CBF contra MP



A CBF já acionou seu departamento jurídico e tem mantido contato com parlamentares e advogados sobre a MP 620, a medida provisória aprovada pela Câmara dos Deputados que, entre outras coisas, limita mandatos de dirigentes esportivos de entidades que recebem recursos do governo federal.

Na visão da cúpula da confederação _leia-se José Maria Marin e Marco Polo Del Nero_ ela não se encaixa no caso porque não recebe verba pública, ao contrário do COB, que vive de dinheiro do governo.

O próprio Romário, deputado que lutou pela aprovação do texto que limita mandatos de cartolas a quatro anos, com direito a apenas uma reeleição, já lamentou que a CBF, diferentemente do COB, não se enquadraria no caso.

Mas advogado da ONG Atletas pela Cidadania, entidade que ajudou a formatar o texto e conta com alguns dos principais nomes do esporte olímpico brasileiro, tem outra visão. Alega que a CBF, por ter isenções tributárias, encaixa-se sim na MP.

Outra questão a ser discutida é que, como administra a Seleção Brasileira de futebol, um dos principais produtos nacionais e vive às custas dela, a CBF não poderia ficar de fora da medida, que ainda passa pelo Senado antes de ir para sanção presidencial.

Anos atrás o COB, já nas mãos de Carlos Arthur Nuzman, que assumiu a entidade em 1995 e lá insiste em ficar até hoje, argumentava que os recursos que recebe das loterias _via Lei Piva_ também não poderiam ser considerados públicos, tese descartada por um grupo de juristas.

O esporte olímpico, além das verbas das loterias, vive com dinheiro de estatais e incentivos fiscais ao esporte. Não são poucos os casos de dirigentes que ficam por décadas no poder, o que a MP tenta coibir. Perpetuando-se no cargo, perderiam o direito de receber grana governamental.

O projeto do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) ataca um dos grandes males do esporte brasileiro, a falta de rotatividade no poder.

A ONG Atletas pelo Brasil, que festejou a aprovação do texto pela Câmara, acha que a emenda pode ser um passo muito importante para começarmos a reestrurar (ou estruturar, diria eu) o esporte de alto rendimento no pais. Dela participam nomes de peso, como Ana Moser, Raí, Gustavo Borges, Hortência e Pipoka, entre outros, que têm debatido essas e outras questões no Congresso. E debater, mais do que nunca, é preciso. Como tanto tenho repetido, novas vozes são necessárias. E como…



  • Mario

    mas se a bicho pegar a CBF/Marin/Del Nero podem abrir mão das isenções tributárias , o famoso perder os aneis e manter os dedos.

    A falta de rotatividade no poder mão faz mal , o que faz mal são essas péssimas e ridiculas lideranças dos nossos cartolas das federações e clubes .

    se tivessemos um David Stern/CEO da NBA como cartola da CBF seria quase perfeito.

    existe algum dispositivo que evitar que um cartola eleger um testa de ferro?(esposa , Filho ,motorista e etc)

    • janca

      Oi Mario. Existe um dispositivo, sim. Não podem ser eleitos cônjuges nem parentes até segundo grau. Vale menção para o trabalho do deputado Cássio Cunha Lima (PSDB-PR), que vinha defendendo há tempos limitação de mandato de dirigentes. Acho que a falta de rotatividade no poder atrapalha, sim, porque é muito bom termos novas ideias e uma situação e uma oposição fortes. Em relação ao que você diz sobre irem os anéis e ficarem os dedos, concordo. A CBF deve seguir essa linha, se for o caso. Mas a bancada da bola, que há tempos era contra medidas como essa, tem tido contato direto com a cúpula da CBF. Se bem que o grande prejudicada será o COB, esse sim mamando há tempos nas tetas do governo. E põe tempo nisso…

      • Smith

        Esse C. A. Nuzman tá igual uma múmia a frente do COB. Mamando nas tetas e se enriquecendo, enquanto o esporte nacional vive à mingua… Deu um rombo de 5 bilhões no PAN do Rio, e os políticos corruptos, ou a Justiça, nada fizeram para tirá-lo de lá…

        • janca

          O orçamento inicial do Pan-2007 estava na casa dos R$ 400 milhões. Gastaram quase dez vezes mais e o legado foi menor do que o prometido em 2003, no final dos Jogos de Santo Domingo.

