Do bolso do colete



Em maio passado escrevi uma coluna alertando para o risco de termos um nome tirado do bolso do colete de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do Comitê Organizador Local da Olimpíada de 2016, como novo membro do Comitê Olímpico Internacional.

Os dois nomes mais fortes eram os de Bernard, ex-jogador de vôlei e fortíssimo aliado de Nuzman, e Marcus Vinícius, também da geração de prata do vôlei e que liderou nossa delegação em Pequim-2008. O primeiro tinha mais chances do que o segundo, já que era visto por Nuzman como ainda mais ligado à cúpula que comanda o esporte olímpico no Brasil do que Marcus Vinícius.

Não tenho nada de pessoal contra um (Bernard) nem contra outro (Marcus Vinícius), mas defendia que a sociedade civil e o governo pelo menos discutissem outras alternativas, já que somos nós que pagamos a conta. O COB, afinal, vive irrigado por verbas públicas, via estatais, leis de incentivo ao esporte e recursos das loterias.

Necessitávamos de outras vozes, não das de sempre. Mas nada foi feito para isso, Nuzman e Bernard trabalharam à vontade e o segundo acabou eleito.

No currículo de Bernard leio que pesaram, além de sua experiência como atleta e dirigente fortemente ligado a Nuzman, o fato de ter  sido secretário de esportes no governo Fernando Collor de Mello, deputado estadual e um dos organizadores do Pan de 2007, aquele que acabou com orçamento decuplicado e legado minimizado.

É uma pena. Teremos mais do mesmo, mais do mesmo. E Nuzman, vale lembrar, também segue no COI, embora sem direito a voto, já que completou 70 anos. Por ele, pelo jeito, quem vai votar é Bernard, alinhadíssimo que sempre foi com quem comanda o esporte olímpico no Brasil desde 1995. Lá se vão quase 20 anos e o poder segue nas mesmas mãos. Até quando?



  • Cleibsom Carlos

    Espero do fundo do coração que a MP 620 torne-se lei em um futuro próximo e extermine toda essa laia!!!!!!

    • janca

      Não tem sentido, Cleibsom, um dirigente se perpetuar no cargo como vemos no COB e na CBF, que parecem entidades privadas, com donos, ou melhor, reis. E ainda, especialmente no caso do COB, vivendo das tetas do governo. É o meu, o seu, o nosso dinheiro. Por isso é importantíssima uma MP como a 620, a MP do Esporte, que vou abordar melhor amanhã.

      • Mario

        o que ira impedir do cartola eleger no seu lugar a esposa ou filho ou cunhado?

        • janca

          A legislação, pelo que entendi, irá proibir _a MP, digo. Pelo menos no caso de mulher e filho. Já cunhado confesso que não sei se entra na história, embora devesse. Vou pesquisar antes de comentar melhor a medida amanhã, pois já tem entidade se mobilizando contra ela… Precisa de aprovação no Senado também.

  • Josué

    João um tempo atrás comentei sobre esse Sr Nuzman (nem sei se o título se senhor lhe cabe) e o qualifiquei de NEFASTO…. Eu ia perguntar onde está o governo federal que não tira este bandido do COB, ai vem a lembrança que o governo federal tinha aquele ministro,( é aquele mesmo com todos adjetivos de baixo calão que ele merece) e o mesmo governo que colocou o ministro atual (sem comentários, porque ele não é digno)…… então teremos que aturar um sujeito que nem falar sabe, pois tem FIMOSE NA LINGUA….. bandalho….abs

    • janca

      Mas não há provas nem denúncias de corrupção, pelo que eu saiba, contra o Nuzman, Josué. Sem querer defendê-lo é uma situação, a não ser que apontem para outra direção, diferente da que envolveu o Ricardo Teixeira e o João Havelange, que acabaram renunciando a todos os cargos “esportivos” que tinham. Havelange, aliás, de quem Nuzman é fã. Mas até aí… Um direito dele. O que questiono em relação ao COB é que vive das tetas do governo e não vejo resultados práticos, funciona como se fosse uma entidade particular, o presidente é quase vitalício, tem o colégio eleitoral nas mãos, faz o que quer, distribui as verbas como acha melhor e a tal potência olímpica não sai do papel nem vejo chances de sair. E a responsabilidade não é só do COB, é do governo também, que não tem políticas públicas decentes para desenvolver o esporte olímpico no Brasil.

