAS É ALGO A SE PENSAR

    Edu Maganha
    A CULPA É DELA!

    O Brasil perdeu a Copa do Mundo de 2014 há 16 anos, mais precisamente nesta data: 24/03/1998, dia em que os graneiros do futebol empurraram goela abaixo da massa ignara uma negociata chamada Lei Pelé.

    Na época, a conversa fiada de toda a mídia esportiva “especialista” que bancou essa legislação foi de clubes escravocratas e abolição dos jogadores. Como se alguém ganhando 5 ou 6 dígitos por mês pudesse ser considerado escravo, enquanto o salário mínimo era R$ 120. Na prática os atletas só trocaram de dono, passando a prender suas correntes aos empresários de futebol, que na maioria das vezes atuam como cafetões de jogador.

    A partir da Lei Pelé, o futebol brasileiro perdeu o seu diferencial em relação ao resto do mundo. Deixou de fazer qualquer sentido um clube investir na formação de novos atletas. Afinal, nada prende o garoto ao clube até os 15 anos de idade, quando enfim a criança poderá assinar seu primeiro contrato profissional. Também ficou financeiramente impossível segurar no clube garotos de 18 a 20 anos com potencial. A nova ordem passou a ser revelar jogador pra exportação através de clubes laranjas, para garantir os lucros de misteriosos grupos de investidores formados por agentes FIFA, dirigentes profissionais de clubes e da CBF, coordenadores, treinadores e traficantes de influência disfarçados de profissionais de mídia esportiva.

    Adiantando um pouco essa fita e sem entrar em muitos detalhes, as consequências da Lei Pelé foram:

    1) O enfraquecimento dos clubes
    Por mais bem administrados que forem, os clubes só ficam com saldo positivo se negociarem seu principal jogador pra cobrir o rombo de milhões ao final de cada temporada. Quem não consegue vender, fica com o pires na mão na temporada seguinte, passando a se sujeitar aos tais grupos de investidores.

    2) O progressivo processo de extinção do atleta brasileiro fora de série
    Chegamos em 2014 com apenas um atleta fora de série num elenco de 23 jogadores da Seleção Brasileira. Neymar nada mais é que a exceção da regra. Tinha apenas 6 anos em 1998 e sobreviveu no Santos até 2013 a base de um projeto financeiro do clube voltado pra exploração da sua imagem. Nenhum clube brasileiro tem condições financeiras de segurar vários atletas como Neymar ao mesmo tempo.

    Se essa goleada de 7×1 pra Alemanha te deixou desorientado, prepare-se para a completa decadência do futebol brasileiro nas próximas décadas, nivelando-se por baixo com outras seleções sulamericanas. Sem os atletas fora de série que produzíamos, predominarão jogadores comuns de mercado, que treinaram até os 18 anos em CT’s de times de empresários com foco no desenvolvimento físico, em detrimento do talento, com o objetivo de tentar a sorte no futebol do leste europeu, visando uma segunda transferência pros grandes clubes europeus. Se der azar, volta pro Brasil entrando no elenco de algum clube em dívida com grupos de investidores.

    Lá no futuro chegará o dia que o atleta fora de série estará extinto dos clubes brasileiros e da Seleção. Sem ele, não haverá o diferencial necessário para nenhuma conquista verde-amarela expressiva no futebol internacional.E então, assim como eu, vc deixará de dar importância ao esporte bretão e buscará outra válvula de escape pra sua vida medíocre.

    LI OUTRAS COISAS TBM. MAS ISSO ME CHAMOU A ATENÇÃO.

    • janca

      É um assunto que discuti bastante já, inclusive em uma programa de TV durante a Copa. Acho que a chamada Lei Pelé trouxe pontos positivos, o jogador não podia ser tratado como mercadoria e ficar refém dos clubes, mas os clubes de fato precisam de mais proteção, porque fica difícil investir na base e ver depois os jogadores que ajuda a formar nas mãos de empresários que têm como único objetivo o lucro e já no curto prazo. O Zico, com seu centro de treinamento no Rio, sofreu muito por conta de empresários. Ele investia no jogador e depois um “agente” tirava o rapaz e logo o mandava pra Europa ou outro centro ou outro clube. É uma situação para rediscutirmos e repensarmos mesmo.

      • HECK_BR

        COM CERTEZA. MUDAR A LEI POR CAUSA DESSA DEFORMIDADE. ESSA LEI NÃO FOI FEITA COM MÁ INTENÇÃO. MAS ATRAPALHOU MUITO O FUTEBOL BRASILEIRO QUE É AMADOR E OS CARTOLAS SÃO PROFISSIONAIS EM GANHAR DINHEIRO. O PALMEIRAS, VASCO, CORINTHIANS, SANTOS, SÃO PAULO, FLAMENGO, ATLÉTICO, ENFIM TODOS OS GRANDES FORAM ESFAQUEADOS PELA LEI.

  • sergio

    Janca… teoricamente agora era a hora de reformarmos o futebol brasileiro. CBF e clubes. Temos exemplos de qual caminho seguir… Uma reformulação total a longo prazo que transformasse a Liga de Clubes Brasileira em algo muito bom para o torcedor, tv, clubes e consequentemente para a seleção. Categorias de base com estrutura e profissionais gabaritados. Técnicos de futebol que pensem o jogo e não em fazer 1 a 0 num escanteio para garantir seu emprego por mais uma semana. Seleções de base que se conectem com a profissional em um esquema de jogo moderno e agradavel de se assistir… Planejamento para que todos os clubes paguem suas dividas e nçaro, não gerem outras novas..
    Opa, mas pera aí. Acabei de lembrar que o Del Nero vai assumir a CBF por 3 anos! Retiro tudo que eu disse…

    • janca

      Esse é um dos problemas. Com os cartolas que temos, desunidos, cada um pensando no próprio umbigo, encontrar uma luz fica difícil. E não me refiro ao Del Nero, que entra em lugar de Marin, que entrou no de Ricardo Teixeira. O problema é a estrutura. A CBF é um feudo. Ele foi eleito por presidentes de federações e clubes da Série A. Todos estavam ao lado dele. Nem oposição teve.

  • Josué

    Bom dia, Janca, que a equipe alemã é educada, é verdade, mas quanto a partida em sí permita-me discordar, a pior coisa que pode haver para uma equipe é ter certeza que o adversário teve pena, teve compaixão…. o maior respeito que a equipe pode ter é fazer o maior número de gols possíveis no adversário, o perdedor sentirá destroçado em campo mas o adversário não sentiu pena nem dó, e ao meu ver a Alemanha quando fez 6 visivelmente tirou o pé, para mim conseguiria facilmente fazer 9 ainda no primeiro tempo.

    • janca

      Mas também era normal tirar um pouco o pé, já que o jogo estava definido, não queria arriscar uma contusão e um desgaste maior e tem a final da Copa já no domingo. Agora que podia ter marcado mais de dez gols no Brasil, podia mesmo. Já uns sete ou oito ainda no primeiro tempo. Mas gostei que não ficou com dancinha, firula, olé, que respeitou a dor da torcida e a dos jogadores, que estavam humilhados (os brasileiros) em campo.

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