  • Henre Heine

    pela reação se vê que estão mal intencionados! o dsgçado do marim já está com um pé na cova e não quer largar o osso!!! TEM QUE LIMITAR SIM! TEMOS QUE ACABAR COM A FARRA DA CORRUPÇÃO EM TODAS AS ENTIDADES. recebendo dinheiro ou não, o que importa é que indiretamente representam milhões de brasileiros-torcedores, que não tem nenhuma participação nas decisões.

    • janca

      No caso da CBF ela usa as cores do Brasil, a seleção, um dos principais símbolos do país, não entendo como pode se considerar entidade privada. Administra um dos principais bens públicos do país e faz dele o que bem entender, como vimos com Ricardo Teixeira e seguimos vendo com o Marin.

  • Marcelo Ulianov

    O EStado tinha é que intervir agora, acabar com essa entidade porca. DUVIDO que a dona fifa teria peito de mexer seus pauzinhos contra, bem agora com a Copa do Mundo aqui na porta…

    • janca

      Oi Marcelo. Mas intervenção do governo também sou contra. Ainda mais vendo tudo o que se passa com nosso Executivo, Legislativo e Judiciário… É de doer. Como é de doer a forma como funcionam CBF e COB, por exemplo. De qualquer forma não deixa de ser um começo _a MP_ e a simples discussão por ex-atletas, esportistas, sociedade civil e o próprio governo, que afinal é quem financia o esporte olímpico _com nosso dinheiro_ e vê a CBF administrar a seleção, um dos maiores símbolos nacionais. E da forma como administra… Como se fosse dela, quando deveria ser nossa. A simples discussão já acho um passo adiante.

  • Cleibsom Carlos

    Janca, diria que este pessoal está mais preocupado é com a abertura das contas da CBF, dos clubes, das confederações e das federações, esta caixa preta que ninguém tem acesso! A CBF não pode apenas recusar a isenção de impostos e passar a pagá-los e dizer que não se enquadra na lei porque isto escancararia o dinheiro que circula pela instituição. Tenho a suspeita de que eles focam na reeleição para desviar o foco da grana, que para eles é o que importa…

    • janca

      Muitas entidades alegam que são fiscalizadas pelo TCU e têm as contas aprovadas. Mas muitas têm as contas aprovadas em assembléias, o que não quer dizer muito. E até aí o Maluf é um que diz que as contas de suas administrações como prefeito ou governador também eram aprovadas por tribunal de contas. O que não quer dizer muito, enfim. Só que, voltando ao caso da CBF, ela se dizer uma entidade privada e recusar dinheiro das loterias, como fazia nos tempos do Teixeira, era sim uma forma de dizer “nas nossas contas ninguém mexe”. Alegando, inclusive, não receber dinheiro público, ao contrário do que acontece com o COB, que vive disso.

  • Waltemir

    Será que finalmente o desporto nacional vai se livrar desse cancer? Será que esses corruptos vão trabalhar? Algum deles está pobre? Eu so acredito vendo. Essa teta é gorda e ninguém vai largar facilmente. Esses caras se perpetuam no poder não para servir ao esporte mas para se servirem dele e suas ratoeiras são as Federações e Confederações? Há quem diga que o regime venezuelano é uma ditadura. Ditadura verdadeira sõa os mandatos dos presidentes das Confederações e Federações. Hugo Chavés é pinto diante desses caras.

  • francotimao

    Ola, João, como diz o ditado: antes tarde do que nunca, melhor agora essa emenda que ficarmos estáticos vendo esses crápulas se apoderarem das instituições e, penso que depois de aprovada poderemos vir a aprimora-la sempre em beneficio da não continuidade…Abs!!!!!!

    • janca

      Oxigenar o ambiente e as ideias pode ser algo bom. Presidentes eternos que não acho uma coisa bacana. Para o esporte ou para a política. Aliás o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tinha proposta para limitar reeleição de deputados e senadores, o que seria excelente também.

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