  • francotimao

    Ola, João, já passou de indecência oque ocorre nestes instituições com a perpetuação no poder desses caras que quando iniciam no cargo demonstram uma certa competência e honestidade, mas com o passar do tempo inexoravelmente se tornam incompetentes e desonestos e quanto ao dois nomes citados só por se alinharem com Nuzman antecipadamente já sou contra eles ocuparem qualquer cargo…Abs!

    • janca

      Mas não há nenhuma prova ou denúncia de desonestidade, Francotimão, isso é importante salientar, porque se não todo mundo fica na vala comum e não é bem assim. Mas de má gestão eu creio que sim, tanto que até o ministro do Esporte reclamou da preparação (ou da falta dela) e de resultados na última Olimpíada. Se bem que o governo tem sua parcela de culpa _e é grande. Não adianta só ficar dando dinheiro, via estatais, loterias ou o que for, precisa participar e cobrar eficiência e eficácia. E prova de incompetência, a meu ver, foi o que aconteceu no último Pan, com orçamento decuplicado e legado minimizado como insisto em dizer. O Engenhão, um dos principais “legados” do evento, está aí para todo mundo ver. E o Maracanã, que estaria no padrão Fifa, tanto não ficou que consumiu mais R$ 1,2 bilhão do governo do Rio. Uma lástima.

  • CBDG

    Nada contra o Bernard, pois ele é um dos ícones do esporte brasileiro, mas a maneira pela qual o Presidente do COB e do Co-Rio escolheu o novo representante Brasileiro no COI é no mínimo inaceitável. Nenhuma das 30 Confederações filiadas foi sequer consultada. A Comissão de Atletas do COB também não. O COB perdeu a noção de como conduzir as suas obrigações estatutárias de maneira transparente e democrática. A luta por mudanças continua!

    • janca

      Temos que lutar por mudanças, sim. E o Nuzman já vinha trabalhando pelo Bernard nos bastidores há um tempo. Acho que deveria ser uma coisa discutida com atletas, ex-atletas, técnicos, dirigentes, sociedade civil e o próprio governo, que é quem financia (na verdade somos nós) o próprio COB e o esporte olímpico brasileiro. A Lei Piva que o diga…

  • t.

    não foi o bernard que certa vez quis ou apoiou uma possível transformação da barra da tijuca em município?

    • janca

      Confesso que não falo a menor ideia.

  • Cleibsom Carlos

    Não quero te pautar, Janca, mas bem que você poderia dar uns pitacos nesta volta do Muricy ao S.Paulo. Ele, que sempre se disse “ético até a morte”, não teria sido anti-ético na situação?
    Será que caiu a máscara de mais um bastião da moralidade?

    • janca

      Dei minha opinião no próprio LANCE! e no LANCENET! também. Achei a troca de técnico acertada, apesar de eu ter restrições ao trabalho do Muricy, que foi uma lástima no último ano e meio que passou no Santos. Mas acho que ele é melhor do que o Autuori e para o São Paulo, nesse momento, pode ser a solução. Sobre falta de ética não vi nenhuma, Cleibsom. Quem quis se desfazer do Autuori, que fez uma campanha medíocre, foi a direção do São Paulo. O problema com o Autuori é do São Paulo, não do Muricy. E nunca o vi como bastião da moralidade… O Muricy, digo.

      • Cleibsom Carlos

        O próprio Muricy sempre alegou que se pautava pela ética e que não conversava com clubes que ainda tinham técnicos e o que corre nos bastidores é que ele já conversava com a diretoria s.paulina antes da demissão do Autuori, sem contar suas entrevistas dizendo que aceitava dirigir o S.Paulo até na 2ª divisão. Pelo menos para mim deu a impressão que ele estava vendendo seu peixe para o time do Morumbi quando este já tinha um técnico trabalhando, algo muito feio de se fazer com um “companheiro” de profissão…

        • janca

          Sim, pelas informações da própria direção são-paulina as conversas começaram antes da demissão do Autuori. Mas não acho que isso seja falta de ética. E sinceramente não me lembro de o Muricy dizer que não conversava com clubes que ainda tinham técnicos contratados. Se de fato dizia isso agora agiu de outra forma. Mas acho que, para o São Paulo, a troca foi necessária, apesar de eu ter sérias restrições ao trabalho do Muricy. Só que ele tem liga com a torcida do São Paulo, é mais enfático do que o Autuori e o São Paulo, a meu ver, precisava de um cara assim para escapar do rebaixamento. E continuo achando que escapa. Ainda mais agora.

MaisRecentes

Pela saída de Levir



Continue Lendo

Apoio a Jô



Continue Lendo

Os preços da Seleção



Continue Lendo