O dono do Maraca



O novo Maracanã ficou mesmo belíssimo, mas boa parte da mídia preferiu destacar apenas um lado do templo do futebol brasileiro e deixar de escanteio suas mazelas. Entre elas, o preço. Acabou ficando pronto por quase R$ 1,2 bilhão, quase o dobro do previsto tempos atrás.

Também os protestos populares contra a privatização do estádio _ou concessão, como prefere chamar o governo do Rio_ não tiveram o destaque merecido.

O Maraca, afinal, é mesmo nosso? Deveria ser, pois é público e foi reformado com dinheiro do governo. Mas pelo jeito ficará mesmo com a Odebrecht, construtora que está em quase todas, como costumo dizer, e os grupos AEG e IMX.

E é aí que a confusão aumenta. Por causa do “X”, que representa as empresas de Eike Batista, um dos donos do novo Maraca, apesar de seu conglomerado estar indo para o buraco.

Só no curto prazo, as dívidas do estaleiro OSX, para ficar apenas em uma das empresas de Eike, estão na casa dos R$ 2 bilhões. E um de seus credores é o BNDES, que tem quase R$ 500 milhões para receber em agosto. Outro é a Caixa, com R$ 400 milhões que devem ser pagos em outubro.

O grupo EBX, que tem provocado desespero no mercado, vê seus papéis cada vez valendo menos e alguns negócios fechados. Apesar disso aposta no Maracanã para alavancar a IMX,  que atua no ramo de shows e entretenimentos. E pode ser vendida a qualquer momento. Tendo justamente o Maraca, que deveria ser do povo, mas pelo jeito não é, como trunfo. Definitivamente é o Brasil que não dá certo.



  • Mario

    não sou contra privatizar , sou contra essas licitações de cartas marcas aonde todo mundo sabe quem vai ganhar é o amigo dos politicos sem cobrir os custos , p/mim no caso do Maracana o certo seria abrir uma empresa e jogar as ações na bolsa quem pagar mais leva controle dele.

    na tv o Maracana é lindo , o engenhão tambem era e em menos de 10 anos foi interditado por estar podre por isso é melhor esperar p/ver se não é bonitinho mas ordinário.

    • janca

      Dependendo do caso sou contra privatização. Mas depende do caso. Não vejo sentido em o estado bancar toda a reforma e na hora de administrar se dizer incompetente para fazê-lo. Sobre o Engenhão ter saído bem na foto na TV em vários momentos, concordo. E deu no que deu. Impressionante. E deve ficar interditado até novembro/dezembro do ano que vem, sendo reaberto, pelo jeito, em 2015. Por problemas de estrutura e projeto. Inacreditável mesmo. Dinheiro público jogado no lixo. Aquele Pan…

      • Mario

        o certo seria ter privatizado antes das reformas e os novos adm dos estadios se acertasse com a CBF/COL/FIFA as reformas p/a copa ate podendo ter uma linha de credito especial com limites q seria paga, assim o estado ficaria só com o trabalho de fazer obras de mobilidade urbana, hospitais e etc mas como no brazil as coisas erradas sempre são as escolhidas pelo governo….

        • janca

          O argumento do governo é que antes das reformas ninguém toparia investir a grana para remodelar o Maraca, que acabou custando R$ 1,2 bilhão.

          • Bruno

            Janca,

            Existe uma diferença entre privatização e concessão, seja no mundo do esporte ou em outros campos da economia brasileira:

            1) A privatização significa a venda total ou parcial do ativo para a iniciativa privada (um ou mais investidores). Quando isso acontece, o governo abre mão de vez de toda ou parte da sua possessão sobre esse ativo. Isso foi o que aconteceu com a Vale, por exemplo, empresa da qual o governo vendeu parcialmente suas ações, de forma que dividiu a possessão das minas com outros investidores.

