O discurso brasileiro



Começam hoje as oitavas de final do Mundial. Agora quem perder fica fora. Não há um segundo jogo para se recuperar. Como o futebol é marcado pelo acaso também, um mau dia, uma saída de bola errada, um lance de sorte ou azar e a coisa pode se definir para um lado ou outro, indo para o brejo para um dos dois times.

Sinceramente acho que somos mais fortes que o Chile, jogamos em casa (para o bem ou para o mal), temos todas as condições de vencer e vencer bem. Dá para avançar até as semifinais, eliminando agora os chilenos e em seguida uruguaios ou colombianos. Mas se vamos fazer prevalecer o favoritismo ou não é uma outra história.

Confesso que fiquei preocupado com as entrevistas de Luiz Felipe Scolari e Thiago Silva ontem. Os dois pareciam pra baixo. Falaram muito em derrota. O técnico dizendo que o outro lado também tem valores e se preparou para a Copa, o que é óbvio. E que, se perdermos, temos de entender que faz parte do futebol, que o trabalho foi bem feito e vida que segue. O zagueiro adotou o mesmo discurso.

Mais preocupante ainda achei Thiago Silva dizendo o quão emocionado anda nessa Copa, seja por conta do hino ou da entrada em campo num Mundial disputado no Brasil. Que na estreia nem se reconhecia no primeiro tempo já que teria saído de si pelas emoções vividas antes do jogo contra a Croácia. Claro que somos todos seres humanos, mas seria bom os jogadores terem um mínimo de equilíbrio emocional e segurança, o que também faltou em muitos momentos do segundo e do terceiro jogo da primeira fase. E agora pode ser essencial.

Até a última hora Felipão deve seguir fazendo mistério, mas pelas informações que temos de Minas é certo que Fernandinho entra mesmo em lugar de Paulinho, como pede a torcida há um tempo, ficando a dúvida para a formação da defesa. Acredito que, se David Luiz não tiver condições de começar jogando, entrando Dante em seu lugar, Daniel Alves deve ser mantido, porque duvido que o técnico arriscaria mexer tanto no time, embora eu possa estar equivocado. Mas se o zagueiro titular começar em campo a chance de vermos Maicon na lateral pode aumentar um pouco.

Formação à parte, espero que despachemos os chilenos e depois colombianos ou uruguaios nas quartas. Talentos pra isso temos de sobra, mas precisamos também de um pouco de tática e cabeça no lugar, coisas que faltaram na primeira fase.

Se sairmos, ao contrário de outras eliminações, como em 1982 ou 1986, o gosto será ruim, porque nem saudades o time deixará. Ao contrário daquelas Copas, até aqui não temos um jogo pra lembrar com carinho, ao contrário de uma Holanda, por exemplo, que fez partidas interessantíssimas na fase anterior, ou do próprio Chile, que fez história despachando a Espanha no Maracanã. A Seleção ainda tem que mostrar a que veio nesse Mundial. Quem sabe não comece a faze-lo hoje?



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