E depois da Copa?



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei na última terça no diário LANCE! sobre a preparação (preparação?) para os Jogos do Rio-2016:

“A organização ou a falta dela para a Copa de 2014 deveria servir de alerta para os que preparam o Rio e os esportes olímpicos para os Jogos de 2016. Porque, logo que acabar o Mundial, as atenções estarão, como nunca, voltadas à Olimpíada. E o que se vê é uma situação tão complicada quanto à da Copa.

Assim como acontece com a Fifa, a paciência do Comitê Olímpico Internacional com os brasileiros não é das maiores. O cenário mudou muito de quando o Rio foi escolhido sede dos Jogos, em 2009, para cá. Representantes do COI fizeram questão de mostrar seu descontentamento com o Brasil e o rumo da Olimpíada ainda no mês passado. Deixaram o país irritadíssimos com a indefinição em relação à matriz de responsabilidade, reclamando que quase metade das obras não tinha orçamento para ser discutido. O imbróglio culminou com a saída de Maria Silvia Bastos Marques da Empresa Olímpica Municipal. A explicação oficial foi que a executiva, que vinha sendo chamada de “prefeita da Olimpíada”, preferiu retomar suas atividades na iniciativa privada.

Estive em três Olimpíadas (Sydney-00, Atenas-04 e Pequim-08) e em cinco Copas do Mundo (México-86, Estados Unidos-94, França-98, Coreia/Japão-02 e Alemanha-06) e são eventos completamente distintos. Seja porque em Mundiais costumam ir torcedores apaixonados, em Jogos Olímpicos mais espectadores que fanáticos, seja porque a Copa é realizada em várias sedes enquanto a Olimpíada tem quase tudo concentrado em uma só, sendo a locomoção essencial, seja pelo número de países e modalidades envolvidas. E a tarefa do Rio é complicadíssima, porque, mais uma vez, tudo acaba ficando para a última hora. Se até a matriz de responsabilidade que define qual a parte do governo federal, do estadual e do municipal no financiamento das obras gerou tanta controvérsia, sendo adiada várias e várias vezes, imagine o “resto”.

O tal do legado voltará com tudo à discussão, agora do carioca, que já tanto sofre com transporte público, insegurança, falta de atenção à saúde, descaso com a educação, além de outros itens. A questão da hotelaria e da mobilidade urbana estará novamente em pauta, atraindo holofotes para o bem ou para o mal. E lembranças incômodas, que poderiam ter servido de exemplo de como não se fazer as coisas, estarão de volta. É o caso do Engenhão, tido como o principal legado do Pan do Rio que acabou interditado por problemas estruturais, ou do próprio Maracanã, que era para estar adequado ao chamado padrão-Fifa ainda para o Pan de 2007, o que acabou não acontecendo.

Fora que há uma grande diferença com o futebol. A pressão por medalhas, claro, será menor do que a por um belo desempenho da Seleção no Mundial, mas as lacunas de cada uma das modalidades olímpicas estarão bem em evidência. E vale lembrar que elas são sustentadas por dinheiro público, verbas das loterias, recursos de estatais, que muitas vezes não sabem nem para onde vai a grana. O Banco do Brasil e a Confederação Brasileira de Vôlei que o digam. Mas não só eles.”



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