            2) A concessão significa, como o nome mesmo já diz, conceder o ativo para exploração da iniciativa privada, mas sem abrir mão da sua posse. Ou seja, a concessionária recebe o direito de explorar economicamente o ativo e como contrapartida se compromete obrigatoriamente em realizar determinados investimentos (no caso do Maracanã é a manutenção do estádio e reforma do complexo). Se esses investimentos não ocorrerem, o contrato fica sujeito a ser terminado e o ativo volta para o dono (governo do rio). De qualquer modo, caso tudo continua regular, no fim do prazo de concessão determinado pelo contrato (35 anos neste caso), a concessionária deverá retorná-lo para o estado (seu dono por direito). Isso é muito comum hoje em vários projetos de infraestrutura brasileira, principalmente quando falamos de rodovia e de setores de utilidade pública (geração, transmissão e distribuição de energia, água, gás, etc). Nestes casos, a empresa deve investir na manutenção, ampliação e construção de rodovias, hidroelétricas, saneamento, etc, e se beneficia das tarifas cobras, como a conta de luz e os pedágios. Porém, no fim, a estrada, usina, linha de transmissão, unidade de saneamento, etc – é do governo. Um bom exemplo é concessionária Ecovias responsável pelo sistema Imigrantes-Anchieta, que há época teve que investir na construção da Rodovia dos Imigrantes 2 e tem o direito de explorá-la até 2025. Contabilmente, as concessões não registram o ativo em si em seu balanço, e sim os investimentos realizados nas contas de Intangível que são amortizados ao longo da concessão.

            Essa diferença é importante, pois é o ponto de partida para qualquer análise do caso Maracanã. Até segue uma sugestão a ser feita ao Lance!: criar um blog sobre finanças do futebol, para que esses pontos sejam abordados (por exemplo, explicar a concessão do Maracanã; o possível adiantamento de R$ 150 milhões do Palmeiras com a WTorre para alongar as suas dívidas, o que significa cada tipo de dívida dos clubes – trabalhista, financeira, fiscal – etc). Os contratos de concessão em geral são públicos e podem ser achados facilmente. A minuta do Maracanã está em: http://download.rj.gov.br/documentos/10112/1288219/DLFE-56020.pdf/MinutadoContratoNEW.pdf.

            Um abraço,

            Bruno

          • janca

            Sim, são situações diferentes, mas abrir mão do estádio por 35 anos, recebendo um aluguel barato perto do lucro que a iniciativa privada pode ter, é brincadeira de mau gosto, Bruno. Sendo que o Maracanã, é importante ressaltar, passou por três reformas para chegar ao tal padrão Fifa. A primeira antes do Mundial de Clubes de 2000, vencido pelo Corinthians. A segunda para o Pan de 2007, com a promessa de que ficaria adequado para receber o Mundial de 2014. Não só não ficou, como foi colocado abaixo e reconstruído por quase R$ 1,2 bilhão. Uma piada, já que a promessa era de que ficaria pronto por um valor bem inferior. Como o Engenhão, aliás, em 2007. O orçamento inicial era de R$ 60 milhões, a obra terminou custando R$ 380 milhões. A administração foi repassada para o Botafogo _pela Prefeitura do Rio_ e agora o estádio está interditado por problemas estruturais e talvez só seja reaberto em 2015. Estão brincando com o dinheiro público, Bruno. Grande abraço, Janca

  • Tri Mundial Doom

    Por que não deram a gestão do Maracanã para o Banerj que poderia fazer promoções para seus clientes, ou ficar com o governo mesmo a administração, criando uma administradora para os estádios públicos, pois os estádios “Mané Garrincha, Maracanã e não lembro se tem outro, além do Itaquerão que foi dado ao Corinthians”, são públicos .

