O exemplo do Sul



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei no LANCE! na semana passada sobre o marketing dos times do Sul:

“Não é de hoje que os times do Sul, Grêmio e Internacional, podem ser vistos como exemplos bem-sucedidos em ações de marketing esportivo. Tirando o trágico período em que fez parceria com a falida ISL, agência que trabalhou também com o Flamengo e só lhe deu dor de cabeça, o Grêmio há tempos faz uma série de iniciativas em conjunto com o Inter, explorando com inteligência a fortíssima rivalidade entre os dois. Na capital gaúcha e mesmo em cidades do interior, ainda no final da década de 80, início da de 90, você encontrava em shoppings, centros comerciais ou até em rodoviárias um quiosque que vendia produtos licenciados de um ao lado de outro que negociava os do time rival. E hoje não é muito diferente.

Quando o assunto é o programa sócio-torcedor, que também virou moda em São Paulo e no Rio, Inter e Grêmio mais uma vez podem ser considerados pioneiros. Fazem excelente trabalho, dando inveja a muitos paulistas e cariocas, exceção feita ao Corinthians, que fez do Fiel Torcedor, com a força de sua torcida, um tremendo sucesso em pouquíssimo tempo. Trabalhando há muitos anos a questão da fidelização, os gaúchos têm, em conjunto, quase 200 mil sócios-torcedores.

Lembro do exemplo do Sul porque, com a nova arena do Grêmio e a remodelação do estádio do Inter para a Copa de 2014, diretores dos dois clubes têm conversado entre si, com seus parceiros comerciais e investidores para definir uma política de preços para os jogos. E isso é algo importantíssimo, porque até hoje clubes, administradores de estádios e organizadores de campeonatos não sabem direito quanto cobrar pelas partidas. Têm dificuldades para definir quando um jogo, seja pela importância do torneio, fase do time, qualidade do adversário, horário, concorrência da TV ou o motivo que for, vale mais ou menos que o outro. E quanto a mais ou quanto a menos…

Que a discussão sobre quanto vale o show não fique restrita ao Sul e tenha a participação ativa dos clubes de outros estados e dos consórcios que administram ou administrarão algumas das novas arenas, porque é importantíssima num momento em que tanto se fala no possível processo de elitização do futebol.

Mesmo o efeito da meia-entrada no esporte ainda é desconhecido por muitas agremiações, quando não deveria ser. Mas não é só desconhecido por elas. No setor cultural, por exemplo, a confusão continua, mesmo depois de a presidente Dilma Rousseff ter sancionado o Estatuto da Juventude, limitando em 40% do total de ingressos os vendidos como meia-entrada. Não é que os produtores culturais, que defendiam a medida e diziam que ela iria baratear o preço cheio de boa parte dos espetáculos em cerca de 30%, mudaram o discurso? Lembram que a inflação assusta, o dólar andou instável, os impostos são altos e admitem que a redução no preço dos ingressos talvez não aconteça. O que diz muito sobre como funciona o setor. O cultural e o esportivo. Já o consumidor… Bem, o consumidor…”

* Hoje e Sempre: Depois de a Editora Dublinense ter lançado “Grêmio Hoje e Sempre”, de Fernando Leite e Vicente Fonseca, contando a história tricolor em cada dia do ano, num livro dividido em 12 capítulos, representando os meses do ano, foi a vez de colocar à venda “Inter Hoje e Sempre”, de Daniel Cassol e Douglas Ceconello, sobre a trajetória do Colorado, com fatos curiosos, ídolos, conquistas e tragédias também;

* O Segundo Tempo: Já citei por aqui, mas repito porque é uma obra interessantíssima que tem o Gre-Nal do século, aquele de 1989, como pano de fundo para contar a história de dois irmãos. Trata-se do livro “O Segundo Tempo”, de Michel Laub. Recentemente o autor, que é gaúcho, lançou “A Maçã Envenenada”, que trata com leveza um tema tão complexo como o suicídio, misturando o grupo Nirvana com o genocídio de Ruanda;

* Provocações: Desde que fiquem apenas no campo e não partam para a violência dentro ou fora dele, as provocações fazem parte do Gre-Nal e podem ser sadias mesmo nos tempos do chamado politicamente correto. Nas cutucadas entre D`Alessandro e Kleber dá para perceber que os dois vestiram as camisas de seus respectivos clubes, especialmente o argentino, que considero um dos jogadores mais dedicados ao Inter.



  • André

    O Inter só tem torcida no Sul e fatura mais com marketing que muito time do Rio ou de SP. Ter dois times grandes facilita. Um age e faz o outro se mexer. Exemplo não é só no Sul. Os times mineiros viajam em céu de brigadeiro.

    • janca

      Não é verdade que só tenha torcida no Sul, mas o fato de faturar mais com produtos licenciados do que o Flamengo, por exemplo, quer dizer alguma coisa. Muita, aliás. Sobre os times de Minas também têm sido exemplos, sim.

  • Cassiano

    No Brasileiro Inter virou decepção. Grêmio vai à Libertadores, tudo bem, mas Inter + Corinthians + Fluminense foram as três maiores decepções. A falta que um estádio faz. Cruzeiro sofreu quando não teve Mineirão, Inter sofre sem Beira-Rio, Vasco tá caindo porque ficou sem Maraca e São Januário. Um time tem que jogar em sua casa.

    • janca

      Que falta faz um estádio… E a Lusa, que vendeu o jogo contra o Flamengo para fazê-lo no Castelão e levou calote? A parte dela parece que já recebeu, agora tem que tratar de fazer o dinheiro chegar também às federações, que ^têm direito a uma parte da renda do jogo.

  • Fernando

    D`Alessandro é o jogador que mais dá garra ao time. Exemplo de jogar que veste a camisa. Bem lembrado, Janca. Já política de preço para estádios no Brasil não existe, fico feliz em saber que o assunto preocupa Inter e Grêmio. Tem que preocupar os outros times também. No setor cultural política é do quanto mais alto melhor. Com ou sem meia-entrada.

    • janca

      Mas muitas vezes o quanto mais alto (o valor do ingresso) melhor é sinal de teatros ou espetáculos não tão cheios assim.

  • Mazurca

    O Sul não é só exemplo de marketing esportivo. Em literatura é nota dez. Bem lembrado do livro do Laub.

    • janca

      E a feira do livro que acontece em Porto Alegre é incrível também.

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