O tom da Copa



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei terça no LANCE! sobre a Copa de 2014:

“Muito se tem especulado sobre como será o Mundial no Brasil. O governo insiste em propagandear que faremos a Copa das Copas, enquanto a Fifa um dia repete o discurso oficial, lembrando que somos o país do futebol, e no seguinte reclama dos atrasos pra cumprir o cronograma, algo que Joseph Blatter diz que jamais viu nos 40 anos em que trabalha para a entidade.

Dentro dos estádios deveremos ter, se não a Copa das Copas, grandes jogos, pois por aqui estarão todos os campeões mundiais, craques de primeiríssima linha, um futebol que promete bem mais do que em 2010, na África do Sul, e nas arquibancadas um público animado que já deu verdadeiro show na Copa das Confederações. Copa das Confederações, aliás, que abrigamos e vencemos ano passado, final inesquecível contra os espanhóis, e que talvez tenha sido a melhor de todas as edições realizadas até aqui, algo que poucos falam, diga-se de passagem. Aconteceu em solo brasileiro, com uma torcida que proporcionou espetáculos incríveis, inclusive nos jogos do Taiti.

A principal questão, no entanto, está em saber o que nos espera fora dos estádios. Porque daí poderá sair o tom do Mundial, como aconteceu na própria Copa das Confederações. Dos vários legados prometidos para o povo brasileiro com a realização do Mundial, boa parte ficou mesmo no papel. E é curioso ver que o maior deles não foi programado pelas autoridades, mas ganhou corpo com os protestos que encheram as ruas do país em junho de 2013. As manifestações populares, muitas com pedidos difusos, contestando uma série de coisas, cresceram com os questionamentos sobre os gastos com a Copa.

Existe uma enorme interrogação sobre os protestos durante o evento, quando as atenções do mundo todo estarão voltadas pra cá. Não por acaso as manifestações do último dia 25, muitas das quais levando o já tradicional bordão “Não vai ter Copa”, deixaram as autoridades com uma tremenda dor de cabeça. Copa vamos ter, isso não está em pauta, mas em que condições? O que veremos fora dos estádios? Eis o “x” da questão. Os “rolezinhos” em shoppings e os protestos de sábado retrasado parece que começaram a dar o tom de 2014…

Fica complicado para as autoridades, incluindo membros do Comitê Organizador Local, presidido por José Maria Marin com participação de Ronaldo, Fenômeno, explicar o porquê de termos nos preparado tão mal para o evento. Arenas moderníssimas, ok, mas com custos muito maiores que os estipulados, repletas de verba pública, algumas das quais com sério risco de virar elefantes brancos. Fora investimentos em mobilidade urbana que não aconteceram como esperado, discussões urbanísticas que deixaram de ser realizadas, falta de política de turismo decente e com visão de médio e longo prazo…

Enfim, vemos o exemplo do Pan do Rio repetido agora. Orçamento e gastos na altura e legado minimizado. Só que há uma diferença, a ida de manifestantes às ruas, algo que não tivemos em 2007, o tal do legado indireto. Como lidar com ele talvez seja o maior desafio.”



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