Atraso salarial



Como tenho dito e gosto de repetir, a questão do “fair play financeiro” é de extrema importância para o futebol brasileiro, mas terá que ser implantada gradualmente, não de um dia para o outro.

Deve envolver na discussão atletas, técnicos, dirigentes de clubes, federações e da própria CBF, além de executivos do futebol e representantes do governo.

Os clubes têm que ir acertando suas contas e parar de fazer loucuras, muitas vezes assinando contratos com seus jogadores e fornecedores que acabam não cumprindo, o que é lamentável.

Da Série A, há reclamações de atletas de pelo menos oito times que dizem não ter recebido salários e pagamento de direitos de imagem na data certa e que seguem com pendências a serem acertadas por seus clubes.

Na Série B de 2013 a situação foi ainda pior, com jogadores de pelo menos 12 equipes reclamando de atraso ou falta de pagamento.

É um absurdo, porque o sujeito conta com o dinheiro no dia em que deveria receber, tem seus compromissos financeiros a cumprir e muitas vezes fica a ver navios. Fora que, tendo conversado com muitos deles, não são poucos os que têm receio de reclamar publicamente e acabar queimados pelos dirigentes/patrões e fritados no mercado.

Já vi torcedor dizendo que há jogador que recebe 700 mil reais por mês e pelo jeito há mesmo, mas se o clube se comprometeu a pagar a quantia tem de a quitar na data certa. Se não pode honrar o combinado, que não tivesse inflado sua folha salarial, algo que vale quando se trata das comissões técnicas também.

Lembro, ainda, que se há atleta ganhando salários polpudos, muitos, principalmente na Série B, vivem outra realidade. E ainda assim vários não têm recebido em dia.

O Bom Senso tem sido interessante canal para reclamação, como já vimos no caso do Náutico e da Portuguesa, que têm obrigação de honrar seus compromissos. Mas o problema não se resume a esses dois times e é muito mais sério do que isso.

A ideia de criar uma agência reguladora para o futebol, que possa cobrar dos clubes que quitem suas pendências com atletas, funcionários, fornecedores etc. etc. etc., é interessante e deve ser mais discutida. Já foi levantada pelo Bom Senso F.C., embora, até aqui, tenha sido ignorada por CBF, federações e dirigentes de futebol.

A agência, aliás, que merece um capítulo à parte, poderia tratar de outras questões importantíssimas ligadas ao esporte, como a ligação dos clubes e dirigentes com suas organizadas, a questão da segurança nos estádios, política de preço para os jogos e tantas outras mais que merecem discussões aprofundadas.



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