O pecado do Flu



Tenho dito que é surreal _e acho surreal mesmo_ ver o Fluminense chegar à última rodada do Brasileirão na zona da degola.

O Vasco não é surpresa, porque a crise que o clube enfrenta não é de hoje e só vem aumentando, com atraso no pagamento de salários, inclusive de funcionários não ligados ao futebol, contas rejeitadas pela oposição, enormes brigas internas, o presidente Roberto Dinamite, péssimo gestor, cada vez mais isolado… Mas o Flu?

Mesmo com toda a “ajuda” da Unimed, que banca o departamento de futebol nas Laranjeiras, o atual campeão brasileiro faz um péssimo campeonato.

Fred faz muita falta? Sem dúvida, sua contusão prejudicou muito o time. Mas não dá para depender de um jogador só e explicar a situação da equipe a partir da contusão do atacante.

O maior problema foi o racha no departamento de futebol, com atletas recebendo da patrocinadora e outros do próprio clube, como se fossem dois times formando um só.

Sem falar nas divergências, embora negadas pelas partes e por alguns torcedores, entre Unimed, que paga a maior parte das contas, e a própria direção do clube.

Foi a Unimed quem quis que Abel Braga saísse, depois de uma sequência incrível de resultados negativos. A aposta em Vanderlei Luxemburgo, que chegou com toda a pompa mesmo após ter sido um fracasso no Sul, demitido do Grêmio no inicio do Brasileiro, mostrou-se um tremendo fiasco.

A diretoria teve que aceitar o técnico por exigência da patrocinadora e as divisões no futebol apenas se acentuaram com os maus resultados colhidos por Luxemburgo.

Demitido, foi substituído por um técnico que precisa se reciclar e vinha de triste passagem pelo Vasco.

Agora nas Laranjeiras muitos choram a saída de Abel, mas é tarde.

Se me perguntarem se acho que o Fluminense cai, digo que não sei, mas ainda acredito que não. Pois dá para vencer na Bahia, um Bahia já livre do rebaixamento, e esperar tropeços do Vasco, com desafio complicadíssimo diante do Atlético-PR, em Joinville, e Coritiba, que pega o São Paulo fora de casa.

Certamente muita gente vai torcer contra, pois o Flu, que chegou a disputar lá no passado a terceira divisão, só voltou à elite depois de mudanças no futebol brasileiro que ficaram conhecidas como “virada de mesa”. Ao contrário de Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Palmeiras e Vasco, por exemplo, que já disputaram a Série B, não subiu em campo.

Mas com torcida contra ou a favor e escapando ou não do rebaixamento, o Flu tem que mudar muita coisa para 2014. E diretoria e patrocinadora voltarem a falar a mesma língua. Porque o clube tem estrutura, um elenco muito mais forte do que outros times que brigam para não cair ou já fugiram do rebaixamento e não era para estar na situação em que se encontra hoje.



  • Mario

    a unica diferença entre Flu e vasco nos ultimos anos foi o dinheiro , a incompetencia e arrogancia das suas diretorias são iguais .

    pena que tiraram os classicos das ultimas rodadas ,Flu X vasco na ultima rodada serial genial .

    • janca

      Essa de terem tirado os clássicos foi uma decisão bem polêmica, aliás. E questionável. Fora que poderíamos ter um Atle-Tiba também.

  • Robson Pacheco

    Janca, não torço pro Fluminense, mas não concordo que o clube carioca deva uma série B como muitos pregam, o Fluminense não disputou a série B em 2000 porque ninguém disputou, todas as séries disputaram o mesmo campeonato, o São Caetano inclusive, chegou à final, contou com a simpatia e até com a torcida dos outros times e se houvesse o mínimo de justiça nesse mundo, seria campeão no lugar do Vasco, pelo ocorrido em São Januário, mas ninguém diz que o São Caetano “deve uma Série B”, certo?!

    • Mario

      naquele campeonato o são caetano jogou o modulo que seria a serie B e chegou disputar o titulo por causa da formula que o classificou para disputar a fase de mata-mata e jogar a seria A nos anos seguintes , enquanto o Flu jogou o modulo que seria a serie A pulando a serie B.

