Além da política



“A corrupção no Brasil é multipartidária e se estenda para além da classe política. Quem se beneficia dela não é a maioria da população. Os brasileiros comuns sofrem as consequências em edifícios precariamente construídos e serviços deficientes.” Eis chamada de capa da “Folha” de quinta passada para artigo do historiador britânico Kenneth Maxwell.

Fica minha pergunta: Por que no futebol, reflexo de nossa sociedade e política, podres, podres e podres, seria diferente?

Enquanto o tapetão virou assunto do dia no Brasil, José Maria Marin, filhote da ditadura e presidente da CBF, diz que não aceita que nenhum clube vá defender seus direitos na chamada Justiça comum e ameaça com isso e aquilo quem o fizer.

Mas tem um tempinho para, além do futebol, preocupar-se com o mundo político brasileiro, que vive momento conturbado e repleto de denúncias, muitas delas mal explicadas, como o caso da cocaína que envolve empresa da família de um ex-cartola que ajuda a comandar a bancada da bola no Congresso.

Marin anda preocupado com a situação do deputado estadual Campos Machado em SP, seu principal aliado na política e mencionado como um dos que teriam recebido propina por conta do cartel das licitações do metrô e da CPTM.

De imediato já se solidarizou com o amigo, que defende com unhas e dentes o passado do próprio Marin (ex-vice governador de São Paulo na gestão Paulo Maluf no final dos anos 70, início dos 80), e nega veementemente ter recebido propina do cartel.

A pouco mais de seis meses do início da Copa no Brasil, seguimos nas mãos de quem? Como diria Milton Leite, o narrador, não o político, meu Deus!!! E ó que eu sou agnóstico…



  • joe LHP

    A corrupção nesse país é endêmica e está enraizada na cultura popular, reclamamos dos políticos mas não falamos nada quando aquele amigo que trabalha no hospital arruma aqueles medicamentos desviados da farmácia do hospital, não questionamos o fato do funcionário da escola que sumiu com uns pacotinhos de açucar ou do policial que passou na casa de um traficante e saiu com uma Saveiro zerada, a lei aqui é levar vantagem e aos amigos tudo e aos inimigos o rigor da lei, nós brasileiros, estamos nos afogando na nossa própria “malandragem” .

    • janca

      Mas não dá para colocar todo mundo no mesmo saco. Não dá para generalizar. Não são todos os que participam dessa “festa” e são poucos os que podem tentar se defender dela.

  • Edson – Santo André

    Pior Janca é que não tenho a menor esperança de ver essa situação melhorar. Está no “DNA” de muitos brasileiros (grande maioria na minha opinião), se não vejamos alguns exemplos: O “achado que não é roubado”, o político que “rouba mais faz” e que é bem aceito por muitos ainda, é propina para tirar carta de motorista, para passar no vestibular, para se livrar das multas nas estradas, esquema para passar na frente na fila de transplantes no SUS. É ex. matador, prostituta, ladrão e político corrupto que se “converte” em determinada religião e se “livra” de tudo de errado que fez, enfim, poderia ficar eternamente dando exemplos.

    Inclusive o primeiro parágrafo do seu post serviu como uma luva para mim, que comprei um apartamento novo cheio de problemas, bem diferente do que anunciado.

    Acredito que nossa geração não veja grandes avanços no que se refere à moralização de nossa política, mas, sobretudo, de nós mesmos enquanto cidadãos. Acho que o esporte e o futebol por consequência seguirão o mesmo caminho.

    Tenho vontade de mudar de País por muitas vezes, por total desilusão!

    Abraço.

    • janca

      Por isso que temos que nos defender e lutar _digo pegando seu exemplo do apartamento. Você não é o único que tem vontade de mudar de país, embora a corrupção não seja “privilégio” do Brasil. Podemos também tentar mudar o país, embora seja uma tarefa para muitas e muitas gerações. E podemos tentar nos defender, da forma que for, de algumas arbitrariedades. Até em legítima defesa.

  • dorival

    Janca, infelizmente não se pode mudar o DNA de um país com uma história de 500 anos de corrupção e desmandos a coisa começou com Pero Vaz em sua carta ao Rei para contar as maravilhas da nova terra aproveitou e pede um emprego a um sobrinho, de lá para cá pouca coisa mudou. O explorador se foi, mas sua mentalidade exploradora ficou não só por aqui em toda a America exceto talvez USA e Canada, a Africa sofre do mesmo mal, onde houve explorador é a mesma história triste. Não estou dizendo que não é necesario lutar, pois é unutil, o que quero dizer é que a espinha dorsal da familia foi terrivelmente destruida, as religiões que deveriam ser um exemplo são as que mais exploram os que menos tem. Não dão exemplo de valores morais ao contrario distorsem tudo em nome da ganancia e lucro, pedofilia, abusos sexuais, os que deveriam dar exemplos são os corruptores o povo esta perdido e acha que vale tudo, pois é a unica coisa que se ve por todos os lados.
    Valores morais não dependem de religião, ser honesto é obrigação, ter etica tambem, respeitar o proximo, compaixão, amor, dignidade enquanto a sociedade for egoista e pensar unica e exclusivamente nela, levar vantagem em tudo é a politica em que todos perdem. Não se pode mudar a cultura de um povo em uma geracão ou duas, mas temos de começar em algum ponto senão as mudança nunca vão ocorrer.

    • janca

      Temos de começar por algum ponto e em algum momento, se não as mudanças não ocorrem mesmo, Dorival. Grande abraço, Janca

MaisRecentes

Contas corintianas



Continue Lendo

Timão em 2018



Continue Lendo

Verdão aflito



Continue Lendo