Os estrangeiros



Reproduzo abaixo coluna que publiquei terça no diário LANCE! seguida de uma observação sobre os gargalos no sistema de infraestrutura do Brasil para a Copa:

“Lembro com carinho da primeira Copa a que assisti in loco, no México, em 1986, ainda adolescente e estudante universitário, quando viajei com meu irmão em uma excursão para acompanhar o Brasil, a grande atração de Guadalajara. A recepção dos mexicanos foi algo que nos encantou. Era impressionante. Receberam-nos com o maior carinho e só por sermos brasileiros viramos atração. Tínhamos portas abertas em todos os cantos da cidade, que recordava com afeto a Seleção de 1970, tricampeã justamente no México. Fizemos um grande amigo, torcedor fanático do Vasco, com quem mantemos contato até hoje. Porque o futebol une. Ou pelo menos pode ter essa função, uma característica importantíssima que não podemos perder de vista.

Certa feita Tarcísio, nosso amigo vascaíno, estava conosco numa praça usando camisa do Brasil, bandeiras e outros adereços mais, quando fomos os três cercados por mexicanos que queriam nossos autógrafos. Explicamos que éramos simples torcedores, não jogadores, muito menos estrelas, mas eles não se importavam. Éramos brasileiros e só por isso queriam nossos autógrafos. Passamos a assinar camisetas, papéis e o que eles tivessem às mãos, enfim, até que eu e meu irmão nos cansamos. Vida de astro não é fácil… Tarcísio, porém, muito mais paciente, seguiu dando um autógrafo após o outro numa história que não canso de contar. Havia tanta gente querendo uma assinatura dele que até a polícia teve que o ajudar organizando a multidão, num evento que virou notícia de jornal no México e no Brasil.

Já na Copa dos Estados Unidos, em 1994, em duas ocasiões eu, meu irmão e dois amigos, só por usarmos camisas do Brasil, fomos confundidos com jogadores da Seleção Canarinho, numa época em que a grande maioria dos norte-americanos não entendia nada de futebol. Tivemos tratamento de primeira nos restaurantes, onde deixamos autógrafos, assinando Bebeto, Romário e Cia, e sendo reverenciados como os atletas que estávamos longe de ser.

Nessa mesma Copa ficamos muito amigos de um torcedor holandês, Pascal Roussel, que foi assistir conosco a Brasil x Holanda, em Dallas. Na frente dele disfarçamos um pouco a imensa alegria pelos 3 a 2 da Seleção, já que o sofrimento de nosso amigo europeu era visível. Dois anos depois fui visita-lo em Gouda, a cidade do queijo em que ele morava na Holanda. Dei-lhe de presente uma camisa do Corinthians e outra o Flamengo. Recebi uma do Ajax em troca.

Esse clima de confraternização, uma das marcas das Copas, também tenho visto por aqui. No bairro em que moro, em São Paulo, repleto de restaurantes e barzinhos, vemos croatas, mexicanos, japoneses, argentinos, espanhóis, belgas, uruguaios, ingleses, russos e norte-americanos, entre tantos cidadãos das mais diversas nacionalidades. E percebo o carinho, respeito e atenção com que são tratados pelos brasileiros. Em uma choperia vi nossos compatriotas tirando fotos ao lado de croatas, belgas e russos, em cenas que me remeteram ao México e à primeira das seis Copas que presenciei. É bom que seja assim. O Mundial, afinal, também é do “cidadão comum”. Ou pelo menos deveria ser.”

* Infraestrutura: Os problemas para os  turistas e brasileiros que moram no país são de outra ordem. Estão ligados às deficiências de infraestrutura que marcam o Brasil. Não tem cabimento esperar mais de duas horas por um táxi pra sair dos aeroportos de Guarulhos e Santos Dumont, por exemplo, sem falar no caótico sistema de transporte público nas 12 cidades-sede. Fora a violência das ruas…



MaisRecentes

O discurso de Tite



Continue Lendo

A reeleição de Galiotte



Continue Lendo

Cadê os patetas?!?



Continue Lendo