As razões de Ceni



Rogério Ceni continua sendo cobrado pela mídia e por alguns de seus colegas do Bom Senso F.C. a respeito de sua posição e da do São Paulo contra a greve de jogadores na sétima rodada do Paulistão. Greve que, diga-se de passagem, não aconteceu.

Segundo o goleiro tricolor a paralisação não faria sentido já que houve um problema localizado no Corinthians que envolveu torcedores ligados às principais organizadas do clube e seus jogadores. Uma inadmissível invasão violenta do CT corintiano no sábado retrasado.

Para Ceni, se os próprios atletas do Timão não tiveram peito de encarar dirigentes e torcida, recusando-se a entrar em campo no dia seguinte contra a Ponte, não teria cabimento convencer atletas dos outros 19 times do Paulista para protestar contra a truculência de parte da torcida corintiana ou contra a violência no futebol em geral, parando o Estadual por uma rodada. E ele está certo.

Cabe aos corintianos, inclusive e principalmente a seus jogadores, alvos de ameaças, agressões ou tentativas de, pressionar a diretoria para cortar os vínculos com as organizadas, como já fizeram Palmeiras e Cruzeiro.

Fora que parar o campeonato por uma rodada não iria, por si só, acabar com a violência, já que o buraco é muito mais embaixo.

Sem falar que o Bom Senso ainda é visto por muitos como um grupo de elite, com pouca preocupação com a base. Tanto que atletas de times do interior do Paulistão foram contra a paralisação e muitos são contrários à pauta do movimento, que defende a redução da presença dos grandes nos Estaduais.

Ceni, por mais que publicamente diga o contrário, tem suas divergências de opinião com o corintiano Paulo André, o que é compreensível. Nem todos pensam da mesma forma, afinal.

Para o goleiro não há razão para o São Paulo fazer greve se é o Corinthians ou algum outro time que tem atrasado pagamento de salário e/ou direito de imagem.

Ceni acredita também que o zagueiro do Timão tem conduzido o movimento de forma personalista, algo que ele não diz publicamente mas o incomoda também. Não deixa de ser curioso, pois o goleiro age assim também no São Paulo…

Mas tem o direito de não gostar da maneira como algumas lideranças do Bom Senso têm agido, sim. E não é o único, tanto que a paralisação não aconteceu agora e talvez nem ocorra na primeira rodada do Brasileiro, como gostaria a cúpula do Bom Senso. Ou como gostaria Paulo André, que sente que o grupo segue sem ser ouvido pela CBF. E, lamentavelmente, segue mesmo.

O que não tira os méritos do Bom Senso, já que há muito tempo víamos os jogadores à margem das discussões e, a partir da criação do movimento, que não deixa de ser um marco no futebol, a situação tende a mudar. Não de um dia para o outro, mas tende.



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