Lusa deve explicações



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE!, seguida de três notas, sobre um caso que continua com inúmeras interrogações, brechas para as mais variadas interpretações jurídicas e em que a Lusa segue devendo muitas explicações, mas muitas mesmo:

“Semana passada, conversei, por telefone, com Valdomiro, zagueiro que recebeu a dura tarefa de liderar o fraquíssimo time que a Portuguesa montou para o Paulista. Único titular remanescente da campanha do Brasileiro-2013 que estreou no Paulistão contra o Corinthians, ele lamentou a situação do clube, ameaçado pelo rebaixamento até no Estadual, mas disse que, em campo, a obrigação dos jogadores é honrar a camisa que vestem. Sempre foi.

Considerado o xerife da zaga da Lusa, acha que a saída é focar no gramado e procurar esquecer os problemas extracampo. Não é fácil. O time, que jogou bem no Brasileirão, não existe mais. Valdomiro conta que perdeu noites de sono nas férias preocupado com o futuro do clube. “Sou jogador, não advogado, nossa parte fizemos em campo, ficamos entre os 12 primeiros”, lembrou, acrescentando que não entende nada de STJD, CBJD nem Estatuto do Torcedor.

Se Valdomiro enfatiza que fez sua parte, a cartolagem não pode dizer o mesmo. Deve muitas explicações à torcida e aos jogadores que se esforçaram muito mesmo com atrasos salariais. O Ministério Público quer saber se alguém dentro da Lusa, que teria sido comunicada com antecedência da punição a Héverton, agiu para favorecer algum outro clube e foi recompensado por isso. Deve pedir a quebra do sigilo bancário e telefônico dos suspeitos e aumentar o imbróglio, pois havendo corrupto, deve-se procurar o corruptor. O caso, portanto, pode parar na esfera criminal, ultrapassando a mera incompetência.

Incompetência que ficou clara desde o início. Que o departamento jurídico e o de futebol, incluindo comissão técnica, erraram feio não há dúvidas, embora a escalação do jogador numa partida em que a Lusa já se via livre da degola não tenha sido para levar vantagem, óbvio. O problema torna-se mais grave se foi, isso sim, para ter desvantagem e beneficiar terceiros, conforme suspeita o MP.

A Portuguesa tem obrigação de ir fundo na história, doa a quem doer, inclusive por estarmos diante de bela oportunidade para conhecer melhor os porões de nosso futebol. Não pode deixar de apurar se gente de dentro jogou contra para ajudar A ou B. Não deve compactuar com a CBF, que se acha acima do bem e do mal, não cumpriu o Estatuto do Torcedor, possibilitando, com isso, a ocorrência do caso, e ainda lhe fez uma proposta no mínimo indecorosa para aceitar em troca de uns tostões passivamente a Série B. Tem que lutar com todas as garras que lhe restam, defender seus direitos, recorrer à Corte Arbitral do Esporte, entrar na Justiça Comum, cortar a própria carne. Não pode se curvar, mesmo que queiram aniquila-la por conta disso.

E é por falar em se curvar que foi triste e constrangedora a foto do atual presidente, Ilídio Lico, abraçado com Marco Polo Del Nero, o preferido de José Maria Marin para sucedê-lo na CBF. Abaixar a cabeça para os poderosos, não. Dirigentes deveriam lutar como leões, como tantas vezes fez Valdomiro em campo. Mas nossos cartolas… O torcedor, lesado, merece muitas explicações. Doa a quem doer.”

* O exemplo de Tite: O ex-técnico corintiano faz questão de saber depois de cada julgamento quais de seus jogadores têm condições de atuar, quais não. É parte do trabalho da comissão técnica, que não deveria se limitar a comandar a equipe dentro das quatro linhas. Guto Ferreira e sua equipe, no entanto, dizem que desconheciam a punição a Héverton, que se transferiu para o Paysandu e também jura que ignorava a suspensão;

* Novo discurso: No mês passado Valdir Rocha, advogado da Lusa, dizia que não tinha recebido nenhuma ligação de Osvaldo Sestário, que representou o clube no julgamento de Héverton, após a punição de dois jogos dada ao atleta. Depois que Sestário disse ter provas da comunicação com Rocha, o discurso do departamento jurídico do time paulista mudou. Agora a contestação é em relação ao conteúdo da conversa. Então tá…;

* Manuel da Lupa: O ex-presidente da Portuguesa, que comandava o clube quando estourou o caso, tem sido criticadíssimo, para não usar termos mais fortes, por sua conduta em todo o episódio. Deve satisfações à torcida, aos sócios e à comunidade do futebol. Não é por ter deixado o cargo que não tem de se explicar. Não podemos nos esquecer de quem era o mandatário da Lusa quando aconteceu todo o rolo.



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