    Sendo dado a Eike Batista, o estádio que foi feito com dinheiro público não vai ter torcedores, não vai ajudar os clubes cariocas que a tempos andam aos trancos e barrancos, pois os ingressos que deveriam ser num preço popular pois quem pagou foi o povo, serão muito altos, os clubes irão pagar caro pelo aluguel, pois nem outra opção tem…lembro que Fluminense e Botafogo procuravam alternativas mais baratas e deixavam o Maracanã de lado só pro Flamengo se virar, isso com valores antigos…

    Com os clubes sem dinheiro por pagar aluguel de Maracanâ, nunca que esses clubes irão ser clubes de ponta de verdade, com estrutura respeitável, jogadores mantidos por tempo no clube e o torcedor não terá paciência com clubes endividados e tendo crise toda hora, voltando a estaca 0; maracanã novinho, clubes ferrados, torcedor fora do estádio, pois torcedor que pode pagar o preço que acham que vale essas peladas tipo Flamengo x madureira, Braziliense x Gama ou até mesmo um Flamengo x santos sem Neymar, não sendo despedida e inauguração de estádio, não irão.

    Quando vi o Haddad dizer que aumentou a passagem para investir eu ri demais.Nunca ouvi falar que um funcionário pediu aumento ao patrão para fazer investimento, sem fazer a empresa lucrar mais. Se acontecer o patrão vai rir e mandar economizar….kkkkkkkkk

    Daí junta todas estas loucuras impensadas e vejo que não seria bem corrupção o problema do país e sim incompetência de muitos ou todos os liderantes…Como o esporte em geral depende ou busca dependências no governo, dá nisso aí.

    • Thiago

      Parei de ler seu quando disse que o Arena Corinthians foi dada ao clube, seu clubismo tira qq seriedade do seu comentario.
      Me diga onde diz que o Corinthians não tera que pagar pelo que esta sendo construido e me calo, qq outra teoria não passa de clubismo barato.

    • Thiago

      E digo mais, antes de falar de outro clube olhe para o seu passado.
      Não vejo vc criticando a forma como o SPFC GANHOU o Morumbi e neste caso ganhou mesmo e tbm não falam como foi construido os CT´s do SPFC, todos com incentivo a Lei do Esporte, ou seja, DINHEIRO PUBLICO…mas ae nesse caso FINGE que não sabe de nada.

      • Dermivaldo

        Esse doom é o torcedor símbolo da inveja ao Corinthians.
        Ele ficou revoltado porque queria a reforma do Panetone, que éumestádio ultrapassado,sem cobertura, sem estacionamentos, sem metrô e a torcida fica muito longe.
        Ele sabe bem que o Corinthians conseguiu o estádio porque os vereadores sãopaulinos não deixaram o Corinthians arrendar o Pacaembu.
        Obrigado Marco Aurélio Cunha.
        Obrigado Aurélio Miguel.

  • francotimao

    Ola, João, é incrível como “eles” fazem essas “mutretas” na nossa cara e não podemos fazer nada, é óbvio q o projeto é salvar a empresa do Eike da falência e de quebra da uma “força” pra Odebrecht q faz trocas e barganhas com os governos e afins desde ha muito tempo, então com essa “concessão” o governo agrada a dois “nobres” investidores, lamentável, Protesto Neles!!!!!…Abs!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • janca

      Mas acho que a questão é conceitual. O porquê de o governo ter grana que não acaba mais pra reconstruir o Maracanã e na hora de gerenciá-lo resolve passar para a iniciativa privada? Se, pelo menos em tese, acha-se competente para uma coisa poderia se achar para a outra também.

      • francotimao

        Pois é João, construir estadios é bem mais fácil pro governo, uma vez q ele contrata construtoras e não precisa gerenciar “a coisa”, porém fazer o estadio render dinheiro, é bem mais complexo, implica necessariamente em competência administrativa e visão empresarial e ai, bem…ai o “bicho pega”…Abs!!!!!!!

