Galo, sorte e rótulos



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE!:

“A conquista da Libertadores pelo Galo ajudou a quebrar alguns conceitos (ou seriam preconceitos?) maldosos do futebol. Um deles é o de que Cuca seria pé-frio. Já disse em outras ocasiões que estereotipar Cuca de azarado era lamentável, lembrando o que fizeram com Telê Santana nos anos 80. Mestre Telê só se livrou do estigma depois que assumiu o São Paulo e ganhou o mundo pelo time do Morumbi.

Não é algo que acontece só no Brasil, não. O holandês Robben, por exemplo, já estava sendo chamado de pipoqueiro e tido como jogador que afina em decisões por analistas estrangeiros e brasileiros também. Não é que, bem quando alguns voltavam a fazer chacota com o atacante, que perdera mais de um gol na decisão da Liga dos Campeões contra o Borussia, ele foi lá e marcou pelo Bayern? Ajudou a dar o título ao time de Munique e a galera e alguns comentaristas deixaram de cornetá-lo pra pegar outro pra Cristo.

Não que um jogador ou um técnico não possa se dar mal em finais. E seguidamente. Isso pode acontecer, sim, inclusive por questões emocionais que afetam, de uma forma ou de outra, o poder de reação de cada um. Decisão por pênaltis, por exemplo, está longe de ser loteria. Mas que envolve o fator sorte também envolve.

O problema talvez seja que as pessoas gostem de comentar apenas depois do fato consumado e adoram rotular, simplificando o mundo, o futebol e a vida. Quando eles são complexos. E o que não falta é complexidade aí.

No ano passado, lembro muito bem que o Corinthians era a bola da vez. Em todos os sentidos. Muitos gostavam de dizer que o time só falava português, não tinha passaporte e se dava muito mal em torneios internacionais. Seria, em outras palavras, uma equipe local. Não é que bem o Timão de repente começou a se impor na Libertadores, que tratou como prioridade inclusive pra calar a boca dos rivais, e ganhou o torneio invicto? Ainda foi ao Japão no final do ano, pegou o poderoso Chelsea e saiu com o título de campeão do mundo. O clube, que para alguns não tinha nada de internacional, também abocanhou a Recopa agora em 2013, atropelando o São Paulo em dois jogos.

Com o Atlético e Cuca, que gosta de jogar bonito, foi a mesma coisa. Quando o Galo fez aquela campanha fantástica no primeiro turno da Libertadores, vencendo cinco dos seis jogos que disputou e conseguindo a melhor campanha da fase, muitos diziam que iria morrer na praia. Ainda mais nas mãos de Cuca. Mas foi avançando, avançando e avançando até ganhar a competição. E de forma dramática.

Como fizera o Corinthians, de Cássio, tornou-se campeão com todos os méritos e por uma série enorme de fatores. Entre eles um ótimo goleiro, Victor, e, por que não?, com uma mãozinha da sorte. Afinal, como dizem por aí, parodiando Nelson Rodrigues, com sorte atravessamos o mundo, sem sorte, nem a rua.”



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