Papo com Mortari



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei no LANCE! no mês passado e retrata a falta de política esportiva e de projetos para as modalidades às vésperas dos Jogos de 2016, que ainda têm sido pouco comentados já que, por enquanto, seguem ofuscados pela Copa de 2014:

“Outro dia estive no Esporte Clube Pinheiros, do qual sou sócio há quase quatro décadas, e tive o prazer de conversar com Claudio Mortari, um dos melhores técnicos da história do basquete brasileiro. Como tenho feito com representantes de diversas modalidades olímpicas, logo lhe perguntei sobre sua impressão a respeito da Olimpíada de 2016 e as expectativas para o evento. Mortari, que comandou o basquete masculino do Brasil nos Jogos de Moscou, em 1980, acredita que os do Rio ainda podem ser o início de uma transformação para o esporte brasileiro. Mas lamenta que muito se fale das obras, algumas já atrasadas, por sinal, e pouquíssimo sobre a preparação das equipes.

É uma reclamação quase generalizada, pelo que tenho observado. Há muitos técnicos e jogadores protestando contra a falta de um planejamento para desenvolver de fato as modalidades, massificar a prática esportiva no país e, depois dos Jogos, apresentar projetos que deem continuidade ao que tiver sido feito para o Rio-2016.

É uma pena, porque, apesar de Mortari achar que ainda há tempo para governo, Comitê Olímpico Brasileiro e confederações se mexerem, temo que só comecem a fazê-lo, se o fizerem, após a Copa-2014, que tem canalizado a atenção da opinião pública e da imprensa esportiva, quando já estaremos quase em cima da hora e tudo fica mais complicado. Porque aí os dirigentes acabam trabalhando na base do improviso, apostando em medalhões e perdendo uma grande oportunidade para atrair mais público, novos praticantes e investidores privados para o esporte olímpico.

Mesmo a cobertura esportiva, com a atenção hoje quase toda voltada ao futebol, mudou um bocado, lembra Mortari. No final dos anos 70, início dos 80, quando times como Sírio, pelo qual foi campeão mundial em 1979, Monte Líbano, Corinthians e Franca, entre outros, eram destaques, ginásios viviam cheios, jogos eram transmitidos também por emissoras de rádio e as principais estrelas não saíam dos telejornais da Globo. Jornais como “Folha” e “Estadão” acompanhavam o dia a dia do esporte e volta e meia davam uma página ao basquete, que com o tempo foi perdendo espaço e sumindo do noticiário.

A oportunidade de mudar o quadro do esporte no Brasil seria agora, com a próxima Olimpíada em nossa casa, nosso quintal. Mas não sei se será, porque, apesar de Mortari manter um certo otimismo, afirmando que ainda há tempo, sei não, sei não… Pois no fundo seu discurso lamentando a falta de um projeto esportivo nacional para 2016 assemelha-se muito ao que escuto de atletas de tênis de mesa, ginástica, saltos ornamentais, esgrima e tantas outras modalidades olímpicas, que se sentem órfãos. Apesar de o COB viver irrigado por verbas públicas. Mas não é só dele, COB, a responsabilidade pelo problema. É do governo também. Não temos cultura de formação e desenvolvimento de atletas em escolas e universidades. Aliás, mal temos escolas… Fora a falta de centros e espaço público para a prática esportiva. Sem tratar esporte e cultura como política de Estado fica difícil mudar o quadro.”



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