  • Geraldo Magela

    Este é o legado que o governador Sergio Cabral deixou. Maracanã outrora estadio frequentado pelo povo, hoje será apenas para a elite, pois os preços serão exorbitantes. O estádio foi construido com o dinheiro do povo e repassado a empresários sem nenhum compromisso social.
    Ninguém merece este governo.

  • Geraldo Magela

    Este arranjo de repasse do Maracanã à empresários que só visam explorar o povo tem que ser alvo de manifestações contundentes. Mais uma bola fora desse governo incompetente.

  • Nicholas

    João, as questões que você levanta são importantíssimas e pouco ou nada discutidas na chamada grande imprensa, falando além do jornalismo esportivo. Afinal, mau uso (ou até desvio) do dinheiro público e favorecimento descarado a empreiteiras e conglomerados que já se mostraram desqualificados para assumir a administração do Maracanã. A Odebrecht, pela responsabilidade na construção do Engenhão, que, sete anos depois de inaugurado, corre risco de ver sua cobertura desabar – e ainda tenta se eximir de culpa através de uma cláusula ILEGAL (conforme noticiado pelo Lancenet) aceita, à época, pelo César Maia, e que isenta o Consórcio Engenhão de culpa por eventuais falhas oriundas de erros do projeto original, feito pela Delta. E o Eike pelos motivos que você citou na coluna, que nem são todos.

    E ainda tem, agora, a história da Odebrecht custear a reforma da cobertura do Engenhão e depois buscar ressarcimento da Delta por meio jurídico. Não parece uma troca de favores? A Odebrecht se faz de “boazinha” na reforma do Engenhão, pela qual ela é LEGALMENTE responsável, em troca da garantia pelo poder público de continuar administrando o MaracanaX, apesar das manifestações populares contrárias à privatização e das exigências absurdas para que os clubes cariocas usem o estádio, como 65% da renda de um eventual Fla x Vas para o Consórcio?

    Por isso tudo, gostaria de ler uma análise mais aprofundada e, consequentemente, mais extensa da sua parte sobre todas as suspeitas em torno dos estádios cariocas e o envolvimento do poder público. Será que sai?

    Um abraço.

    • janca

      Se conseguir informações mais detalhadas, especialmente sobre a história do Engenhão, que segue bem confusa, claro que sai, Nicholas. Abs. Janca

  • Dermivaldo

    O que é bom custa caro.
    O estádio ficou lindo, moderno e isso tem um preço.
    Com estádio ou sem estádio, o dinheiro iria para o ralo de qualquer jeito.
    Já estava na hora do país modernizar os estádios.
    Sediar Copa do Mundo custa caro e antes todo mundo sabia disso.
    E o Maracanã é o estádio mais importante do país.
    Ficará o legado dos estádios e será bom para a modernização do futebol brasileiro.

    O que está errado é gastar 1,6 bi no estádio de Brasília, em que praticamente não há futebol. Por questão de merecimento deveria ser reformado o Serra Dourada em Goiânia, que sempre tem clubes na primeira divisão.

    Uma sede na amazônia teria que ter mesmo, embora o futebol por lá seja de quinta categoria. Talvez Belém merecesse mais que Manaus por ter equipes melhores. Mas Manaus ou Belém dá na mesma. O problema é que lá não existe nenhum bom centro de treinamento para abrigar as seleções.

    Cuiabá acho desnecessário (nada contra o povo de lá),seria melhor Florianópolis, que é uma cidade bonita e com povo educado, embora a cidade tenha problemas de locomoção e aeroporto. Mas a locomoção se resolve com feriado e aeroporto com reforma.

    Fica uma dúvida em questão à estrutura/CT´s à serem utilizadas pelas seleções fora do Sul e Sudeste. Na Copa das Conferderações foi ridícula.

    • janca

      Você deve estar de brincadeira. Dizer que o dinheiro iria para o ralo de qualquer jeito e que isso justifique os preços astronômicos dos estádios, muito acima do previsto inicialmente, é piada de muito mau gosto.

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