    • janca

      Até porque já disputou a Série B esse ano, inclusive, e agora caiu para a C. O que os adversários reclamam é que o Flu não subiu em campo e de fato não subiu. Mas as circunstâncias eram outras e pelo menos desde que o Brasileiro passou a ser de pontos corridos a história mudou e quem caiu teve que subir disputando a Série B. Em campo e sem virada de mesa. O que é bom para o futebol.

  • Eddie The Head

    Janca,discordando de você,desço do muro e digo : O Fluminense cai,infelizmente. A situação do Vasco é muito ruim,a do Fluminense é péssima. Enquanto o Vasco tem que vencer seu jogo e torcer por um empate ou derrota do Coritiba ou derrota do Criciúma,o Fluminense tem que vencer seu jogo e obrigatoriamente Vasco e Coritiba perderem seus jogos. Talvez o Vasco caia,mas com certeza o Fluminense vai nessa.

    E a explicação para isso é clara: Saíram Deco,Thiago Neves e Wellington Nem. Do quarteto ofensivo do ano passado só sobrou Fred,que,mais uma vez,se contundiu. Sóbis,que era banco,passou a ser titular absoluto. Bom jogador,mas sozinho não brilhou. O clube ainda apostou em Felipe,em fim de carreira. Vágner,que também era banco,passou a ser titular,e não correspondeu. Os zagueiros,que ano passado viviam grande fase,esse ano simplesmente não se acertaram. A culpa da diretoria,além de não repor as peças perdidas,foi achar que o que deu certo ano passado daria certo esse ano. Bruno e Carlinho,os laterais,também se contundiram e se afastaram por longo período do time.

    E também,Janca,um assunto polêmico,mas que fez diferença ano passado: A arbitragem. Para se ter uma idéia,Vasco,Ponte e Náutico foram derrotados pelo apito do Fluminense. Mesmo que alguns neguem aconteceu.

    Se você não acredita em esquema de arbitragem,segue uma frase clássica:

    “Yo no creo en brujas, pero las hay, hay”

    • janca

      Não é bem assim. O Fluminense não tem que vencer e Vasco e Coritiba perderem. Se o Flu vencer e Vasco e Coritiba empatarem, o Flu se safa. Fica com 46 pontos, um a mais que o Vasco e igualzinho ao Coritiba, porém com uma vitória a mais. Mas que a situação está complicada está e a última rodada reserva mesmo muitas emoções. Sobre arbitragem até aí quem foi beneficiado, pelo que vi, na última rodada foi o Criciúma, que ganhou com um pênalti inexistente. São dois pontos a mais que fazem muita diferença. Mas quem sou eu para dizer que bruxas não existem?

      • Eddie The Head

        Só para constar:

        Em relação ao Fluminense ter que torcer por derrota de Coritiba e Vasco,você tem absoluta razão. Empate de ambos é suficiente.

        Quanto aos erros de arbitragem,sei que não coloquei isso em comentário anterior,mas estava me referindo aos jogos do Fluminense contra esses times,Vasco,Náutico e Ponte,no campeonato do ano passado. Ano passado o apito deu,só contra esses times,nove pontos ao Fluminense.

      • Eddie The Head

        Só para constar:

        Em relação ao Fluminense ter que torcer por derrota de Coritiba e Vasco,você tem absoluta razão. Empate de ambos é suficiente.

        Quanto aos erros de arbitragem,sei que não coloquei isso em comentário anterior,mas estava me referindo aos jogos do Fluminense contra esses times,Vasco,Náutico e Ponte,no campeonato do ano passado. Ano passado o apito deu,só contra esses times,nove pontos ao Fluminense.

        • janca

          Confesso que não me lembro, mas esse ano erros de arbitragem seguem na competição, o que é normal, os árbitros são humanos e falíveis, tenho visto erros a favor e contra várias equipes. Não saberia apontar quem foi mais beneficiado ou mais prejudicado até aqui.

  • A verdade.

