Um banco de respeito



Não sei se o Brasil vai ganhar a Copa, até acho mais provável que não, é um torneio com adversários dificílimos e o futebol é interessante também por ser um dos esportes mais imprevisíveis que existem, mas que ganhamos muito desde que Luiz Felipe Scolari assumiu o time não tenho dúvidas.

Mesmo não sendo o primeiro nome na minha lista quando sacaram Mano Menezes. Eu defendia uma mudança mais radical com a contratação de Pep Guardiola, o que acabou não acontecendo dado o receito da CBF de arriscar com um técnico estrangeiro. De qualquer forma, como publiquei há semanas no LANCE!, coluna que reproduzo abaixo, temos um banco de respeito:

“Na África do Sul, onde o Brasil realizou o último amistoso antes do anúncio dos 23 convocados para a Copa, o lateral Daniel Alves foi direto ao ponto. Disse que a Seleção ganhou muito com Luiz Felipe Scolari porque experiência é algo que conta demais e “a gente precisava desse respeito no banco de reservas”, olhar para lá e sentir que há quem possa passar segurança ao grupo.

Com Mano Menezes, isso não acontecia. Pelo contrário. Eram os jogadores que tinham de transmitir tranquilidade ao técnico, algo que muitas vezes não conseguiam fazer e tivemos um vexame após o outro. A eliminação precoce na Copa América, quando nem entre os quatro o Brasil ficou, o apagão diante do México na final da Olimpíada, o receio de pegar equipes de primeiro nível, o que fez a Seleção enfrentar um Iraque ou os reservas da China só para garantir bons resultados e alguns ainda festejaram dizendo que daí estaria surgindo um esqueleto para o time. Não estava surgindo nada, como atesta Daniel Alves.

Os jogadores sentiam, ainda de acordo com o lateral do Barcelona, que as convocações eram confusas, sem constância e que nada estava claro. Não havia a tal filosofia de trabalho ou ideias mais definidas a respeito do que queria a comissão técnica, que estava acuada e descontrolada emocionalmente. Hoje isso mudou e é motivo para comemorarmos. Ter alguém acostumado a trabalhar com pressão ajuda muito. E Felipão já provou que sabe atuar assim, como no penta de 2002 ou liderando Portugal no Mundial de 2006, quando colocou a equipe europeia entre as semifinalistas do torneio.

Scolari sabe unir um grupo e trabalha-lo para uma competição, muitas vezes escolhendo um inimigo comum, geralmente a imprensa ou a opinião pública. Aquele papo de somos nós contra o resto do mundo. Em 1994, foi o que fez Carlos Alberto Parreira no tetra nos Estados Unidos, quando a contestação sobre a forma como jogava o Brasil era geral. Em 2002, a pressão era pela convocação de Romário. Agora não. A Seleção de Felipão é a que todos nós escolheríamos, talvez com uma ou outra alteração, não há muita polêmica em relação a nomes ou à convocação. Não vejo contestações, o que talvez seja positivo, já que teremos a enorme pressão de jogar o Mundial em casa, com o risco de perdê-lo em nossos domínios pela segunda vez.

Talvez o ponto positivo seja justamente o que aconteceu na Copa das Confederações, o povo nas ruas contestando uma série de coisas, entre elas os gastos com o Mundial, deixando o futebol em campo em segundo plano, o que deu mais liberdade para Felipão trabalhar. Ele soube usar os protestos a favor do grupo, vide a cantoria do Hino Nacional. Tem tudo para repetir o clima agora. Como a sequência do Brasil na Copa não é brincadeira, passando da primeira fase, uma pedreira após a outra a partir das oitavas, uma conquista seria ainda mais valorizada. Algo impensável nas mãos de Mano, mas possível nas de Scolari.”



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