Um Brasil cordial?



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei terça no diário LANCE! sobre a Copa no Brasil com a campanha e a meta de Fifa e governo de tolerância zero em relação ao racismo:

“Muito tenho pensado sobre os seguidos episódios de racismo no futebol. Gostei da reação de Daniel Alves, que deu uma resposta espontânea ao comer banana atirada contra ele na Espanha e trouxe à tona mais uma vez a questão.

Outra atitude que poderia ter tido (ou outros jogadores podem ter no futuro) é simplesmente deixar o gramado, como já aconteceu num amistoso na Itália, por exemplo.

Ninguém é obrigado a jogar sendo vítima de injúria racial.

Concordo com ele quando afirma que uma forma de enfrentar o problema é expor o criminoso, pegar o racista e exibi-lo à opinião pública, já que no meio da multidão o sujeito vira mais um e, em grupo, não faltam “valentões”.

Já em relação à atitude de Neymar, que teve auxílio de uma agência de publicidade e criou a campanha “Somos Todos Macacos”, tenho minhas dúvidas. Até porque o atacante chegou a dizer certa vez que não sofria com o racismo porque não é negro. Ou não se identifica como tal.

Mas na Espanha não tem sido fácil pra ele, tanto que se tornou vítima de ataques no clássico catalão, quando enfrentou o Espanyol, e vítima outra vez da própria torcida do Barcelona, ocasiões em que preferiu o silêncio.

É inconcebível que isso tudo continue a acontecer nos tempos de hoje, mas apenas reflete o estágio de nossa sociedade, que não consegue evoluir. Continua racista, homofóbica, machista e xenófoba. A do Velho Continente, em especial, mas a nossa também.

Não adianta ficar apenas lamentando e condenando o racismo via redes sociais, é preciso tomar atitudes práticas e mais firmes.

Por isso insisto na tese de expor e prender os responsáveis por tais atos e lamento que falte vontade política de encarar a situação por parte da Fifa, Uefa ou Conmebol, ao contrário do que vimos na NBA, onde medidas contra o dono dos Los Angeles Clippers foram tomadas. Medidas exemplares.

A Fifa e o governo brasileiro, representados por Joseph Blatter e Dilma Rousseff, respectivamente, logo saíram em defensa de Daniel Alves via Twitter e deixaram claro que a tolerância com o racismo no Mundial que começa mês que vem será zero.

Mas só na Copa? Eis a questão. Duvido que tenhamos atitudes racistas no Mundial, inclusive porque, durante o evento, os problemas devem ser outros.

Concordo com a presidente quando diz que a força de nosso país vem de sua diversidade étnica, mas quando afirma que os brasileiros se orgulham disso confesso ter dúvidas. Alguns sim, muitos outros, não.

Estamos longe de ser uma democracia racial. Basta olhar para a pirâmide social.

O Brasil é um país racista, mesmo que muitas vezes isso fique encoberto. Encoberto, mas presente.

O futebol, espelho da sociedade, está cheio de vândalos que o usam como pretexto para promover violência.

Colocam seu lado mais primitivo pra fora, inclusive hostilizando o adversário ou o juiz por conta de sua cor, orientação sexual ou o que mais estiver à mão.

Como escrevi certa vez, a intolerância prevalece. No Brasil e no exterior.”



MaisRecentes

Nova caminhada



Continue Lendo

O desabafo de Cuca (ainda)



Continue Lendo

As críticas de Cuca



Continue Lendo