    “As Viradas de Mesa do Futebol Brasileiro”

    Antes que recomece a sacanagem cíclica dos gentios, previsíveis em sua avidez em citar o Fluminense como a besta do apocalipse ético do futebol brasileiro, ainda mais agora depois dessa decisão esdrúxula de promotor desocupado, vamos cravar os pingos nos is. Os motivos sacados pelos fariseus são sempre criativos, embora estapafúrdios, descontextualizados da verdade dos fatos, como a tal versão fantasiosa e sistematicamente reconstruída de que estamos na primeira divisão do futebol brasileiro por uma virada de mesa solitária. O comentário, retirado de seu contexto real, serve apenas à desinformação e ao reforço de um preconceito perverso e calhorda.
    A história do futebol brasileiro só poderá ser contada se contada como a própria história das viradas de mesa. Não se pode afirmar onde uma acaba e começa a outra, tal a promiscuidade entre seus enredos. Mas não precisamos ir tão longe; vamos começar pelo ano de 1981, quando Palmeiras, Bahia, Coritiba, Guarani e Náutico, cujo desempenho nos campeonatos estaduais foi pífio, descredenciando-os a disputar o Brasileiro, receberam gentilmente o convite para participar da festa da elite, sob o grotesco álibi de um regulamento que permitia que em um mesmo ano os clubes que disputassem a Taça de Prata pudessem ascender à Primeira Divisão. Em 1982 os beneficiários desse obsceno critério foram, entre outros, Atlético Paranaense e Corínthians, os mesmos de quem vamos falar mais à frente. Em 1986 o mesmo Botafogo do fanfarrão Bebeto de Freitas devia cair à luz do regulamento do Brasileiro daquele ano. O Clube dos 13 prontamente correu em socorro de seu afiliado e promoveu a Copa União, mantendo o alvinegro carioca no andar de cima. Em 1993, já aí comovida com o desespero do Grêmio, que não subiu pelo campo, a CBF fez retornar à Série A os doze primeiros da B, ajudando de lambujem o Vitória da Bahia, oferecendo-lhe elevador para a cobertura em plena competição. Foi o São Caetano da vez. Há ainda os casos de São Paulo, Vasco e Santos, que não conseguiram desempenho nos estaduais de forma a credenciá-los à divisão da elite, mas foram convidados, aceitando a mesura docemente constrangidos. Há muito mais. Mas para o que aqui vai se argumentar é o que basta.
    O Fluminense, pelos critérios vigentes em 1996, deveria ter sido rebaixado. Muito bem. Mas isso caso o campeonato tivesse transcorrido em um ambiente de normalidade esportiva. Qual o quê! Tão logo se encerrou a farsa, o Brasil assistiu perplexo a uma série de reportagens do Jornal Nacional trazendo à tona um dos maiores escândalos não apenas do futebol brasileiro, mas de toda a nossa pródiga história de escândalos. Vinha à luz o indecente episódio do 1-0-0, que ficou conhecido como o Caso Ivens Mendes. Sob o olhar estarrecido da sociedade brasileira, o JN denunciava um imoral esquema de manipulação de resultados, capitaneado pelo diretor de arbitragem da CBF e pelos senhores Alberto Dualibi e Mário Petráglia, dos reincidentes Corínthians e Atlético Paranaense. Naquele momento o futebol brasileiro se viu diante de sua maior vergonha, vazou o fundo do poço nas asas da prostituição de quem por ele deveria zelar.
    Quando se esperava a punição criminal dos envolvidos e o sumário rebaixamento das agremiações beneficiadas pelo esquema (que, por sinal, ganharam títulos nacionais após a irrupção do escândalo), adotou-se a solução salomônica e asquerosa de não rebaixar ninguém, limitando-se a CBF a punir desportivamente os dirigentes, e não os clubes imoralmente beneficiados. Nesse momento de mancha histórica de nosso futebol a decisão includente e equivocada deveria ter sido objeto de repúdio por parte de todos os dirigentes dos clubes não envolvidos e por toda a imprensa ética. Não se viu nem uma coisa nem outra. Em vez de protestar publicamente contra a imoralidade, um abjeto dirigente tricolor, destituído da representatividade emanada da imensa maioria de nossa torcida, fez do deboche a expressão do regozijo, espocando um champanhe que nos transformou em inimigo prioritário da opinião pública. Aquele gesto, abominável em si, teve ainda o condão de desviar do foco das medidas que deveriam ser adotadas para iniciar-se a moralização do futebol brasileiro com a punição dos responsáveis por um episódio chulo e vergonhoso, o do esquema 1-0-0. O champanhe foi o habeas-corpus da quadrilha, esta uma expressão muitas vezes usada pelo mesmo Jornal Nacional para definir a turma dos dedos leves e contas pesadas.
