Os ataques de Cruyff



Dados os ataques de Cruyff a Neymar, publiquei ontem no diário LANCE! coluna que reproduzo abaixo:

“Já toquei no assunto algumas vezes, mas gostaria de retoma-lo aqui, porque com a aproximação da Copa no Brasil os ataques de Johan Cruyff ao nosso futebol e em especial a Neymar, principal estrela da Seleção, podem se tornar frequentes. Muitos gostam de criticar as declarações de Pelé e há quem defina o maior jogador da história como um poeta de boca fechada, mas quando se trata do holandês o tratamento é diferente. Como se ele tivesse mais autoridade para falar de futebol que Pelé, o que duvido.

Antes de Neymar ser contratado pelo Barcelona, Cruyff, craque da Laranja Mecânica e um dos grandes ídolos da história do time catalão, chegou a dizer que desconhecia o futebol do brasileiro, pois jamais o havia visto jogar. Algo que, convenhamos, diz mais respeito ao holandês que a Neymar… Agora voltou à ofensiva reclamando do salário do atacante, que estaria provocando problemas no Barça. Diz não entender como ele pode receber mais que Valdés e Xavi, que ganharam tudo e mais um pouquinho defendendo a equipe espanhola. Ao externar suas opiniões, coloca mais pressão sobre o ex-jogador do Santos, atirando-o às feras, e joga pimenta para tumultuar o ambiente em Barcelona.

Cruyff já afirmou que Neymar e Messi não poderiam atuar juntos, sugerindo que o primeiro ficasse na reserva. Vocês podem até perguntar “quem sou eu para discordar dele”, mas confesso que discordo e muito. Aqueles passes incríveis de Messi para Neymar, as tabelas entre os dois, a genialidade da dupla, enfim, são prova de que podem atuar lado a lado, sim. O argentino Tata Martino tem a felicidade de tê-los juntos numa equipe de craques, embora enfrente o desafio de acertar o posicionamento do meio para a frente, especialmente de Neymar, o que não deixa de ser uma tarefa interessante. O chamado bom problema.

Mas o ressentimento de Cruyff não é com Neymar. É com o futebol brasileiro, que ele já criticou várias vezes. Deve começar a buzinar em breve, provocando polêmicas inúteis. Não custa lembrar que ele detonou a Seleção de 1994, que ganhou o tetra nos Estados Unidos praticando um futebol que definiu como feio, fazendo coro com muitos brasileiros, é verdade. Só que esqueceu que aquele time teve o mérito de se defender muito bem, o que no futebol também pode ser considerado uma arte. E venceu a Holanda nas quartas de final, para irritação do próprio Cruyff, que não se conforma que sua equipe jamais tenha ganhado um Mundial, colecionando três vices, em 1974, 1978 e 2010, quando disputou uma final horrorosa, diga-se de passagem, contra a Espanha.

Cruyff também criticou o Brasil de 1998, quando a Seleção foi engolida pela França na decisão, mas eliminou a Holanda mais uma vez de um Mundial. Faz suas ressalvas também ao time de 1982, dirigido por Telê Santana, por descuidos cometidos no sistema defensivo. Como na Copa que começa logo mais em junho de novo brasileiros e holandeses poderão se enfrentar, agora já nas oitavas, Cruyff não deve deixar barato. Freud explica?”



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