O futuro do Bom Senso



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre o futuro do Bom Senso F.C. e a saída de Paulo André do Brasil:

“Pegou muita gente de surpresa a decisão de Paulo André, principal líder e idealizador do Bom Senso F.C., que semana passada saiu de fininho do Corinthians pra tentar a sorte no futebol chinês. Lamento que o zagueiro tenha optado por trocar de ares num momento tão importante para o nosso futebol, mas respeito, claro, sua decisão e torço para que tenha sucesso no exterior. Mais que isso, gostaria de vê-lo depois de volta ao Brasil pra seguir na batalha por um futebol melhor.

Imagino que, acuado como estava, Paulo André tenha optado por respirar, apesar de a poluição chinesa ser ainda pior que a nossa. Mas respirar é preciso, especialmente após o momento delicado que vivia no Corinthians, onde não era querido por parte da direção e da própria torcida, vide os covardes ataques de que foi vítima pelas redes sociais, marcadas pela intolerância. Protegidos por um suposto anonimato, assim como em algumas manifestações de ruas ou em estádios de futebol, muitos viram valentões e no mundo da bola elegeram o zagueiro como alvo. Lamentável.

Paulo André, que eu saiba, sempre colocou o Corinthians, os treinamentos e suas atuações, como ele mesmo explicou ao se defender dos ataques, em primeiro lugar. Mas não é por isso que não deva se posicionar sobre outros assuntos, inclusive os relacionados à organização, ou melhor, desorganização, do futebol no país. Jogador não precisa ser apenas boleiro. É um cidadão como todos os outros e pode se colocar, exercer atividades paralelas, desde que não atrapalhem a principal, lutar pelas causas em que acredita. Era o que Paulo André fazia. Li, inclusive, que durante um período resolveu pagar do próprio bolso advogado e assessoria de imprensa para o movimento, que antes estariam atuando como voluntários. Tenho minhas dúvidas se não deveriam continuar assim por mais um tempo… Mas o Bom Senso, com Paulo André agora à distância, infelizmente pode estar em xeque. A saída do jogador, não por acaso, foi muito festejada pela direção da CBF.

Entre os desafetos do zagueiro, há quem reclame que ele ganhava muito, que usava o Bom Senso como marketing pessoal e estratégia para preparar “carreira” de dirigente quando parar de jogar e que o movimento é de elite e não pensa nos pequenos. Tenho outra visão. Não me interessa quanto recebe Paulo André e espero que siga no futebol depois que encerrar as atividades como jogador porque é um sujeito com boas ideias e que tem muito a colaborar com o esporte. Sobre ser um movimento de elite, concordo, até porque são os jogadores dos times de ponta que têm visibilidade. Mas pensam nos pequenos, sim, mais que a CBF e as federações.

O projeto, enfim, tem de continuar, ainda mais em ano de Copa no Brasil. Não há melhor ocasião que essa pra protestar e oferecer propostas construtivas a debate, como já está fazendo o movimento. Apesar da perda de outras lideranças também, um como técnico no exterior, outro como possível comentarista de TV, a batalha não pode parar.”

Volto a postar na próxima segunda, dia 17, mas está lá, dentro do possível, sigo respondendo os comentários de vocês.



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