Um Time Show de Bola



Reproduzo abaixo coluna que escrevi segunda cedo e publiquei ontem no diário LANCE!:

“Escrevo esse texto sem saber do resultado do julgamento do STJD, que nem pretendo acompanhar. E não vou falar de José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, tribunais, violência de torcidas, CBF e essas coisas todas que reviram o estômago de quem gostaria de ver o futebol como algo lúdico. Apenas um jogo, não uma guerra, por mais que interesses econômicos e políticos estejam sempre a cercá-lo, mesmo que muitos deles nós nem conheçamos. Podemos apenas imaginar.

O título da coluna, “Um Time Show de Bola”, não tem relação nenhuma com nossos dirigentes, políticos e afins. Até porque não sou louco a ponto de considerá-los assim. Remete a um filme que vi semana passada, uma animação do diretor argentino Juan José Campanella. Interessei-me pela obra, cujo título original é “Metegol” e no Brasil foi lançada como “Um Time Show de Bola”, porque adoro futebol e o diretor é o mesmo do excelente “O Segredo de Seus Olhos”, que ganhou o Oscar em 2010. Com a animação, quer concorrer pelo de 2015, já que só estreia nos cinemas norte-americanos ano que vem.

O filme conta a história da rivalidade de dois garotos, que têm de formar suas equipes para disputar uma partida que vai definir o destino da cidade em que o protagonista nasceu. O protagonista não é nenhum craque, mas sim um habilidoso jogador de pebolim, totó ou Fla-Flu, como queiram, atividade que pratica desde sempre. E são os pequenos componentes de seu time de pebolim que irão ganhar vida e ir a campo ajudar a equipe da cidade a vencer o desafio contra um rival mais forte, com jogadores preparados em laboratório, cheios de patrocinadores e ajudados pelas mais modernas tecnologias e materiais esportivos.

Como o protagonista, modéstia à parte, sempre fui um craque no pebolim, mas no campo de jogo era um pavor. Não acertava um passe, não conseguia cabecear, acabava invariavelmente mandado para o gol e ainda frangava. Futebol de campo não era pra mim, mas no pebolim a história era outra.

Na Argentina o filme foi sucesso de público, embora tenha gerado controvérsia, pois o time show de bola, que ganhava todas no pebolim e depois acaba indo a campo de verdade, era verde-amarelo, bem as cores da nossa Seleção. E o desafio final lembra muito a participação do Brasil na Copa da Espanha, em 1982, numa época em que jogávamos com paixão. É uma história interessante sobre vitórias e derrotas e o limiar entre elas, já que muitas vezes o que parece ser uma derrota pode ser uma vitória e vice-versa. Um filme sobre a vida.

Saindo da telona para voltar ao dia a dia, deixo aqui minha singela homenagem para aqueles jogadores da Portuguesa que, mesmo com salários atrasados, contra tudo e contra todos, honraram a camisa do clube e o salvaram do rebaixamento em campo. Aos dirigentes, nem pêsames dou. Acabar campeonato em tribunal é triste, mas em Brasileiro de Marin, Del Nero e Cia. poderia ser diferente?”



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