Apoio ao Bom Senso F.C.



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE! seguida de três observações sobre o movimento de jogadores para termos um futebol melhor no Brasil:

“Tenho conversado com muita gente que reclama que parte da mídia tem endeusado o Bom Senso F.C., movimento criado por jogadores de futebol para rediscutir o principal esporte do país, trazendo ao debate pontos importantíssimos como o calendário e o chamado fair play financeiro, entre tantos outros. Para alguns torcedores, porém, os atletas estariam preocupados em jogar menos, curtir mais férias, receber em dia seus salários polpudos, seria um movimento de elite, enfim.

Até acho que parte mesmo da elite, o que é legítimo, inclusive porque ela tem mais visibilidade e poder para reivindicar. E é o que tem feito. Reivindicando, inclusive, para os jogadores de clubes de menor expressão, muitos dos quais passam mais da metade do ano sem atividade profissional. Por essas e outras, aliás, o calendário tem que ser rediscutido. Agora que começam os Estaduais, muitos dos quais com regulamentos esdrúxulos e sem a importância que tiveram em décadas passadas, a hora é mesmo de rediscutir sua dimensão, já que não podem ocupar quase um terço do calendário do futebol brasileiro.

O que o Bom Senso quer é garantir um melhor produto para o torcedor, seja o que vai aos estádios, seja o que acompanha os jogos pela TV. Um produto com mais credibilidade, jogos interessantes, maior qualidade, enfim, deveria interessar a todos. Mas não sei se é o caso. A CBF, por exemplo, até agora tem fugido do debate, mais preocupada em contentar as federações estaduais, que definem a eleição para a presidência da entidade.

O que muitos não entendem é que o Bom Senso, ao querer debater uma série de pontos relevantes, entre eles o próprio papel da CBF, que deveria, a meu ver, cuidar apenas da Seleção, o que já é muito, por sinal, não irá, por si só, resolver todos os problemas do nosso futebol. Problemas que não são de hoje, são de décadas.

O que vejo de gente dizendo que Paulo André, um dos líderes do movimento, deveria se preocupar com jogadores lesionados da Série D que não tiveram ajuda de seus clubes na recuperação ou com o caso da Portuguesa, que abalou a credibilidade do Brasileirão, não está escrito. Mas Paulo André, sozinho, não tem condições de entrar em todos esses casos. Nem deve. Inclusive não cabe a ele nem ao Bom Senso definir se os torcedores da Lusa deveriam ou não ir à Justiça comum, se quem tem razão no caso é Portuguesa, Flamengo ou Fluminense, quem deveria ficar na Série A, quem deveria ser rebaixado.

A discussão é muito maior do que essa. E se há responsáveis pelo imbróglio que marcou o final do Brasileiro, inclusive com cenas de selvageria em Atlético-PR e Vasco, eles não estão no Bom Senso F.C., estão entre os dirigentes que comandam o futebol.

Os atletas pedem um esporte mais decente. Dentro e fora de campo. Para isso, porém, precisam de interlocutores, que até aqui não têm aparecido. O Bom Senso não é salvação para tudo, mas um bom começo. Merece nosso apoio.”

* Às traças: O zagueiro Paulo André tem razão quando diz que o futebol brasileiro está sendo tratado com desprezo e falta de consideração. Tem sido gerido na base do improviso, tanto que boa parte dos Estaduais que começam agora tiveram seu início adiado apenas depois que os jogadores começaram a protestar no Brasileirão. E alguns regulamentos de tão ridículos merecem mesmo alguns capítulos à parte;

* Nem na escola: Também está certo o atleta corintiano quando diz que até em campeonato de escola ou clube existe um mesário que não deixa o jogador que está proibido de atuar entrar em campo. Mas a CBF, pelo jeito, apesar de ser uma entidade milionária e que fatura muito graças à Seleção, um dos maiores produtos nacionais, vive no século passado e só consegue disponibilizar a informação sobre suspensões após a rodada;

* Hora da greve: Se os dirigentes continuarem evitando o debate, os jogadores têm de partir para o confronto mais pesado. É legítimo que discutam a possibilidade de greve, como já aconteceu em outras ocasiões em países da Europa. Melhor oportunidade do que agora, durante os Estaduais e em ano de Copa do Mundo no Brasil, não existe. Os olhos estão voltados pra cá e a CBF não está acima do bem e do mal, não.



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