Alex x Roger



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei no LANCE! da última terça sobre a polêmica que envolve Alex, do Coritiba, e Roger, hoje comentarista do SporTv:

“E não é que Alex, do Coritiba, resolveu abrir a boca e detonar os comentários de Roger no SporTv?

Em entrevista à revista “Placar”, o meia reclama que o ex-jogador e hoje comentarista tem batido forte em alguns atletas, citando caso do Fluminense, e insinua que não tem moral para falar “porque a gente sabe como ele se comportava no dia a dia, sabe o tipo de jogador que era”.

Alex tem todo o direito de não gostar dos comentários de Roger e até dizer que ainda não viu o ex-jogador analisando seu futebol e que está “cagando” para isso, o que duvido, aliás, mas Roger pode e deve exprimir o que pensa. Mesmo que quando jogador tenha feito suas besteiras. Não tem que ser um exemplo de comportamento para poder criticar o futebol de A ou B ou mesmo a postura de C ou D.

Só falta agora quererem censurar o que diz o comentarista do SporTv. Assim como Alex tem o direito de protestar e criticar Roger em sua nova função, o ex-jogador também tem o de colocar o que pensa dos atletas que entram em campo.

Nessa celeuma, enfim, fico ao lado de Roger Flores, que passou a ser chamado também pelo sobrenome depois que começou a comentar na TV. É a tal da “cultura brasileira”, que merece um capítulo à parte, já que normalmente jogador que passa a ser técnico ou comentarista ganha sobrenome também. Quando é atleta, a maioria tem só nome ou apelido. O que diz muito sobre como se vê futebol por aqui e quem, para muitos, é o protagonista. E depois reclamam dos tais “professores”… Mas isso é assunto para outro artigo.

O próprio Alex tem todo o direito, se convidado e aceito o convite, de comentar a Copa de 2014 para alguma emissora de TV, por exemplo. Mesmo que até hoje não engula o fato de ter sido cortado por Luiz Felipe Scolari da Seleção Brasileira pentacampeã mundial em 2002, quando se sentiu traído e acabou torcendo muito contra o Brasil. Um direito que lhe cabe. Ou alguém acha que Mano Menezes vai vibrar pela Seleção na Copa do ano que vem? Torcendo contra ou a favor, Alex tem condições de comentar o Mundial de 2014, como Roger tem o de analisar futebol, que entende como poucos.

Ao comentar, não acho que Roger esteja agindo como o dono da verdade. Quem talvez esteja nessa posição seja o próprio Alex, queridinho de boa parte da imprensa e que ainda acha que um “cara” que nunca jogou bola não tem base para analisar o futebol do outro. Se pensarmos assim, quem não é economista não pode criticar ou comentar a situação econômica do país? Quem não é político não pode analisar Executivo ou Legislativo? Claro que pode. Numa época em que vemos tanta polêmica a respeito da limitação às biografias no Brasil, num claro cerceamento ao direito de expressão, temos que ter cuidado também no mundo do futebol. Menos, Alex.”



  • mario

    vivemos em uma democracia livre e as pessoas podem censurar uma as outras o que não se é a globo censurar seus comentaristas .

    sobre censura acho muito mais interessante o assunto do Felipão ter fugido dos jornalistas quando perguntado sobre Diego Costa , pois afinal se ele não quer responder aos jornalistas que vá trabalhar no Banco do Brasil.

    • janca

      Deixar de responder uma pergunta é direito do Felipão, mas a questão feita, salvo engano, pela “Folha” era extremamente pertinente. É curioso técnico que já treinou outras seleções criticar um jogador por escolher outra cidadania que não a brasileira, no caso a da Espanha, país que acolheu Diego Costa. Mas Felipão tem dito que sua reação à recusa do Diego Costa não é exatamente a que foi descrita por alguns… Enfim, na coletiva pisou na bola ao tentar desqualificar a questão que lhe foi feita e que era interessante, sim.

  • Guilherme Louzada

    Janca, belo texto, parabéns! O Alex é um craque, mas, na minha opinião, a sua arrogância não o deixa ser maior!

    • janca

      Ele é um excelente jogador, tem boas ideias, mas daí a se achar o dono da verdade acho complicado. Parece que quer tirar o direito do outro se exprimir, o que não é nada bacana, diga-se de passagem.

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