MMA infantil



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE! e logo abaixo dela os Três Toques, com três notinhas sobre a prática do MMA infantil:

“Não é que nos Estados Unidos e também no Brasil há pais colocando seus filhos para treinar MMA? O que considero gravíssimo, porque, em vez de melhorar o autocontrole, como pregam alguns, pode gerar mais violência nas escolas, sem falar no sério risco de contusões, inclusive na cabeça.

É uma questão extremamente delicada, pois, por mais que os defensores da modalidade insistam que é um esporte onde prevalece o “fair play”, em que os atletas são amigos e a violência fica apenas no octógono, o risco de concussões cerebrais, como vemos também no futebol americano e no boxe, é muito grande e pode ser devastador. Sem falar em outras lesões sérias, como fraturas de braço, perna, ombro e até coluna. Incentivar crianças a praticar MMA é, literalmente, um perigo. Pra elas.

Sei que muitos reclamam que costumo pegar no pé da modalidade (e costumo mesmo), mas nada tenho contra os lutadores. Tenho muito, porém, contra o que está por trás do MMA e do UFC, uma empresa comandada por um trio que fez das artes marciais mistas uma controversa indústria, conseguiu apoio de um público sedento de sangue e violência, patrocinadores e mídia forte e poderosa e como há muito dinheiro envolvido, parece que ninguém pode ter uma posição contrária.

Dá para notar, inclusive no caso da forte cena da lesão de Anderson Silva, que fraturou tíbia e fíbula na luta contra o norte-americano Chris Weidman, que os envolvidos direta ou indiretamente com o negócio tentam passar uma imagem de que o que ocorreu foi apenas uma fatalidade. Que poderia ter acontecido no futebol, vôlei ou basquete, que contusões fazem parte de qualquer esporte, que o próprio Ronaldo, Fenômeno, já se machucou feio em campo numa imagem impressionante que rodou o mundo.

Mas há uma diferença com o MMA. No UFC, onde Anderson competia, os golpes são intencionais. Quando um lutador chuta o outro, dá cotoveladas em seu rosto, tira sangue da cara do adversário, o objetivo é destruir, sim. Fazer estrago para vencer. No futebol, basquete ou vôlei, a meta é outra. Não é chutar o adversário, atacar o joelho, acertar a cabeça nem quebrar seu braço. É marcar gols, fazer cestas ou anotar pontos, vencendo sets. Tudo isso tem que ser pensado, especialmente pelos pais que colocam seus filhos para começar a treinar cedo. Pois há um preço a pagar, como vimos na própria luta de Anderson Silva.

Por mais que os defensores da modalidade digam que no futebol é pior, que há brigas de torcidas, como em Atlético-PR e Vasco, pela última rodada do Brasileiro, para ficar apenas em um exemplo, não há o que justifique a prática de MMA, especialmente pelo público infantil. Um esporte em que as pessoas vão para ver sangue, em que o público pede para o sujeito matar o rival, aos gritos de “Uh, Vai Morrer”, deve ser repensado. A essência do futebol, com todo respeito, é outra. E os vândalos que vão aos jogos brigar não são caso de esfera esportiva, mas da criminal.”

Três Toques

1) Audiência: A luta de Anderson Silva teria batido recorde na TV, superando 200 mil novas vendas no Canal Combate. A Globo, apesar de ter feito tudo para transmitir o evento ao vivo no final do ano passado, mesmo sem ter conseguido seu objetivo, exibindo-o com atraso, conseguiu bons índices no Ibope: cerca de 30% a mais que a média no horário dos sábados (ou madrugadas de domingos) anteriores. Há público, há público…;

2) Proteção maior: Defensores da prática de MMA por crianças dizem que a modalidade, que envolve o aprendizado de técnicas de caratê, boxe, jiu-jitsu, judô e muay thai, entre outras, pode ajuda-las a ter mais autocontrole e conhecer melhor seus limites, além de aprimorar a autodefesa, inclusive entre as meninas. Pregam, no entanto, que as proteções sejam maiores que nos treinos de adultos para diminuir o risco de lesões;

3) Agressividade: Quem condena que crianças treinem e lutem MMA aponta, além do risco de sérios acidentes, a possibilidade de efeitos nocivos em relação à psique do indivíduo, que pode se tornar mais agressivo e individualista. Mesmo assim há academias no Brasil e no exterior que aceitam treinar garotos e garotas já a partir dos sete anos de idade. Com a devida autorização dos pais ou responsáveis, claro. Responsáveis?



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