Os craques do futuro



Reproduzo abaixo coluna que publiquei terça no diário LANCE!:

“Até por conta da Copa tenho estado em constante contato com jornalistas estrangeiros que se preparam para a cobertura do Mundial. Uma das perguntas que mais fazem é sobre a ginga, a habilidade e a capacidade de improviso do jogador brasileiro, já que continuamos a ser um celeiro de craques.

Muitos acham que, com a globalização, diminuição de espaços públicos, campos de terra e de várzea para a prática do esporte, proliferação de escolinhas de futebol, vida em condomínios por parte da sociedade brasileira, que se aprisiona para fugir da violência, nossas características vão mudar e a capacidade de formar novos craques, diminuir.

É uma preocupação que também tenho e uma tese que cheguei até a defender em recente entrevista que dei para uma emissora de rádio por conta do lançamento do livro que escrevi com o também jornalista Eugenio Goussinsky sobre os Cem Anos da Seleção Brasileira.

Semana passada, porém, tive uma conversa bem interessante com o professor Neimar Moura Tartaglioni, que ao lado do competente professor Carlos Dorathioto Júnior, dá aulas de futebol no clube “A Hebraica”, em São Paulo. E ele me passou conceitos e uma visão sobre o treinamento dos garotos, alguns dos quais podem ser nossos futuros craques, por que não?, bem interessantes. Bem interessantes mesmo.

A palavra-chave para ele é espontaneidade. Seja em campos de terra ou em jogos e aulas em clubes, escolinhas de futebol ou mesmo em condomínios, a ideia é que o garoto não perca o aspecto lúdico, tão importante para o esporte, e muito menos a espontaneidade. Que encontre espaço para desenvolver a criatividade. Concordo com o professor Neimar, que tem o nome da principal estrela da Seleção, grande esperança de Luiz Felipe Scolari para a Copa, mas sem o “y” do ex-jogador santista.

Para os dois professores de “A Hebraica” que tive o privilégio de conhecer, há uma diferença entre a molecada que joga na rua e tem contato o tempo todo com a bola, mas não conta com um profissional para orientá-la, e aquele garoto que treina em escolinhas e, com auxílio de um técnico, pode aprender, pouco a pouco, conceitos técnicos e táticos do esporte. Dizem que o ideal seria uma mescla, um meio termo entre os dois mundos, digamos assim, algo que nem sempre é possível.

Seja como for, o Brasil, mais do que nunca, precisa de bons educadores dentro e fora dos gramados. Gente de talento e dedicação como os professores Carlos e Neimar. É muito bacana ver a atenção que dão a crianças de quatro, cinco anos de idade que estão começando a entrar e a se divertir no mundo do futebol. O esporte pode melhorar habilidades motoras, os meninos fazem aquecimento, pulam, brincam, trocam passes, disputam peladas, cobram e defendem pênaltis, ouvem com atenção a preleção dos técnicos, discutem a rodada do final de semana, entram um pouco no universo da bola, enfim. Divertem-se. É isso que vale e é disso que o Brasil precisa. As futuras gerações agradecem. E a atual certamente também.”



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