    O Fluminense caiu em 1997. E disputou a Segunda Divisão. Caiu em 1998, e, para espanto de uma opinião pública descrente, disputou e ganhou a Terceira Divisão, tendo a correr pela beira das várzeas em que jogamos um técnico tetracampeão do mundo. Só o Fluminense, por seu passado e peso em nossa história, pôde se dar esse luxo. Estávamos preparados para disputar a Segunda, em 99, quando um imbroglio jurídico – por sinal, mais uma vez envolvendo até a medula a vestal Botafogo, do ínclito Bebeto, e o São Paulo do nem tão ínclito Sandro Hiroshi # patrocinado pelo Gama, prometia inviabilizar a realização do Brasileiro de 2000. À semelhança de 87, com a Copa União, optou-se por entregar ao Clube dos 13 a organização do Brasileiro, que recebeu a redentora alcunha de Copa João Havelange. Foram muitos os convidados, afinal a JH contou com a oceânica participação de 116 clubes! Seu regulamento era um convite ao delírio, e possibilitou inúmeras #viradinhas# de mesa nos módulos inferiores. Foram mais de 10! A JH produziu ainda um absurdo diante do qual toda a imprensa brasileira se calou: o fato de o São Caetano ter se habilitado à Libertadores sem que houvesse disputado a Primeira Divisão. Estranho, não é?
    Se a JH serviu como base para definir os representantes brasileiros na Libertadores, por que não serviria para definir os participantes de nossa Primeira Divisão do ano seguinte? E aqui cabe lembrar: da JH a 2002, o Fluminense foi o clube brasileiro que mais pontos acumulou na divisão de elite.
    Recusamos veementemente o papel de beneficiário exclusivo das armações do futebol brasileiro. Somos a torcida líder em acesso à internet; a responsável por transformar um simples uniforme, o laranja, no maior fenômeno de vendas entre todas as torcidas brasileiras; só perdemos em exposição de mídia, em 2002, para os finalistas Santos e Corínthians; batemos freqüentemente os recordes de audiência em tv por assinatura; somos uma nação orgulhosa de sua história, um clube de massa, com representação em todo o território nacional.
    A ter que recuar para que se restaure o império da ética, voltemos a 1996, quando a face podre se tornou visível. Aí sim poderemos zerar o hodômetro moral do futebol brasileiro, com a punição exemplar dos envolvidos no episódio Ivens Mendes, inclusive as agremiações beneficiadas por essa nódoa de nossa história. Até lá exigimos que o Fluminense seja respeitado pela força de sua torcida e tradição, que não pode ser confundida com atitudes isoladas de inquilinos transitórios de Álvaro Chaves.
    Não se pode embaralhar o Fluminense com o gesto isolado de um dirigente, assim como não se pode tomar o Botafogo pelo Bebeto; o Vasco pelo Eurico; a Globo pelo Galvão; a ESPN pelo Trajano. Citar o Fluminense como beneficiário exclusivo das fétidas articulações de bastidores, como exemplo único de transgressão às normas, é de um delírio cretino. Ao citar um caso isolado, tragam-no para o ambiente cultural em que ele se forjou, um ambiente em que não há bandidos nem mocinhos, e sim uma absurda cumplicidade e omissão. Só os torcedores-cidadãos podem mudar esse quadro # e já passou da hora.
    Como nos ensinou um dos mais ilustres tricolores, o imortal Nelson Rodrigues: #O Fluminense tem a vocação do eterno: tudo passará, só o Fluminense não passará#.

    • janca

      Não é só o Fluminense que não passará. Outros clubes têm a vocação do eterno. O Flamengo e o Vasco, por exemplo, não têm? E o que falar de Corinthians, Grêmio e tantos outros times importantíssimos e históricos do futebol brasileiro? Na sua opinião também não têm a vocação do eterno? Sou fã do Nelson Rodrigues, mas o futebol brasileiro, com todo respeito a você, João, não se limita ao Fluminense. Abs. e boa sorte na última rodada. Ainda acho que o Flu não cai, mas a rodada promete em termos de drama e fortes emoções.

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